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Sem vulcões, esta cidade de Goiás tem águas que chegam a 58°C e atraem turistas durante todo o ano

Em Caldas Novas, a água da chuva ganha calor no subsolo e volta à superfície quente o bastante para surpreender.

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Sem vulcões, esta cidade de Goiás tem águas que chegam a 58°C e atraem turistas durante todo o ano

Quem entra numa piscina termal raramente pensa que aquela água um dia foi chuva. Em Caldas Novas, no sudeste de Goiás, a água que cai sobre a serra vizinha desce por fraturas na rocha, esquenta no subsolo e volta à superfície em poços que chegam perto dos 58°C, temperatura alta demais para um banho sem mistura.

De onde vem o calor das águas de Caldas Novas?

Do próprio interior da Terra, e não de um vulcão. A água da chuva se infiltra na Serra de Caldas, um planalto oval coberto de Cerrado que se eleva cerca de 300 metros acima da paisagem, desce por falhas e fraturas na rocha e é aquecida pelas temperaturas naturalmente mais altas em profundidade antes de voltar à superfície, segundo a NASA, que fotografou a serra pelo satélite Landsat 9 em 2025.

Esse aumento de temperatura conforme se desce no subsolo tem nome técnico: gradiente geotérmico. Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) citam Caldas Novas como exemplo clássico de aquecimento ligado a esse processo, em contraste com Poços de Caldas, em Minas Gerais, cujo calor tem outra origem, conforme artigo publicado na revista Geociências, da Unesp.

A cidade de Caldas Novas possui uma das maiores capacidades hoteleiras do Brasil. / Créditos: Wikipédia

Por que as piscinas termais não ficam quentes demais?

Porque a cidade tem dois aquíferos com temperaturas diferentes. O mais profundo, o Aquífero Paranoá termal, fornece água entre 50°C e 58°C, com média de 55,5°C, enquanto o Aquífero Araxá termal funciona como uma zona de mistura, onde a água que se infiltra encontra o fluxo quente que sobe de baixo, segundo estudo publicado na revista Tupá. A captação é feita sobretudo por poços tubulares profundos.

Na prática, hotéis e parques costumam combinar as águas dos dois aquíferos para chegar a uma temperatura agradável de banho, explicou o geólogo Fábio Haesbaert ao Jornal Opção. É por isso que piscinas vizinhas podem ter sensações tão diferentes, umas mornas, outras bem quentes.

O que fazer em Caldas Novas além das piscinas?

A mesma serra que abastece as fontes guarda trilhas, cachoeiras de água fria e um pedaço preservado do Cerrado. Do outro lado da cidade, um grande lago completa o roteiro.

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Parque Estadual da Serra de Caldas Novas Criado em 1970 para proteger a área de recarga das fontes, abriga a seriema-de-patas-vermelhas e o pequizeiro.
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Trilha da Cascatinha Uma das duas trilhas abertas ao público no parque, termina em uma cachoeira de água fria.
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Trilha do Paredão A outra trilha aberta à visitação, também com cachoeira ao final, em meio ao Cerrado da serra.
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Lago Corumbá Reservatório formado por uma usina hidrelétrica, aparece ao lado da cidade na imagem de satélite da NASA.
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Rio Quente Município vizinho, também abastecido pela Serra de Caldas, cujo nome descreve justamente as águas termais da região.

Quando visitar e como chegar a Caldas Novas?

O inverno é a época mais seca, com média de apenas 3 mm de chuva em julho e 8 mm em agosto, de acordo com o Climatempo. O tempo firme favorece as trilhas da serra, e o contraste entre o ar seco e a água quente torna o banho termal ainda mais agradável.

A cidade fica a cerca de 170 km de Goiânia e a pouco mais de 300 km de Brasília. Quem prefere voar conta com o Aeroporto Nelson Rodrigues Guimarães, que atende a região.

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A chuva que vira banho quente no Cerrado

Caldas Novas deve tudo a uma serra que funciona como uma grande esponja de pedra. A chuva que cai sobre o Cerrado desce, esquenta no escuro do subsolo e volta para encher piscinas, num ciclo que a ciência explica sem precisar de vulcão.

Você precisa conhecer Caldas Novas num dia seco de inverno, subir a trilha da serra pela manhã e terminar a tarde mergulhado na água que ela mesma aqueceu.