Entretenimento
Com vilas onde não entram carros: a ilha brasileira que abrigou um presídio com ruínas entre trilhas e praias por quase um século
Um presídio que marcou a história por quase 100 anos.
Durante boa parte do século XX, ser enviado para a Ilha Grande, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro, significava isolamento. A ilha abrigou um presídio que recebeu de criminosos comuns a presos políticos. Depois que ele foi desativado e implodido, a paisagem mudou de sentido: a mata se manteve preservada, as vilas passaram a receber visitantes e a ilha, onde não circulam carros, virou um dos destinos de natureza mais procurados do país.
Que presídio funcionou na Ilha Grande?
A antiga colônia penal de Dois Rios. Segundo o portal O Antagonista, a Colônia Penal Cândido Mendes funcionou de 1903 a 1994 na Vila de Dois Rios e abrigou presos políticos como o escritor Graciliano Ramos, que transformou a experiência no livro Memórias do Cárcere.
O fim foi marcado por uma implosão. A mesma reportagem registra que o presídio foi implodido em 1994 e que as ruínas abrigam hoje o Museu do Cárcere, administrado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Para o visitante, o lugar ajuda a entender um capítulo pouco lembrado da história da ilha.

Como a ilha virou área protegida?
Com a criação de um parque estadual. Segundo o jornal Estado de Minas, o Parque Estadual da Ilha Grande foi criado em 1971 e ampliado em 2007, ocupa 12.052 hectares e cobre 62,5% da ilha. É administrado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e tem mais de 80 km de trilhas sinalizadas.
O reconhecimento chegou ao mundo. Segundo o Jornal do Brasil, em julho de 2019 Paraty e Ilha Grande foram reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio Mundial, no primeiro sítio misto do Brasil, reconhecido ao mesmo tempo por sua cultura e por sua natureza. O título inclui o Parque Estadual da Ilha Grande e a Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul.
O que visitar na Ilha Grande?
O roteiro combina história, mata e mar. Estes são alguns dos destaques citados pelas fontes.
Como chegar e circular na ilha?
De barco e a pé. Segundo o Estado de Minas, três portos fazem a travessia diária até a Vila do Abraão: Mangaratiba, Conceição de Jacareí e o cais de Angra dos Reis. A Vila do Abraão aparece há décadas como parte administrativa do município, como registra uma monografia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que lista Abraão entre os distritos de Angra dos Reis.
Na ilha, as distâncias são vencidas por trilhas ou barcos. A ausência de carros ajuda a preservar a paisagem e o ritmo tranquilo das vilas. Para quem visita, a recomendação é planejar os deslocamentos, contratar condutores para trilhas mais longas e respeitar as regras do parque estadual.
Como é o clima de Angra dos Reis ao longo do ano?
O verão é muito chuvoso, e o inverno, mais seco e ameno. Janeiro concentra 302 mm de chuva em média, enquanto agosto registra 61 mm, e julho tem mínima de 16°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma ilha que trocou as grades pela mata
A Ilha Grande mostra como um lugar marcado pelo isolamento forçado pode ganhar um novo sentido. O presídio que funcionou por quase um século foi implodido, e a mata que cercava suas muralhas virou parque estadual e parte de um patrimônio da humanidade. Hoje, as ruínas convivem com trilhas, praias e vilas sem carros, lembrando um passado que não deve ser esquecido.
Você precisa atravessar a baía de barco, caminhar pela trilha até Dois Rios e visitar o Museu do Cárcere para entender como a Ilha Grande passou de prisão a um dos lugares mais preservados do litoral brasileiro.