A antiga usina a carvão com chaminé de mais de 100 metros à beira do Guaíba deixou de funcionar, quase foi demolida e virou um dos centros culturais mais famosos do Sul do país - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Brasil

A antiga usina a carvão com chaminé de mais de 100 metros à beira do Guaíba deixou de funcionar, quase foi demolida e virou um dos centros culturais mais famosos do Sul do país

Desativada em 1974, a antiga termelétrica reabriu em 2025 após reforma de mais de R$ 25 milhões e agora tem cessão de 21 anos e edital de ocupação cultural

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
A antiga termelétrica a carvão de Porto Alegre virou um dos centros culturais mais conhecidos do Sul do país
A antiga termelétrica a carvão de Porto Alegre virou um dos centros culturais mais conhecidos do Sul do país - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Quem caminha pela orla do Lago Guaíba, em Porto Alegre, vê de longe a chaminé de mais de 100 metros da Usina do Gasômetro. O prédio nasceu como usina termelétrica a carvão, parou de gerar energia em 1974 e chegou a ter o futuro ameaçado. Hoje é um dos centros culturais mais conhecidos do Sul e entrou numa nova fase depois de reabrir em 2025.

Como a Usina do Gasômetro nasceu à beira do Guaíba?

A Usina do Gasômetro nasceu no fim dos anos 1920 como a antiga Termelétrica de Porto Alegre, que queimava carvão mineral para gerar a energia da capital gaúcha. O nome costuma confundir: ele vem de uma usina de gás que funcionava nas redondezas, e não de um gasômetro no próprio terreno.

Com mais de 100 metros, a chaminé virou a assinatura do lugar. Foi erguida para lançar a fumaça e a fuligem bem acima dos telhados do Centro e hoje serve de referência para quem circula pela cidade. Na reabertura, a Prefeitura de Porto Alegre lembrou essa origem: a usina que já transformou carvão em energia agora quer transformar vidas.

Por que a usina termelétrica parou e quase foi demolida?

A usina termelétrica foi desativada em 1974 e, sem função, entrou em decadência. O terreno nobre à beira do Guaíba despertava interesse para obras viárias, e o poder público chegou a cogitar a demolição do prédio.

A reforma da usina durou cinco anos, alcançou mais de 12 mil metros quadrados e recebeu investimento de mais de R$ 25 milhões
A reforma da usina durou cinco anos, alcançou mais de 12 mil metros quadrados e recebeu investimento de mais de R$ 25 milhões – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Foi a mobilização de entidades civis e defensores do patrimônio que mudou o rumo da história. Em 1982, o prédio passou à gestão municipal com destinação cultural, como registra o comunicado da Prefeitura sobre a renovação da cessão da Usina do Gasômetro. Tombado como patrimônio histórico, o antigo prédio industrial foi restaurado e virou centro cultural no início dos anos 1990.

Prédios antigos que ganham nova vida aparecem em outras cidades brasileiras também. Uma estação ferroviária abandonada há 40 anos pode seguir um caminho parecido.

Como o centro cultural voltou a funcionar depois da reforma?

O centro cultural reabriu em 26 de agosto de 2025, depois de oito anos fechado ao público. O prédio tinha sido interditado em 2017 por problemas estruturais, e a Prefeitura afirma ter investido mais de R$ 25 milhões na recuperação.

A obra durou cinco anos e alcançou mais de 12 mil metros quadrados. Teve reforço estrutural, novas redes elétrica e hidráulica, reparo de lajes, vigas e paredes, além de sistemas de segurança, acessibilidade e climatização. Ao lado, uma praça de 730 metros quadrados com oliveiras passou a ligar trechos da Orla do Guaíba.

Essa reforma também teve rosto. Um episódio da série A Cara da Obra, no canal oficial da Prefeitura no YouTube, apresenta o auxiliar geral Marcelo Oliveira, um dos trabalhadores da requalificação da usina.

O que muda no Gasômetro com a cessão do prédio pela União?

A principal mudança é a segurança jurídica: em fevereiro de 2026, a União cedeu o prédio a Porto Alegre por 21 anos, prorrogáveis por igual período. Em troca, a Prefeitura assumiu a reforma estrutural da chaminé, estimada em R$ 4 milhões, e a garantia de acesso gratuito às áreas principais.

Com a cessão da União por 21 anos, a Prefeitura abriu edital para ocupar a usina com projetos artísticos
Com a cessão da União por 21 anos, a Prefeitura abriu edital para ocupar a usina com projetos artísticos – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Em março, a Secretaria Municipal da Cultura abriu um edital de ocupação da Usina do Gasômetro para projetos artísticos na nave, no mezanino, na entrada e no Teatro Elis Regina. As inscrições foram até 30 de junho. O projeto para o futuro prevê cinema, teatro, salas de exposição e de dança, terraços e cafeteria.

Por que a Usina do Gasômetro segue como símbolo de Porto Alegre?

A Usina do Gasômetro segue como símbolo porque junta, no mesmo endereço, memória industrial, arquitetura preservada e programação cultural à beira do Guaíba. A própria Prefeitura trata o prédio como um dos principais símbolos culturais da capital gaúcha.

Para o ouvinte da Tupi, a história lembra prédios do Rio que trocaram a função original pela cultura e pelo lazer. Se a viagem ao Sul estiver nos planos, reserve um fim de tarde na orla, confira a programação nos canais oficiais e depois conte pra gente como foi o passeio.

Enquanto a viagem não sai, que tal uma leitura leve sobre comportamento? A psicologia das cores rende boa conversa.