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Idosa de 105 anos reencontra amigo da infância da mesma idade e relembra época em que os dois plantavam milho: “106 anos, com certeza!”, dizem sobre o futuro

Separados desde a infância no campo, franceses de 105 anos voltam a se reunir após nove décadas para resgatar memórias e já planejam os 106 anos

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Madeleine e Justin, idosos, sentados à mesa, conversam; ela segura a mão dele.
Amigos de infância, os centenários Madeleine e Justin celebram o reencontro e compartilham memórias. Foto: Michel Lafitte

Separados por mais de nove décadas, os franceses Madeleine e Justin se reencontraram aos 105 anos de idade. Amigos de infância no campo, os centenários compartilharam memórias da juventude em uma celebração organizada pelo prefeito de Montsoué, Patrick Castra, com o consentimento dos familiares.

Justin completou 105 anos no dia 29 de agosto, e Madeleine alcançou a mesma idade em 13 de outubro. O reencontro ocorreu após o prefeito ouvir relatos da moradora sobre as ligações com o antigo vizinho de Hagetmau. Diante disso, o gestor planejou o evento pensando: “por que não desafiar o destino e juntar os dois?”.

A celebração reuniu familiares, amigos, vereadores e a prefeita de Hagetmau, Pascale Requenna. No momento da reunião, Justin retirou o boné, segurou a mão de Madeleine e a beijou com afeto. Os dois ganharam presentes: ele recebeu um cachecol e ela ganhou uma manta.

Lembranças do campo e da juventude

A amizade começou na comunidade de Doazit. Madeleine pertencia a uma família numerosa e morava na propriedade de Castéra, onde enfrentava maus-tratos. Para buscar refúgio, ela ia até o sítio vizinho: “eu escapava para ir à fazenda de Jean-de-Bernat, do outro lado da estrada, e ajudava a semear o milho à mão com ele”.

Justin, primogênito de seis irmãos, relembrou os sapatos de madeira da época escolar, o professor Dumartin e as partidas de basquete na praça. Os jogos garantiram uma viagem a Mont-de-Marsan após a conquista de um troféu regional.

Trajetórias na fase adulta e planos futuros

Durante a Segunda Guerra Mundial, Justin foi convocado para o trabalho forçado na Alemanha, mas fugiu para Gers e ingressou nas Forças Francesas do Interior. Em 1949, casou-se e fixou residência em Hagetmau. Ele atuou como marceneiro e trabalhou na empresa Capdevielle até a aposentadoria, em 1982.

Madeleine viveu “uma fase mais feliz aos 16 anos”, quando se uniu a Paul Lafferrère e mudou para Montsoué. Ela trabalhou na lavoura e superou um acidente grave de trânsito em 1968, atendida pelo médico Michel Fournier. No desastre, sofreu lesões graves:

  • traumatismo craniano;

  • costelas quebradas;

  • rótula quebrada;

  • ruptura no baço.

Mãe de Denise e Bernadette, ela tem três netos e quatro bisnetos. Questionados sobre o futuro, ambos afirmaram que pretendem alcançar os “106 anos, com certeza!”.

Estudos sobre longevidade feminina

A longevidade centenária também mobiliza pesquisadores internacionais. Um estudo da Universidade de Illinois em Chicago analisou o vilarejo de Bolotana, na Sardenha, onde 13,8% das mulheres que chegam aos 70 anos alcançam o centenário. O patamar supera as médias nacionais da Itália, de 3,5%, e dos Estados Unidos, de 3,6%.