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Sem novos programas no portfólio, SBT apresenta estratégia para 2027 baseada em IA
Em apresentação para anunciantes, emissora troca anúncios de estreias por conceitos de difícil compreensão, exibe peças produzidas por inteligência artificial repletas de erros e deixa dúvidas sobre sua estratégia comercial para 2027
Sem novidades para apresentar ao mercado, o SBT apostou em conceitos pouco claros e em peças produzidas por inteligência artificial durante seu Upfront 2027, realizado nesta quinta-feira (22). O resultado foi uma apresentação que deixou mais perguntas do que respostas sobre os rumos da emissora e sua estratégia comercial para os próximos anos.
Uma semana depois de a Globo revelar sua programação de 2027 ao mercado publicitário, o SBT promoveu seu próprio evento para anunciantes. A diferença é que, enquanto a concorrente levou novidades concretas à vitrine, a rede fundada por Silvio Santos optou por destacar projetos conceituais e iniciativas agrupadas em chamadas “marcas de conteúdo”.
Coube aos apresentadores da casa explicar ao público o significado de nomes como Decola Grana, Linda Casa Linda, Dá Dá Dá, Poderi.a. e Que Lindeza. A proposta, contudo, não ficou evidente. Em nenhum momento houve uma explicação clara sobre como essas frentes se traduzem em oportunidades comerciais ou de que forma os anunciantes podem associar suas marcas aos programas da emissora.
A falta de objetividade acabou ofuscando a mensagem principal do evento. Afinal, permanecem dúvidas básicas: uma marca interessada em ações de beleza anunciaria em todos os conteúdos ligados ao selo Que Lindeza? Quem investisse em Dá Dá Dá teria exposição em quais atrações? As respostas não vieram.
Se os conceitos não conseguiram chamar atenção positivamente, as vinhetas criadas com inteligência artificial acabaram se tornando protagonistas involuntárias da noite. Exibidas para ilustrar os diferentes projetos, elas apresentaram erros visíveis de português e elementos gráficos sem sentido, problema recorrente em conteúdos gerados por IA. Palavras surgiram grafadas de forma incorreta e estabelecimentos exibiam nomes e serviços incompreensíveis, comprometendo a credibilidade do material apresentado.
Em meio às inconsistências, o momento mais relevante ficou por conta da presidente do SBT, Daniela Beyruti. Ao abrir a apresentação, a executiva reforçou o discurso institucional de que a emissora mantém uma relação afetiva com o público brasileiro e argumentou que o mercado ainda não compreende plenamente a identidade da empresa.
Daniela também destacou o legado de Silvio Santos, mas procurou transmitir a mensagem de que o canal segue forte mesmo após a morte de seu fundador. A executiva definiu o ambiente do SBT como um lugar “mágico” e afirmou que a emissora precisa mostrar melhor ao mercado quem realmente é.
A intenção era clara: reposicionar a imagem do canal diante dos anunciantes. O problema é que, sem novidades concretas de programação e com uma comunicação excessivamente abstrata, o evento terminou sem esclarecer como o SBT pretende transformar discurso em resultado. O espaço para mostrar sua nova fase existia. Faltou torná-la compreensível.
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