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Poderosas do Cerrado volta com muito luxo, ostentação e uma pergunta: onde está a realidade?

Segunda temporada do reality do Globoplay aposta em mulheres bem-sucedidas, conflitos e glamour, mas corre o risco de transformar o protagonismo feminino em uma vitrine de riqueza e privilégios

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Crítica Poderosas do Cerrado 2

A segunda temporada de Poderosas do Cerrado, que estreou na quarta-feira (21) no Globoplay, retorna com uma fórmula conhecida: mansões milionárias, roupas de grife, negócios lucrativos e mulheres que fazem da própria riqueza um espetáculo. Com elenco inteiramente renovado, o reality do GNT mantém seu apelo visual e a curiosidade sobre a intimidade da elite goiana, mas ainda precisa provar que tem conteúdo além da ostentação.

As novas protagonistas são Margareth Serrão, mãe da influenciadora Virginia Fonseca; as cantoras Day Camargo e Lara Menezes, da dupla Day & Lara; a empresária Karine Carrijo; a joalheira Lara Prado; e a agropecuarista Cati Reis. A diversidade de atividades profissionais representa um acerto da produção, que procura apresentar diferentes expressões do empreendedorismo feminino no Centro-Oeste. 

O principal problema está na abordagem. Ao privilegiar o luxo, o programa corre o risco de reduzir histórias potencialmente interessantes a uma sucessão de demonstrações de poder aquisitivo. O discurso sobre mulheres independentes e empreendedoras perde força quando o patrimônio parece receber mais atenção do que as decisões, os desafios e as contradições que marcaram suas trajetórias.

Margareth Serrão surge como uma das apostas de maior repercussão. Sua participação desperta curiosidade pela ligação com Virginia, mas também evidencia o potencial dos conflitos cotidianos. Uma cena em que repreende uma funcionária doméstica provocou críticas nas redes sociais, mostrando como comportamentos naturalizados em ambientes privilegiados podem ser interpretados de maneira muito diferente pelo público.

A cobertura especializada destaca justamente a combinação de luxo, personalidades fortes e alfinetadas como motor da nova temporada. A fórmula funciona como entretenimento, especialmente quando as diferenças entre as participantes produzem situações espontâneas. Entretanto, a linha entre documentar a realidade e fabricar conflitos para alimentar a audiência é tênue. 

Tecnicamente, a proposta se beneficia de uma estética sofisticada, ambientes exuberantes e personagens com forte presença diante das câmeras. O formato também tem o mérito de apresentar um Goiás economicamente diversificado, distante dos estereótipos frequentemente associados ao interior brasileiro.

Mas existe uma contradição central: o programa pretende valorizar mulheres poderosas, enquanto insiste em associar poder à riqueza, ao consumo e ao reconhecimento social. Seria muito mais interessante explorar com profundidade o trabalho, os fracassos, os conflitos profissionais e as escolhas que sustentam essas trajetórias.

Poderosas do Cerrado continua sendo um entretenimento capaz de despertar curiosidade, provocar comentários e gerar repercussão. Seu maior desafio, porém, não é mostrar como vivem mulheres milionárias, mas convencer o espectador de que existe algo realmente relevante por trás de tanto luxo.

No fim, a segunda temporada tem brilho de sobra, mas ainda precisa demonstrar que suas protagonistas têm histórias mais interessantes do que suas contas bancárias.

O texto Poderosas do Cerrado volta com muito luxo, ostentação e uma pergunta: onde está a realidade? foi publicado primeiro no Observatório da TV.