Pedreiro italiano levou 33 anos para erguer sozinho, sem andaime nem projeto, 17 torres de ferro, cimento e cacos de cerâmica que chegam a 30 metros de altura em Los Angeles - Super Rádio Tupi
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Pedreiro italiano levou 33 anos para erguer sozinho, sem andaime nem projeto, 17 torres de ferro, cimento e cacos de cerâmica que chegam a 30 metros de altura em Los Angeles

Simon Rodia começou a obra em 1921 no bairro de Watts, usou sucata e mosaico e viu as torres escaparem da demolição antes de virarem patrimônio

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Simon Rodia dedicou 33 anos à construção das Watts Towers, cujas maiores torres beiram 30 metros
Simon Rodia dedicou 33 anos à construção das Watts Towers, cujas maiores torres beiram 30 metros - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Um pedreiro imigrante, um terreno estreito no bairro de Watts, em Los Angeles, e 33 anos de trabalho nas horas vagas. Assim nasceram as Watts Towers, um conjunto de 17 esculturas de aço, argamassa e cacos de cerâmica que o italiano Simon Rodia ergueu praticamente sozinho entre 1921 e 1954. Duas das torres principais beiram os 30 metros de altura, e o conjunto hoje tem o título de Marco Histórico Nacional dos Estados Unidos.

Como Simon Rodia ergueu as Watts Towers sem andaime nem projeto?

Rodia trabalhou com as próprias mãos, ferramentas simples e um balde, subindo degrau por degrau na estrutura que ele mesmo criava. Segundo a The Cultural Landscape Foundation, ele construiu sem máquinas, sem andaime, sem parafusos, sem solda e sem nenhum desenho no papel.

Nascido em Serino, na Itália, em 1879, Sabato Rodia chegou aos Estados Unidos por volta de 1894. Em 1921, aos 42 anos, foi morar em Watts, onde os vizinhos o chamavam de Sam. A trajetória é contada pelo Watts Towers Arts Center, centro cultural vizinho ao monumento. Ele batizou a obra de Nuestro Pueblo, ou Nossa Cidade, em espanhol.

Aço reaproveitado, tela metálica e cimento sustentam os mosaicos de cerâmica, vidro e conchas
Aço reaproveitado, tela metálica e cimento sustentam os mosaicos de cerâmica, vidro e conchas – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

No documentário The Towers, de 1957, o próprio pedreiro resumiu a empreitada. Disse que fez tudo sozinho e que nunca teve um único ajudante.

Histórias de quem constrói com as próprias mãos continuam aparecendo pelo mundo. Na Argentina, um aposentado também levantou a própria casa no campo.

Que materiais mantêm de pé as torres de ferro e cerâmica?

A base é uma armação de aço reaproveitado, dobrada à mão e amarrada com arame. Rodia envolvia as barras em tela metálica, cobria tudo com cimento Portland e, com a massa ainda úmida, encravava os enfeites.

Entram no mosaico vidro quebrado, conchas, louça, azulejos e peças de cerâmica americana de meados do século 20. Os cacos cobrem colunas, arcos, um gazebo e até um barco apelidado de Navio de Marco Polo. Sem escola de arte nem engenheiro, Rodia inventou uma técnica própria, bem ao estilo da arte naïf.

O desgaste de décadas exige cuidado constante, e o Museu de Arte do Condado de Los Angeles (LACMA) atua na conservação das Watts Towers desde 2010, em parceria com a prefeitura. No vídeo publicado pelo próprio museu, a equipe apresenta o projeto de conservação das torres.

Como as Watts Towers escaparam da demolição em Los Angeles?

As torres foram salvas por um teste de carga feito em 1959, que comprovou a solidez da estrutura. Dois anos antes, em 5 de fevereiro de 1957, a prefeitura de Los Angeles tinha mandado demolir o conjunto.

Um teste de carga em 1959 comprovou a solidez das torres e ajudou a impedir sua demolição
Um teste de carga em 1959 comprovou a solidez das torres e ajudou a impedir sua demolição – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Nessa época, Rodia já tinha ido embora. Em 1954, entregou a escritura a um vizinho e, no ano seguinte, se mudou para Martinez, no norte da Califórnia. Em 1959, Bill Cartwright e Nick King compraram o terreno por 3 mil dólares e criaram um comitê para defender a obra.

Em 1975, as Watts Towers passaram para a prefeitura. O conjunto consta no registro do Serviço Nacional de Parques dos EUA e recebeu o título de Marco Histórico Nacional, além de ser monumento histórico da Califórnia.

Por que a obra de Simon Rodia ainda emociona quem visita Watts?

A obra emociona porque mostra o que um trabalhador comum fez com sucata, tempo e persistência. Em 1959, uma conferência internacional de curadores de museus chamou as torres de principal obra de arte popular do século 20 nos Estados Unidos.

Esse reconhecimento aproxima Simon Rodia da arte naïf, feita por criadores sem formação acadêmica que seguem as próprias regras. Se um dia a viagem for para Los Angeles, reserve uma tarde para conhecer Watts. Até lá, que tal olhar com outros olhos para aqueles cacos de azulejo esquecidos no seu quintal?

Outra história de quem transformou sucata em lar também chama atenção. Nos Estados Unidos, um engenheiro aposentado vive há décadas dentro de um avião.