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Em 1905, um menino de 11 anos esqueceu um copo de refrigerante com um palito dentro na varanda numa noite gelada, criou sem querer o picolé e anos depois vendeu os direitos da invenção
Frank Epperson registrou a patente do picolé em 1924, quase duas décadas depois do copo congelado, e repassou os direitos a uma empresa de Nova York
O picolé nasceu de um descuido. Em 1905, o menino Frank Epperson, então com 11 anos, misturou pó de refrigerante com água, deixou o palito de mexer dentro do copo e esqueceu a bebida do lado de fora numa noite de frio forte. Na manhã seguinte, tudo estava congelado em volta do palito. Quase duas décadas depois, a ideia virou patente e acabou vendida.
Como um copo esquecido virou o primeiro picolé da história?
Virou picolé porque a temperatura despencou naquela noite, segundo o relato reproduzido pelo programa Lemelson-MIT, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. O garoto, nascido em 1894 e criado em San Francisco, puxou o bloco pelo palito, provou e mostrou aos amigos.
Durante anos, a descoberta não passou de brincadeira. O sorvete já existia havia muito tempo, mas pedia pote, casquinha ou colher. A novidade era outra: gelo com sabor preso a um cabo, fácil de comer andando, como o carioca faz hoje na areia da praia.
O que a patente de Frank Epperson descreve sobre o palito?
A patente trata o palito como peça central do produto. A patente americana nº 1.505.592, concedida em 19 de agosto de 1924 a Frank W. Epperson, de Oakland, na Califórnia, registra a invenção como Frozen Confectionery, ou confeito congelado.

O documento explica que a calda congelava num tubo de ensaio, com o palito enfiado quase até o fundo. A madeira indicada era bétula ou choupo, porosa, sem seiva e sem gosto. O cabo de seção quadrada impedia que o gelo escorregasse.
Por ser má condutora de calor, a madeira também evitava que a mão esquentasse o doce. O objetivo declarado era um produto consumido sem contato com os dedos e sem prato ou talher.
Quem guarda picolé em casa sabe que gelo acumulado no congelador atrapalha. A matéria abaixo mostra um jeito seguro de resolver isso.
Por que Epperson vendeu os direitos do picolé tão cedo?
A venda veio cerca de um ano depois do registro. Segundo o Lemelson-MIT, em 1925 Epperson repassou seus direitos sobre o picolé à Joe Lowe Company, de Nova York, empresa que passou a explorar o produto.

Antes do nome famoso, o inventor chamava a criação de Eppsicle, mistura do sobrenome com icicle, pingente de gelo em inglês. Os filhos dele passaram a dizer Popsicle, nome adotado oficialmente. A versão original usava palito de bétula e custava cinco centavos de dólar.
A linha do tempo abaixo reúne as datas da patente e do perfil publicado pelo Lemelson-MIT. Ela mostra quantos anos separaram o copo esquecido do negócio fechado.
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| 1905 | A bebida congela com o palito numa noite fria |
| 11 de junho de 1924 | Pedido de patente que deu origem ao registro |
| 19 de agosto de 1924 | Concessão da patente nº 1.505.592 |
| 1925 | Venda dos direitos à Joe Lowe Company |
A invenção esperou cerca de 19 anos para ganhar proteção legal. Depois disso, bastou pouco tempo para o inventor deixar o negócio que tinha criado.
O que a história do picolé ensina a quem ama sorvete?
A trajetória de Frank Epperson mostra que uma boa ideia nem sempre nasce em laboratório. O descuido virou produto quando o inventor registrou a patente e pensou no uso prático, como o cabo que mantém a mão limpa.
Mais de um século depois, o picolé virou parceiro do calor carioca, do vendedor de praia ao freezer de casa, ao lado do sorvete de massa. Na próxima vez que você pegar um no Rio, lembre do menino de 11 anos e do refrigerante esquecido na varanda, e conte essa história pra quem estiver do seu lado.
Quais dúvidas sobre a invenção do picolé aparecem mais?
As respostas abaixo esclarecem a idade do inventor e o material do palito original, com base nos mesmos documentos citados no texto.
Quantos anos Frank Epperson tinha quando criou o picolé?
Ele tinha 11 anos. Nasceu em 1894 e fez a descoberta em 1905, segundo o Lemelson-MIT.
De que madeira era o palito original?
A patente aponta bétula e choupo como as madeiras mais adequadas, por serem porosas, sem seiva e sem sabor.
Se você gosta de relembrar o passado, a próxima leitura vai agradar. Ela fala das coisas simples da infância que deixam saudade até hoje.
Coisas da infância que a gente só valorizou depois de adulto e ainda hoje deixam saudade➔