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Em 1986, uma estrutura de arenito de 50 metros foi encontrada a 25 metros de profundidade no oceano e, 40 anos depois, suas formas semelhantes a construções humanas ainda intrigam cientistas
Formação descoberta em 1986 perto do Japão continua intrigando por parecer uma construção escondida sob o mar
O Monumento de Yonaguni parece reunir degraus, plataformas e paredes no fundo do oceano, perto de uma ilha japonesa. Descoberta em 1986, a formação de arenito tem um trecho descrito com mais de 50 metros de comprimento e base a aproximadamente 25 metros de profundidade. Quarenta anos depois, sua aparência continua chamando atenção pela semelhança com construções humanas e pelas diferentes interpretações sobre sua origem.
Como o Monumento de Yonaguni foi encontrado?
O instrutor de mergulho Kihachiro Aratake encontrou a formação enquanto procurava novos pontos para observar tubarões-martelo nas águas de Yonaguni. A ilha fica no extremo oeste do Japão, na região de Okinawa, próxima de Taiwan. Durante a exploração, ele se deparou com superfícies rochosas que lembravam uma estrutura organizada em níveis.
A descoberta passou a atrair mergulhadores e especialistas interessados em compreender aquela paisagem submarina. O que impressiona é a combinação de planos horizontais com faces quase verticais. Vista de determinados ângulos, a rocha lembra uma construção em terraços, com mudanças de altura que fazem o observador pensar em escadas e grandes plataformas.

Quais características fazem a formação parecer uma construção?
O aspecto arquitetônico nasce do conjunto, e não apenas de uma superfície isolada. As linhas se encontram, os patamares aparecem sobrepostos e algumas passagens parecem delimitadas por paredes. Entre os elementos que mais despertam a curiosidade de quem observa o local estão:
- Plataformas amplas com superfícies relativamente planas;
- Desníveis que lembram grandes degraus;
- Faces rochosas quase verticais;
- Encontros entre planos que formam ângulos próximos de 90 graus;
- Trechos com aparência de corredores e terraços.
O arenito pode formar degraus e paredes naturalmente?
A explicação geológica considera as camadas e as fraturas da própria rocha. O arenito pode se separar ao longo de planos horizontais e verticais, produzindo superfícies que parecem cortadas. Essas descontinuidades, chamadas de juntas ou diáclases, orientam a maneira como partes do maciço se desprendem e ajudam a explicar a geometria encontrada debaixo d’água.
O geólogo Robert Schoch, que mergulhou no local em diferentes ocasiões, defende uma origem predominantemente natural. Formas semelhantes também aparecem em trechos emersos da ilha. A ação das ondas sobre as fraturas pode destacar blocos e lâminas de rocha, deixando patamares. A regularidade visual faz parte do interesse geológico da formação, mesmo quando lembra uma obra planejada.
Por que surgiu a hipótese de intervenção humana?
A aparência dos relevos levou o geólogo marinho Masaaki Kimura a defender uma interpretação que envolve participação humana. Também existe a possibilidade discutida de aproveitamento ou modificação de uma formação natural. Para compreender essa discussão, é útil separar questões diferentes:
Questões que ajudam a entender origem, uso humano e mudanças da paisagem
- 1A origem das camadas rochosas que compõem o maciço;
- 2Os processos responsáveis pelas superfícies e pelos desníveis;
- 3A possibilidade de pessoas terem utilizado partes da formação;
- 4A existência de eventuais modificações realizadas sobre a rocha;
- 5As mudanças da paisagem costeira e do nível do mar ao longo do tempo.
Quatro décadas de fascínio por uma paisagem submarina
O Monumento de Yonaguni continua sendo um ponto de mergulho conhecido pela combinação de escala e formas angulares. A referência aos 25 metros corresponde à profundidade aproximada de sua base, enquanto partes superiores ficam mais próximas da superfície. Essa diferença ajuda a visualizar o relevo: a formação se eleva pelo fundo marinho, em vez de ocupar um único plano horizontal.
A experiência de observar o local exige atenção às condições do mar, pois a região pode apresentar correntes fortes. Para além das interpretações sobre sua origem, as plataformas de arenito oferecem uma visão marcante da paisagem submersa japonesa. Desde o encontro de Aratake, em 1986, são essas superfícies, fraturas e mudanças de nível que mantêm Yonaguni entre as formações submarinas mais conhecidas do país.