Eleições
Parlamentares dos EUA questionam vistos a Flávio Bolsonaro e criticam Trump por barrar refugiados
Parlamentares democratas questionam acolhimento do senador enquanto refugiados têm asilo negado: "O governo Trump deve explicações ao Congresso"
O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Estados Unidos, controlado pelos democratas, atacou a decisão do governo americano de conceder vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e a seus parentes. A crítica veio acompanhada de uma comparação entre o tratamento dado ao brasileiro e o que recebem refugiados de países em guerra.
“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, publicou o comitê nas redes sociais, acrescentando que “negar os resultados eleitorais” seria mais bem-vindo do que “fugir da violência”.
No asylum for people fleeing war in Sudan or conflict in Haiti, but Rubio is rolling out the red carpet for Bolsonaro. Apparently, fleeing violence doesn’t qualify. Denying election results does.
— House Foreign Affairs Committee Dems (@HouseForeign) October 28, 2026
Quem mais criticou a decisão?

Outros políticos democratas também se manifestaram. O candidato Isaiah Martin chamou Flávio de “imigrante ilegal criminoso” e disse que os contribuintes americanos pagariam a conta: “O contribuinte americano vai arcar com os custos para proteger sua família criminosa e suas viagens de luxo pelo nosso país.”
O deputado Joaquin Castro foi mais direto sobre o caso jurídico do senador. Ele lembrou que Flávio é investigado no Brasil por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e que foi obrigado pela Justiça a entregar os passaportes. “Perder uma eleição não é motivo para pedir asilo”, escreveu Castro no Threads, concluindo que “o governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil em desacordo com a legislação brasileira.”
O que o governo americano disse?
O Departamento de Estado informou na terça-feira (27) que vai conceder os vistos a Flávio e à sua família, mas ainda não confirmou se os documentos foram emitidos. O presidente Donald Trump apoiou a decisão: “Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível.”
Enquanto isso, o governo argentino confirmou, na madrugada de quarta-feira, que Flávio Bolsonaro entrou na Argentina com a família na noite anterior. Foi a primeira confirmação oficial de que o senador deixou o Brasil, depois de um dia de rumores. A saída aconteceu dias após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar que ele entregasse seus passaportes.
Por que a data das críticas importa?
As manifestações ocorrem a menos de uma semana das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro, quando os americanos elegem representantes para toda a Câmara e parte do Senado. O resultado vai definir o equilíbrio de forças no Congresso nos dois últimos anos do governo Trump, o que torna o tema ainda mais sensível para os democratas.