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Em 1990, a NASA lançou o telescópio Hubble com um defeito no espelho menor que a espessura de um fio de cabelo e, 3 anos depois, astronautas precisaram consertá-lo em pleno espaço
Um erro de apenas 2,2 micrômetros no espelho do Hubble comprometeu as imagens e exigiu uma missão em órbita
O telescópio Hubble chegou ao espaço em 1990 com a promessa de observar o Universo acima das distorções da atmosfera terrestre. Entretanto, um desvio microscópico no formato do espelho principal comprometeu a nitidez das imagens. A diferença era muito menor que a espessura de um fio de cabelo. Três anos depois, astronautas realizaram uma missão em órbita para corrigir a visão do observatório.
Qual era o defeito no espelho do Hubble?
O espelho principal, com 2,4 metros de diâmetro, havia sido fabricado com uma curvatura diferente da especificada. Sua região externa estava ligeiramente mais plana do que deveria, com um desvio de aproximadamente 2,2 micrômetros, equivalente a 0,0022 milímetro. Essa diferença corresponde, aproximadamente, a uma pequena fração da espessura de um cabelo humano.
Embora quase impossível de perceber sem instrumentos, o erro tinha consequências importantes para a óptica. A luz refletida por diferentes regiões do espelho não convergia como deveria, produzindo imagens com halos e perda de definição. O problema recebeu o nome de aberração esférica. Para um equipamento destinado a distinguir detalhes de objetos distantes, aquele desvio comprometia parte essencial de sua capacidade.

Como o problema apareceu depois do lançamento?
O observatório foi lançado em 24 de abril de 1990, a bordo do ônibus espacial Discovery. Quando as primeiras imagens começaram a ser analisadas, a definição ficou abaixo do esperado. Em 27 de junho daquele ano, a NASA anunciou a falha. A apuração permitiu reconstruir o que havia acontecido durante a fabricação:
- Um equipamento utilizado para verificar a curvatura do espelho havia sido montado incorretamente;
- O erro nessa referência orientou o acabamento da superfície para um formato inadequado;
- As imagens obtidas em órbita revelaram uma distorção compatível com o defeito óptico;
- O diagnóstico preciso permitiu desenvolver componentes capazes de compensar o desvio.
Foi necessário trocar o espelho durante o conserto?
O espelho principal permaneceu no telescópio. A solução foi instalar uma correção no caminho percorrido pela luz, com uma função comparável à dos óculos. Um conjunto chamado COSTAR utilizava pequenos espelhos para compensar a aberração antes que a luz alcançasse três instrumentos científicos. Sua instalação exigiu retirar outro equipamento para liberar espaço.
A missão também substituiu a câmera original pela WFPC2, que já incorporava sua própria correção óptica. Assim, os engenheiros adaptaram os instrumentos ao formato conhecido do espelho. Essa estratégia permitiu recuperar a nitidez sem retirar a grande peça de sua estrutura, transportá-la para a Terra ou tentar modificar sua superfície durante uma caminhada espacial.

Como os astronautas trabalharam no observatório em órbita?
A missão STS-61 decolou em 2 de dezembro de 1993, com sete tripulantes no ônibus espacial Endeavour. Após o encontro em órbita, o telescópio Hubble foi capturado pelo braço robótico e acomodado no compartimento de carga. Quatro astronautas, organizados em duas duplas, alternaram o trabalho externo durante cinco caminhadas espaciais. Entre as principais tarefas estavam:
- Instalar o conjunto de correção óptica COSTAR;
- Substituir a câmera original pela WFPC2;
- Trocar os dois painéis solares do observatório;
- Renovar componentes de orientação e unidades eletrônicas;
- Preparar o equipamento para voltar a operar livremente em órbita.
A correção abriu uma nova etapa de observações
As imagens obtidas após o reparo mostraram a recuperação da capacidade óptica esperada. Comparações da região central da galáxia M100 tornaram a diferença especialmente visível, com detalhes antes borrados aparecendo definidos. O observatório havia sido projetado para receber manutenção em órbita, e essa característica permitiu transformar um problema de fabricação em uma intervenção executável por astronautas.
A missão de 1993 também inaugurou uma sequência de atualizações. Outras quatro visitas de manutenção ocorreram entre 1997 e 2009, com substituição de instrumentos e componentes. Os equipamentos posteriores passaram a incorporar suas próprias correções ópticas, tornando o COSTAR dispensável. O telescópio Hubble continuou observando o céu com o espelho original, enquanto câmeras e sistemas renovados ampliavam suas possibilidades de exploração astronômica.