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Essa cidade de Mato Grosso do Sul nasceu de um plano federal de distribuição de terras e alcançou o 3º lugar em qualidade de vida no estado

O plano de Getúlio Vargas que levou famílias ao interior em 1943.

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Em 3º lugar entre os 79 municípios sul-mato-grossenses. / Imagem ilustrativa

Muitas cidades do interior brasileiro cresceram por conta própria, ao redor de uma estrada ou de uma fazenda. Dourados teve um empurrão do governo federal: em 1943, Getúlio Vargas criou ali uma colônia agrícola que distribuía terra de graça a quem topasse migrar, e a cidade que cresceu a partir desse plano hoje aparece entre as três melhores de Mato Grosso do Sul em qualidade de vida.

Como Getúlio Vargas mudou o destino de Dourados?

Com a Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND), criada pelo Decreto-lei nº 5.941, de 28 de outubro de 1943, dentro da Marcha para o Oeste, programa do Estado Novo para ocupar o interior do país. A área prevista era de 300 mil hectares, mais tarde reduzida para 267 mil, segundo estudo publicado na revista Fronteiras, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Cada colono recebia gratuitamente um lote de cerca de 30 hectares, conforme pesquisa apresentada em evento da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Da antiga colônia nasceram municípios como Fátima do Sul, Glória de Dourados, Jateí, Douradina, Vicentina e Deodápolis. A região, porém, já tinha moradores antes dos colonos: a Reserva Indígena de Dourados, dos povos Kaiowá, Ñandeva e Terena, havia sido criada em 1917, mais de duas décadas antes da colônia.

A cidade que virou o refúgio preferido da terceira idade
Dourados combina a estrutura de uma cidade média com o ritmo de quem ainda toma tereré na calçada e conhece o vizinho pelo nome.(Créditos: depositphotos.com / rafapress)

Por que a Embrapa foi pesquisar a nova fronteira agrícola em Dourados?

Porque a região era o centro da nova fronteira agrícola do país no sul do antigo Mato Grosso. A unidade da Embrapa chegou à cidade em 13 de junho de 1975 e deu origem à atual Embrapa Agropecuária Oeste, com pesquisas em arroz, feijão, milho, soja e trigo, segundo o livro A História da Embrapa em Dourados, publicado pela própria instituição em 2024.

O centro se tornou referência no Sistema Plantio Direto, técnica em que a semeadura é feita sobre a palha da safra anterior, mantendo o solo sempre coberto e alternando as culturas. É uma prática que ganha importância em uma região onde a colonização veio acompanhada de derrubada intensa das matas, como registram estudos sobre a antiga colônia.

Como Dourados aparece no ranking de qualidade de vida?

Em 3º lugar entre os 79 municípios sul-mato-grossenses. Dourados somou 65,89 pontos no Índice de Progresso Social (IPS Brasil) 2026, que avalia 57 indicadores sociais e ambientais sem considerar PIB ou renda. Ficou atrás apenas de Campo Grande e de Glória de Dourados, uma das cidades nascidas da antiga colônia.

A média estadual foi de 64,14 e a nacional de 63,40, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que coordena o índice. O resultado mede o que chega ao dia a dia, como saneamento, moradia, saúde e acesso ao ensino superior.

O que fazer em Dourados no fim de semana?

O lazer da cidade gira em torno de parques e praças que contam a história de quem chegou para colonizar a região. O portal oficial de turismo de Dourados reúne os principais endereços.

1
Parque Antenor Martins Inaugurado em 1985, tem um grande lago que recebe campeonatos de pesca e abre das 8h às 21h.
2
Parque dos Ipês Abriga o Teatro Municipal, pista de caminhada, quadras e a Feira Agroecológica, que funciona às terças-feiras.
3
Praça Antônio João Antigo campo de futebol, é o ponto onde começou a se formar o núcleo urbano da cidade.
4
Praça da Imigração Japonesa Inaugurada em 2008, no centenário da imigração japonesa no Brasil, com esculturas e plantas de inspiração oriental.
5
Praça da República do Paraguai Homenagem à comunidade paraguaia, inaugurada em 1998 com a presença do então presidente paraguaio Juan Carlos Wasmosy.
6
Praça Antônio Alves Duarte Reúne estátuas de bronze em homenagem aos heróis da Guerra do Paraguai, réplicas das que existem na Praia Vermelha, no Rio.

Qual a melhor época para visitar Dourados?

O inverno é a estação mais seca, com cerca de 53 mm de chuva em agosto, enquanto janeiro chega a 198 mm, de acordo com as médias de 30 anos do Climatempo. O calor domina boa parte do ano, com máximas perto de 31°C de setembro a março.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 22-31°C
Chuva: Muito alta
Espetáculo no Teatro Municipal.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 16-31°C
Chuva: Média
Fim de tarde no Parque Antenor Martins.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 14-28°C
Chuva: Baixa
Passeio pelas praças do centro.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 18-31°C
Chuva: Alta
Feira Agroecológica no Parque dos Ipês.
💡 Dica do especialista: o inverno traz menos chuva e madrugadas mais frescas, mas as tardes ainda passam dos 25°C. Programe caminhadas nos parques para o início da manhã ou o fim da tarde, quando o calor alivia.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Dourados?

Por terra, as principais ligações são as rodovias federais BR-163, BR-463 e BR-376, com ônibus que chegam ao Terminal Rodoviário Renato Lemes Soares. De avião, o Aeroporto Francisco de Matos Pereira recebe voos diários de Guarulhos, com cerca de 1h55 de viagem, segundo o portal de turismo da Prefeitura.

Leia também: Ela vive sozinha numa aldeia cujos últimos vizinhos foram embora em 1991: “Tenho loja, mas é só para mim”.

Uma cidade que nasceu de um mapa de lotes

Dourados é o resultado de uma política que dividiu a mata em pedaços de 30 hectares e convidou o país inteiro a ocupá-los. Mais de 80 anos depois, a mesma região que recebia colonos para abrir a mata abriga centro de pesquisa, universidade federal e serviços que a colocam entre as melhores cidades do estado para viver.

Você precisa conhecer Dourados e caminhar pelas praças que guardam a história de paraguaios, japoneses, colonos e povos originários que construíram o sul de Mato Grosso do Sul.