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Sem vulcões, esta cidade de Goiás tem águas que chegam a 58°C e atraem turistas durante todo o ano
Em Caldas Novas, a água da chuva ganha calor no subsolo e volta à superfície quente o bastante para surpreender.
Quem entra numa piscina termal raramente pensa que aquela água um dia foi chuva. Em Caldas Novas, no sudeste de Goiás, a água que cai sobre a serra vizinha desce por fraturas na rocha, esquenta no subsolo e volta à superfície em poços que chegam perto dos 58°C, temperatura alta demais para um banho sem mistura.
De onde vem o calor das águas de Caldas Novas?
Do próprio interior da Terra, e não de um vulcão. A água da chuva se infiltra na Serra de Caldas, um planalto oval coberto de Cerrado que se eleva cerca de 300 metros acima da paisagem, desce por falhas e fraturas na rocha e é aquecida pelas temperaturas naturalmente mais altas em profundidade antes de voltar à superfície, segundo a NASA, que fotografou a serra pelo satélite Landsat 9 em 2025.
Esse aumento de temperatura conforme se desce no subsolo tem nome técnico: gradiente geotérmico. Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) citam Caldas Novas como exemplo clássico de aquecimento ligado a esse processo, em contraste com Poços de Caldas, em Minas Gerais, cujo calor tem outra origem, conforme artigo publicado na revista Geociências, da Unesp.

Por que as piscinas termais não ficam quentes demais?
Porque a cidade tem dois aquíferos com temperaturas diferentes. O mais profundo, o Aquífero Paranoá termal, fornece água entre 50°C e 58°C, com média de 55,5°C, enquanto o Aquífero Araxá termal funciona como uma zona de mistura, onde a água que se infiltra encontra o fluxo quente que sobe de baixo, segundo estudo publicado na revista Tupá. A captação é feita sobretudo por poços tubulares profundos.
Na prática, hotéis e parques costumam combinar as águas dos dois aquíferos para chegar a uma temperatura agradável de banho, explicou o geólogo Fábio Haesbaert ao Jornal Opção. É por isso que piscinas vizinhas podem ter sensações tão diferentes, umas mornas, outras bem quentes.
O que fazer em Caldas Novas além das piscinas?
A mesma serra que abastece as fontes guarda trilhas, cachoeiras de água fria e um pedaço preservado do Cerrado. Do outro lado da cidade, um grande lago completa o roteiro.
Quando visitar e como chegar a Caldas Novas?
O inverno é a época mais seca, com média de apenas 3 mm de chuva em julho e 8 mm em agosto, de acordo com o Climatempo. O tempo firme favorece as trilhas da serra, e o contraste entre o ar seco e a água quente torna o banho termal ainda mais agradável.
A cidade fica a cerca de 170 km de Goiânia e a pouco mais de 300 km de Brasília. Quem prefere voar conta com o Aeroporto Nelson Rodrigues Guimarães, que atende a região.
A chuva que vira banho quente no Cerrado
Caldas Novas deve tudo a uma serra que funciona como uma grande esponja de pedra. A chuva que cai sobre o Cerrado desce, esquenta no escuro do subsolo e volta para encher piscinas, num ciclo que a ciência explica sem precisar de vulcão.
Você precisa conhecer Caldas Novas num dia seco de inverno, subir a trilha da serra pela manhã e terminar a tarde mergulhado na água que ela mesma aqueceu.