A praia do Nordeste famosa pelas piscinas naturais onde cientistas monitoram os corais desde os anos 1960 e alertam para o risco de branqueamento - Super Rádio Tupi
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A praia do Nordeste famosa pelas piscinas naturais onde cientistas monitoram os corais desde os anos 1960 e alertam para o risco de branqueamento

As piscinas naturais de uma praia brasileira dependem de recifes que vêm sendo estudados há décadas.

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A praia do Brasil onde é possível ver golfinhos bem de pertinho
Um destino especial para quem ama natureza e quer contato com animais marinhos. - Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

Uma piscina natural parece um presente pronto do mar, mas cada uma delas depende de um recife vivo para existir. Em Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, os recifes que formam o principal cartão-postal da vila são estudados por pesquisadores desde a década de 1960. O que eles encontraram muda a forma de aproveitar a maré baixa.

Como se formam as piscinas naturais de Porto de Galinhas?

Com a ajuda dos recifes que ficam a poucos metros da faixa de areia. Quando a maré baixa, a água do mar fica presa entre as formações, criando áreas rasas, mornas e transparentes, onde peixes circulam perto dos banhistas. Esse ambiente abriga uma comunidade típica de recife, com algas, esponjas, cnidários, anelídeos, moluscos e crustáceos, segundo estudo da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

O passeio mais tradicional até as piscinas é feito em jangadas, embarcações a vela conduzidas por jangadeiros locais. Como tudo depende do nível do mar, o horário muda de um dia para o outro, e a tábua de marés vira o principal instrumento de planejamento da viagem.

Essa cidade se destaca como a favorita de todo o litoral brasileiro
Porto de Galinhas (Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco)

O que os cientistas encontraram nos corais da praia?

Um ambiente rico, mas sob pressão. Um levantamento identificou 173 colônias de corais e hidroides calcários nos recifes da praia, e 40% delas estavam total ou parcialmente branqueadas, de acordo com artigo publicado na revista Biotemas, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O branqueamento acontece quando o coral perde as microalgas que lhe dão cor e parte do alimento, ficando mais vulnerável.

Uma pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) comparou os recifes atuais com a descrição feita pelo pesquisador Laborel em 1969. O estudo encontrou mais espécies do que no passado, mas registrou mudanças no Millepora, o chamado coral-de-fogo, e alterações na distribuição dos corais que podem estar ligadas ao conjunto de ações humanas sobre o recife.

Existe limite de visitantes nas piscinas naturais?

Existem regras, mas sem um estudo técnico atualizado por trás. As áreas permitidas à visitação são demarcadas por sinalização flutuante e o acesso é feito por jangadeiros, mas as normas não se baseiam em estudo de capacidade de carga, o cálculo de quantas pessoas um ambiente suporta sem se degradar, segundo pesquisa publicada na revista Guaju, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A própria ciência usa o recife como laboratório para medir esse impacto. No estudo da UFRPE, pesquisadores compararam uma área aberta a turistas com outra fechada à visitação e concluíram que o recife ainda mantém sua capacidade de resposta, embora a perda de espécies já afete alguns grupos específicos. O recado é claro: o visitante faz parte da equação.

Como aproveitar Porto de Galinhas sem prejudicar os recifes?

Pequenas atitudes fazem diferença em um ambiente tão visitado. Pesquisas sobre a visitação a recifes no litoral nordestino, incluindo Porto de Galinhas, apontam o pisoteio e a alimentação irregular dos peixes entre os impactos do turismo.

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Vá de jangada O acesso às piscinas é feito por jangadeiros locais, que conhecem as áreas liberadas e o melhor momento da maré.
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Respeite as boias A sinalização flutuante marca os limites das áreas permitidas à visitação nos recifes.
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Não pise nos corais O pisoteio está entre os impactos mais citados pelos pesquisadores que estudam a praia.
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Não alimente os peixes Dar comida aos peixes aparece entre os problemas apontados por pesquisadores na visitação a recifes.
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Conheça Muro Alto Praia vizinha em que uma barreira de recifes forma uma grande piscina natural de águas calmas.
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Caminhe pela vila As esculturas de galinhas lembram a tradição de que o nome surgiu do desembarque clandestino de africanos escravizados, escondidos sob cargas de galinhas-d’angola.
A praia do Brasil onde é possível ver golfinhos bem de pertinho
Um destino com mar calmo, visual incrível e encontros emocionantes com a vida marinha. – Créditos: depositphotos.com / Cristian_Lourenco

Quando ir e como chegar a Porto de Galinhas?

O meio do ano concentra as chuvas, com média de 194 mm em junho e 166 mm em julho, de acordo com o Climatempo. Em qualquer época, porém, o fator decisivo para as piscinas é a maré, então vale montar o roteiro a partir dela.

A vila pertence ao município de Ipojuca e fica a cerca de 60 km do Recife. Quem chega de avião desembarca no Aeroporto Internacional dos Guararapes, na capital pernambucana, e segue de carro ou transfer pelo litoral sul.

Um aquário que depende de quem visita

As piscinas naturais de Porto de Galinhas não são cenário fixo. São parte de um recife vivo, estudado há mais de meio século, que reage a cada mudança no mar e a cada passo dado sobre ele.

Você precisa subir numa jangada na maré baixa, mergulhar nas piscinas de Porto de Galinhas e sair de lá deixando os corais exatamente como encontrou.