Em 2020, moradores de um vilarejo na Costa do Marfim encontraram um tubo metálico de 12 metros que caiu do céu e descobriram que o objeto fazia parte de um foguete chinês que voltou à Terra sem controle - Super Rádio Tupi
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Em 2020, moradores de um vilarejo na Costa do Marfim encontraram um tubo metálico de 12 metros que caiu do céu e descobriram que o objeto fazia parte de um foguete chinês que voltou à Terra sem controle

Tubo metálico de 12 metros cai na Costa do Marfim e é associado ao foguete chinês Longa Marcha 5B

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Em 2020, moradores de um vilarejo na Costa do Marfim encontraram um tubo metálico de 12 metros que caiu do céu e descobriram que o objeto fazia parte de um foguete chinês que voltou à Terra sem controle
Destroços do Longa Marcha 5B foram encontrados em um vilarejo da Costa do Marfim (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

O foguete chinês Longa Marcha 5B deixou uma lembrança inesperada de sua passagem pelo espaço em um vilarejo da Costa do Marfim. Em maio de 2020, moradores de Mahounou encontraram um tubo metálico descrito como tendo cerca de 12 metros após a queda de destroços na região. O episódio coincidiu com a reentrada descontrolada do estágio central do veículo, lançado poucos dias antes.

O que aconteceu no vilarejo atingido pelos destroços?

Os relatos surgiram em Mahounou, na região de Bocanda, no centro do país africano. Moradores ouviram uma detonação, e peças metálicas foram encontradas em terra. Entre os objetos que chamaram atenção estava a estrutura alongada, grande o suficiente para aparecer cercada por pessoas nas imagens divulgadas na época.

Não houve registro de vítimas nos relatos locais sobre o episódio. A descoberta, porém, levou a uma pergunta: de onde vinha aquele material? A explicação apontou para um equipamento que havia alcançado a órbita terrestre e voltado à atmosfera em 11 de maio, seis dias depois do lançamento.

Em 2020, moradores de um vilarejo na Costa do Marfim encontraram um tubo metálico de 12 metros que caiu do céu e descobriram que o objeto fazia parte de um foguete chinês que voltou à Terra sem controle
Destroços do Longa Marcha 5B foram encontrados em um vilarejo da Costa do Marfim (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como o Longa Marcha 5B foi ligado ao tubo metálico?

O astrônomo Jonathan McDowell relacionou os objetos encontrados à trajetória de reentrada do foguete. A localização do vilarejo e o horário informado para a queda ajudavam a sustentar essa associação. Os principais elementos considerados na identificação foram:

  • O lançamento do veículo espacial em 5 de maio de 2020;
  • A reentrada do estágio central em 11 de maio;
  • A posição de Mahounou próxima à trajetória projetada sobre a superfície;
  • A coincidência entre os relatos locais e o período da reentrada;
  • A presença de estruturas metálicas compatíveis com destroços de um grande equipamento.

Por que o foguete voltou à Terra sem controle?

O Longa Marcha 5B transportava um protótipo de uma nova nave espacial chinesa em seu voo inaugural. Seu estágio central também alcançou a órbita e permaneceu circulando a Terra depois de cumprir a função de lançamento. Com a perda de altitude provocada pelo arrasto atmosférico, acabou retornando às camadas mais densas da atmosfera.

Uma reentrada descontrolada não tem um ponto de queda escolhido por uma manobra final. O objeto segue sua evolução orbital até encontrar resistência suficiente para descer e se fragmentar. Embora seja possível acompanhar a trajetória e atualizar previsões, determinar antecipadamente o local exato onde cada pedaço chegará ao solo envolve incertezas.

Em 2020, moradores de um vilarejo na Costa do Marfim encontraram um tubo metálico de 12 metros que caiu do céu e descobriram que o objeto fazia parte de um foguete chinês que voltou à Terra sem controle
Destroços do Longa Marcha 5B foram encontrados em um vilarejo da Costa do Marfim (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como um tubo tão grande consegue sobreviver à reentrada?

O aquecimento durante a descida pode destruir grande parte de um equipamento espacial, mas não garante sua eliminação completa. Depois que a estrutura principal se rompe, cada fragmento continua atravessando a atmosfera de maneira diferente. A sobrevivência de uma peça depende de fatores como:

  • O material utilizado e sua resistência ao aquecimento;
  • A massa e as dimensões do componente;
  • O formato e a orientação durante a descida;
  • A altitude em que acontece a separação da estrutura principal;
  • O tempo de exposição às condições intensas da reentrada.

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Uma queda que levou o problema dos detritos espaciais ao cotidiano

O registro técnico do objeto orbital identificado como 2020-027C inclui a recuperação de destroços perto de Mahounou. A descrição do tubo de aproximadamente 12 metros apareceu nos relatos sobre a descoberta. O tamanho informado correspondia a um fragmento encontrado, enquanto o estágio que retornou da órbita era uma estrutura muito maior, capaz de gerar várias peças durante sua desintegração.

O episódio mostrou por que encerrar uma missão também exige planejar o destino dos componentes descartados. Em uma reentrada controlada, manobras permitem direcionar a descida para uma região escolhida, geralmente oceânica e afastada de áreas habitadas. Naquele vilarejo da Costa do Marfim, a chegada de um objeto vindo da órbita tornou visível uma etapa dos lançamentos que costuma acontecer longe dos olhos de quem acompanha a decolagem.