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Na Amazônia, enormes figuras geométricas escavadas no solo revelam vestígios de antigas sociedades que ocuparam a região muito antes da capital existir
Entre uma gameleira histórica e desenhos gigantes no chão.
Em boa parte do Brasil, o passado indígena ficou guardado em museus ou escondido debaixo da terra. No leste do Acre, ele aparece desenhado no próprio solo: valas geométricas, os geoglifos, se espalham pelos arredores de Rio Branco, capital que cresceu às margens do Rio Acre a partir de um antigo seringal.
O que são os geoglifos que cercam Rio Branco?
São estruturas escavadas na terra, formadas por muretas baixas e valas que desenham figuras geométricas de diferentes formatos. O estado reúne 306 sítios arqueológicos desse tipo, com 410 estruturas, concentrados sobretudo no leste acreano, entre os rios Acre e Iquiri, segundo a ficha da candidatura brasileira à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que inclui os geoglifos na lista indicativa a Patrimônio Mundial desde 2015.
Quem construiu essas formas ainda é uma pergunta aberta. Pesquisas recentes sugerem uma possível ligação com povos de tradição Arawak e Takana, como os Manchineri e os Apurinã. Um detalhe chama atenção: os construtores preferiam pontos altos, muitas vezes na borda de platôs, com visão ampla do entorno, como se os desenhos tivessem sido feitos para serem vistos.

Quais geoglifos podem ser visitados perto da capital?
O mais conhecido é o do Sítio Arqueológico Jacó Sá, a cerca de 50 km de Rio Branco, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 2018 como o primeiro geoglifo protegido dessa forma no país. Com cerca de 2.500 anos, ele tem um losango com um círculo no meio, formato que lembra a bandeira do Brasil.
Outros sítios próximos à capital, como Baixa Verde II, Severino Calazans e Tequinho, também recebem visitantes. Alguns ficam em propriedades particulares, como o Tequinho, batizado com o apelido do dono da terra, então vale combinar a visita com antecedência.
Onde nasceu Rio Branco?
Às margens do Rio Acre, ao lado de uma árvore. A cidade nasceu à sombra de uma gameleira, e o calçadão que leva o nome da árvore, o Deque da Gameleira, virou um dos pontos turísticos da capital, de acordo com o livro Minha Rio Branco, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A mesma publicação lembra que muitos moradores vieram do Nordeste para trabalhar nos seringais e que o antigo Mercado Velho passou a se chamar Novo Mercado Velho depois de reformado. O centro histórico ainda concentra os marcos da época da borracha e da Revolução Acreana, que levou o território a fazer parte do Brasil.
O que visitar no centro de Rio Branco?
Boa parte dos passeios cabe numa caminhada pelas duas margens do rio, ligadas por uma passarela. O roteiro mistura história, comida regional e áreas verdes.

Qual a melhor época para visitar Rio Branco?
Entre junho e agosto, a estação seca, quando a chuva cai para cerca de 23 mm em julho, contra 264 mm em janeiro, de acordo com as médias de 30 anos do Climatempo. O calor é constante, com máximas que chegam a 33°C em setembro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma capital que também se lê pelo chão
Rio Branco guarda duas camadas de história a poucos quilômetros uma da outra. No centro, a gameleira e o mercado contam a era da borracha; nos arredores, os geoglifos lembram povos que redesenharam a paisagem da Amazônia muito antes de qualquer seringal.
Você precisa conhecer Rio Branco na estação seca, caminhar pela Gameleira no fim da tarde e reservar um dia para ver de perto os desenhos que a floresta escondeu por séculos.