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Ela faz 30 peças por dia com material reciclado e vende tudo: veja o passo a passo
Artesã mostra no YouTube ideia com sobras que vira produto, e o Sebrae aponta o caminho: acabamento caprichado, plano de negócios e feira para vender
Transformar sobras em dinheiro virou rotina para a artesã Djanilda Ferreira. No próprio canal do YouTube, ela apresenta uma ideia com material reciclado e conta que faz 30 peças por dia e vende todas. O número chama a atenção de quem procura renda extra sem gastar muito com matéria-prima. Por trás dele há um caminho que qualquer pessoa pode seguir: escolher bem o material, caprichar no acabamento e se organizar para vender.
Como a artesã chega a 30 peças de material reciclado por dia?
Pelo que a própria artesã apresenta, a conta fecha com uma ideia rápida de fazer e fácil de vender, como diz o título do vídeo. Quando a peça tem poucas etapas e o material reciclado é fácil de juntar, a produção ganha ritmo e o custo cai. Esse é o princípio do upcycling, termo em inglês para o reaproveitamento criativo que dá ao objeto descartado uma função nova e mais valor.
No vídeo publicado no canal dela, Djanilda apresenta a ideia de reciclagem que, segundo ela, rende 30 unidades por dia. A gravação é um bom ponto de partida para quem quer testar a proposta em casa antes de pensar em vender.
Qual é o passo a passo para começar no artesanato reciclado?
O primeiro passo é escolher um material que você consiga juntar com facilidade e em quantidade, como embalagens, latas ou retalhos. A artesã mineira Márcia Pinho, ouvida pela Agência Sebrae de Notícias, produz pelo menos 250 bijuterias por mês com cápsulas de café, fundos de latas de alumínio, embalagens plásticas, pneus de bicicleta e retalhos de couro.

Com o material escolhido, a produção pode ser organizada em etapas. A ordem abaixo ajuda a evitar desperdício e retrabalho na bancada.
- Separe e lave o material, retirando restos de comida, rótulos e partes cortantes.
- Faça uma peça-modelo antes de produzir em série e anote o tempo gasto.
- Monte um kit fixo de ferramentas, cola e tinta, sempre no mesmo lugar.
- Produza em lotes, repetindo a mesma etapa em várias peças de uma vez.
- Revise o acabamento de cada unidade antes de colocar à venda.
O acabamento é onde muita gente tropeça. Segundo Márcia Pinho, um acabamento malfeito faz o produto perder valor e o material reaproveitado volta a parecer lixo.
Quem gosta de dar nova vida a vidros e tecidos tem mais uma ideia para testar na mesma linha.
Você não vai acreditar no que fiz com pote de vidro e retalhos➔
Como transformar o upcycling em renda extra sem tomar prejuízo?
O caminho mais seguro é começar pequeno, vender primeiro para conhecidos e só depois investir em estoque. O Sebrae recomenda montar um plano de negócios antes de investir, com apoio da unidade mais próxima. As feiras de artesanato são uma vitrine importante: são o principal canal de venda de Márcia, que também atende lojistas.

Na hora do preço, some cola, tinta, embalagem, transporte e, principalmente, as horas de trabalho. O material reciclado sai barato, mas o tempo dedicado a cada peça precisa entrar na conta. As bijuterias de Márcia custavam entre R$ 38 e R$ 62 na época da reportagem do Sebrae, publicada em 2020.
Para profissionalizar a renda extra, existe a Carteira Nacional do Artesão, emitida de graça pelo Sicab, o sistema do Programa do Artesanato Brasileiro. Ela reconhece a produção artesanal e dá acesso a feiras nacionais, microcrédito e capacitação. Em alguns estados, garante ainda isenção de ICMS nas vendas, conforme a lei estadual.
Vale a pena apostar na reciclagem como fonte de renda em casa?
Pode valer, desde que o artesanato seja tratado como trabalho, com rotina, controle de gastos e cuidado com a qualidade. A reciclagem ainda ajuda o meio ambiente: reduz o consumo de recursos naturais, em sua maioria não renováveis, e diminui o volume de resíduos, como lembra o Sebrae.
Aqui no Rio e na Baixada, feiras de bairro, grupos de vizinhos e encomendas para festas costumam ser a porta de entrada de quem está começando. Que tal separar hoje mesmo as embalagens da semana e tentar a sua primeira peça? Depois conta pra gente como ficou.
Quais dúvidas aparecem sobre a Carteira Nacional do Artesão?
A carteira é o documento que mais gera perguntas entre quem quer vender artesanato de forma organizada. As respostas abaixo seguem as regras publicadas no portal do governo federal.
Quem pode pedir a carteira?
Pessoas a partir de 16 anos que fazem peças de forma predominantemente manual e moram no estado onde pedem o cadastro.
Quanto custa e qual é a validade?
O documento é gratuito e vale por 6 anos. Depois desse prazo, precisa ser renovado.
Existe algum teste?
Sim. A Coordenação Estadual do Artesanato avalia as habilidades do artesão, de forma presencial ou a distância, antes de liberar a carteira.
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