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Economia

Programador que nunca fez faculdade conta como conseguiu vaga numa grande empresa de tecnologia, e por que cada vez mais empresas deixam de exigir diploma para contratar

Estudo de Harvard mostra que muitas empresas tiram o diploma dos anúncios de vaga, mas poucas mudam de verdade a forma de contratar quem programa

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Programadores autodidatas podem chegar a grandes empresas de tecnologia, mas precisam provar na prática o que sabem fazer
Programadores autodidatas podem chegar a grandes empresas de tecnologia, mas precisam provar na prática o que sabem fazer - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Muita gente no Rio e na Baixada aprende a programar sozinha, no computador de casa ou no celular, e se anima com histórias de programador que entrou numa grande empresa de tecnologia sem passar pela faculdade. Esse caminho existe, mas não é atalho. Quem chega lá normalmente encara provas técnicas, entrevistas e anos de estudo por conta própria. Ao mesmo tempo, um levantamento ligado a Harvard mostra que muitas empresas tiraram o diploma universitário dos anúncios de vaga, embora poucas tenham mudado de verdade a forma de contratar.

Programador sem faculdade pode trabalhar legalmente no Brasil?

Pode, sim. Diferente da medicina, do direito ou da engenharia, a programação não tem conselho profissional nem diploma obrigatório previsto em lei. Vale a regra geral do inciso XIII do artigo 5º da Constituição Federal, que garante o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações que a lei estabelecer.

Na prática, é cada empregador que define o que pede. No anúncio, o curso superior pode aparecer como obrigatório, como desejável ou nem aparecer. Por isso, quem quer entrar na área precisa ler com atenção os requisitos de cada vaga e entender o que realmente vai ser cobrado na seleção.

Como o autodidata chega a uma vaga em empresa de tecnologia?

Como não tem certificado para mostrar, o autodidata precisa provar o que sabe fazer. O autodidatismo, ou seja, aprender sozinho com cursos gratuitos, documentação técnica e prática diária, só abre portas quando vira trabalho que o recrutador consegue ver e avaliar.

Programação não exige diploma por lei no Brasil, e cada empresa define o que pede em cada vaga
Programação não exige diploma por lei no Brasil, e cada empresa define o que pede em cada vaga – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

As seleções das grandes companhias do setor costumam repetir algumas etapas. Quem estuda por conta própria geralmente se prepara para estes pontos:

  • Portfólio público, com projetos próprios publicados e o código aberto para avaliação.
  • Teste técnico, com desafios de lógica e de código, muitas vezes online e com tempo marcado.
  • Entrevistas sobre os projetos, sobre como a pessoa resolve problemas e como trabalha em equipe.

Esse tipo de processo seletivo favorece quem tem prática, mas exige disciplina. O caminho do autodidatismo obriga a pessoa a montar a própria grade de estudos, pedir opinião de profissionais mais experientes e aguentar as primeiras recusas sem desistir.

Trocar de rumo na carreira quase nunca é uma linha reta. Esta outra história mostra que dá para recomeçar em qualquer idade.

Por que as empresas estão deixando de exigir diploma?

As empresas querem atrair mais candidatos e contratar pelo que a pessoa sabe fazer, não pelo papel que ela tem. Esse foi o ponto de partida do relatório Skills-Based Hiring, do Burning Glass Institute com a Harvard Business School, publicado em fevereiro de 2024, que analisou empresas americanas que tiraram a exigência de curso superior das vagas.

Portfólio público, teste técnico e entrevistas são as etapas que o autodidata costuma enfrentar na seleção
Portfólio público, teste técnico e entrevistas são as etapas que o autodidata costuma enfrentar na seleção – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O resultado mostra uma mudança mais lenta do que os anúncios fazem parecer. Segundo o resumo publicado pelo Project on Workforce de Harvard, cerca de 45% das empresas mudaram só no papel. Já as que levaram a ideia a sério, 37% do grupo, aumentaram em quase 20% a fatia de contratados sem diploma.

Nessas empresas, quem não tinha formação superior ficou mais tempo no emprego: a permanência foi 10 pontos percentuais maior que a dos colegas formados. O governo americano também entrou nessa onda. A Ordem Executiva 13932, de 2020, mandou os órgãos federais avaliarem candidatos sem depender apenas da escolaridade.

O diploma universitário ainda faz diferença no processo seletivo?

Faz, mas pesa menos do que antes em muitas vagas de tecnologia. O mesmo levantamento de Harvard aponta que as contratações guiadas por habilidade não chegaram a 1 em cada 700 no ano anterior ao estudo. Ou seja, a graduação continua abrindo muitas portas, e quem pode cursar uma faculdade ganha uma vantagem real em várias seleções.

Para o programador que aprendeu sozinho, a saída é transformar estudo em prova concreta: projetos publicados, testes bem resolvidos e entrevistas seguras. Se você está aprendendo a programar em casa, comece hoje um projeto pequeno, coloque no ar e mostre para quem quiser ver: a próxima oportunidade pode começar por ele.

Depois de tanta lógica de programação, que tal dar uma pausa e testar o raciocínio com uma conta que engana muita gente?