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Honoré de Balzac, escritor francês, sobre o casamento: “O casamento deve combater sem descanso um monstro que devora tudo: o hábito.” Uma reflexão sobre por que a rotina é o maior risco de uma relação longa
A reflexão de Honoré de Balzac mostra como o hábito pode afastar duas pessoas mesmo dentro de uma relação longa
Honoré de Balzac, escritor francês, deixou uma provocação sobre o casamento que continua reconhecível na vida a dois. Depois de anos de convivência, conhecer os horários e as preferências do parceiro pode trazer conforto. O risco aparece quando essa familiaridade ocupa o lugar da curiosidade e o casal passa a dividir tarefas sem encontrar espaço para conversar, demonstrar afeto ou perceber mudanças.
O que Balzac quis dizer ao comparar o hábito a um monstro?
A frase aparece em “Fisiologia do casamento“, obra em que Balzac examina a vida conjugal com observações e provocações. Sua imagem do hábito permite pensar no desgaste que acontece sem um acontecimento marcante: a atenção diminui, os gestos desaparecem e a presença do outro passa a ser tratada como algo garantido.
“O casamento deve combater sem descanso um monstro que devora tudo: o hábito.”
Uma leitura possível é que o casamento precisa de participação mesmo depois de estabelecido. Saber qual café o parceiro prefere não significa conhecer suas preocupações atuais. A pessoa que está ao lado pode ter novos desejos, inseguranças ou planos. Sem perguntas e escuta, o casal corre o risco de continuar se relacionando com uma versão antiga de cada um.
Quando a rotina começa a ocupar o lugar da intimidade?
A rotina ajuda a organizar trabalho, contas, filhos e descanso. Entretanto, vale observar o conteúdo dos encontros cotidianos. Se toda conversa se resume ao funcionamento da casa, pode faltar espaço para compartilhar experiências pessoais. Algumas situações servem como convite para olhar com mais atenção para a convivência:
- As mensagens tratam apenas de compras, horários e compromissos;
- Uma pessoa começa a contar algo e a outra continua olhando o celular;
- As preferências do parceiro são presumidas, sem perguntar se continuam iguais;
- O carinho fica sempre adiado para um momento menos cansativo;
- As decisões são tomadas individualmente, mesmo quando afetam os dois.

Conhecer bem o parceiro significa que não há mais o que descobrir?
A convivência longa não encerra a descoberta sobre o outro. Imagine alguém que sempre gostou do próprio trabalho, mas começou a considerar uma mudança de profissão. Se o parceiro responde com um comentário automático sobre como aquela pessoa ama o emprego, a conversa pode terminar antes de a novidade ser compreendida.
Esse exemplo ajuda a trazer a reflexão de Honoré de Balzac para o presente. Perguntar o que mudou, ouvir a resposta inteira e reconhecer uma preocupação recente são formas de acompanhar quem está ao lado. A intimidade também se constrói nesses momentos, quando existe liberdade para dizer algo diferente do que o outro esperava ouvir.
Como abrir espaço para o casal dentro dos dias repetidos?
O cuidado com a relação pode caber no cotidiano, sem depender de viagens ou comemorações caras. Também precisa considerar o cansaço e a divisão de responsabilidades: quem está sobrecarregado pode precisar de descanso antes de desejar um programa a dois. Algumas propostas podem ser conversadas e adaptadas à realidade do casal:
Gestos para criar espaço de conversa, dividir responsabilidades e demonstrar cuidado
- 1Reserve uma refeição para conversar sem telas, quando for possível;
- 2Pergunte sobre um assunto pessoal, além dos compromissos da semana;
- 3Reveja tarefas domésticas que estejam concentradas em apenas uma pessoa;
- 4Retome uma atividade de que os dois gostavam e deixaram de fazer;
- 5Expresse agradecimento por uma atitude específica, sem tratar o cuidado como obrigação;
- 6Converse sobre como cada um prefere receber carinho na fase atual.
Uma relação longa precisa acompanhar quem os dois se tornam
A estabilidade pode oferecer espaço para proximidade e confiança. Ter rituais compartilhados, reconhecer o jeito do parceiro e contar com sua presença são experiências valiosas. A reflexão de Balzac convida a observar o momento em que esses costumes continuam existindo, mas a atenção se ausenta. O jantar permanece marcado, por exemplo, enquanto os dois deixam de conversar à mesa.
Combater o hábito, nessa interpretação, significa participar da relação que existe hoje. Isso envolve escutar mudanças, negociar responsabilidades e demonstrar afeto de maneiras compreensíveis para ambos. O casamento pede atenção às pessoas que continuam mudando dentro dele. Uma história compartilhada oferece lembranças; acompanhar o presente permite que o casal continue construindo experiências em conjunto.