Elisabeth Kübler-Ross, psiquiatra, sobre o luto: "As pessoas mais bonitas que conhecemos são aquelas que conheceram a derrota, o sofrimento, a luta e a perda, e encontraram o caminho para sair das profundezas" - Super Rádio Tupi
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Elisabeth Kübler-Ross, psiquiatra, sobre o luto: “As pessoas mais bonitas que conhecemos são aquelas que conheceram a derrota, o sofrimento, a luta e a perda, e encontraram o caminho para sair das profundezas”

Derrotas, perdas e sofrimento não definem o fim de uma história.

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A frase não diz que sofrer é bom. Diz que quem sofre e consegue sair do outro lado costuma voltar diferente. / Imagem ilustrativa

Quase todo mundo conhece alguém assim: uma pessoa que passou por uma perda enorme e, anos depois, tem um jeito de ouvir, de acolher e de olhar para os outros que parece diferente. Elisabeth Kübler-Ross, a psiquiatra que passou a vida ao lado de pacientes terminais e famílias enlutadas, descreveu esse tipo de pessoa numa das frases mais compartilhadas sobre o luto. E ela sabia do que estava falando.

Quem foi Elisabeth Kübler-Ross?

Nascida em Zurique, na Suíça, em 1926, Elisabeth Kübler-Ross se formou em medicina e se mudou para os Estados Unidos, onde trabalhou como psiquiatra. Numa época em que médicos evitavam falar de morte com os pacientes, ela fez o contrário: sentou ao lado deles e perguntou como estavam se sentindo.

Dessas conversas nasceu o livro “Sobre a Morte e o Morrer”, de 1969, que apresentou ao mundo os famosos cinco estágios do luto e mudou a forma como hospitais e famílias lidam com o fim da vida. Ela morreu em 2004, deixando mais de vinte livros sobre o tema.

E termina com uma ideia curta: pessoas bonitas não acontecem por acaso. / Imagem ilustrativa

De onde vem a frase?

Ela está no livro “Death: The Final Stage of Growth”, publicado em 1975, algo como “A morte: o estágio final do crescimento”. A fundação que leva o nome da psiquiatra registra a citação como parte dessa obra.

A versão completa vai além do trecho mais conhecido. Kübler-Ross diz que essas pessoas, por terem atravessado o fundo do poço, têm uma sensibilidade e uma compreensão da vida que as enchem de compaixão, delicadeza e cuidado com os outros. E termina com uma ideia curta: pessoas bonitas não acontecem por acaso.

O que a dor pode ensinar?

A frase não diz que sofrer é bom. Diz que quem sofre e consegue sair do outro lado costuma voltar diferente. Algumas marcas aparecem com frequência em quem atravessou grandes perdas:

1
Compaixão Quem já sentiu a dor de perto reconhece mais rápido a dor do outro.
2
Noção do que importa Depois de uma perda, pequenas brigas e vaidades costumam perder o peso.
3
Presença Aprende-se que, diante da dor, ouvir vale mais do que ter respostas prontas.

Leia também: Herdeiro de uma das maiores fortunas dos Estados Unidos comprou fazendas no pé das montanhas, enfrentou anos de resistência local e doou as terras que hoje fazem parte de um dos parques mais visitados do país.

Os cinco estágios do luto são uma regra?

Não, e vale esclarecer porque o modelo é muito citado. Kübler-Ross descreveu negação, raiva, barganha, depressão e aceitação a partir do que observou em pacientes terminais. Com o tempo, ela e outros estudiosos deixaram claro que essas fases não seguem uma ordem fixa:

Ideia comum O que se sabe hoje Leitura
As fases vêm em ordem Uma depois da outra Elas podem aparecer fora de ordem, se repetir ou nem aparecer. Não é uma escada
O luto tem prazo “Já devia ter superado” Cada pessoa tem seu tempo, e a saudade pode durar a vida toda. Não há cronômetro
O modelo é um mapa Para se orientar Ajuda a dar nome aos sentimentos, sem obrigar ninguém a segui-lo. Útil como referência

Como atravessar a perda sem romantizar a dor?

A frase de Kübler-Ross fala de quem encontrou o caminho para sair, e esse caminho raramente é feito sozinho. Algumas atitudes ajudam:

  • Permitir-se sentir, sem pressa para “ficar bem”.
  • Falar sobre a perda com pessoas de confiança.
  • Manter pequenas rotinas que deem chão nos dias mais difíceis.
  • Buscar ajuda profissional quando a tristeza paralisa a vida por muito tempo.

Então aquelas pessoas que parecem ter uma luz diferente, lá do começo, não nasceram assim. Elas passaram pelo escuro e, de algum jeito, voltaram trazendo algo consigo. A dor não é um presente, mas o que se aprende ao atravessá-la pode virar cuidado com os outros. Se você está passando por um luto difícil, não precisa atravessá-lo sozinho: o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, a qualquer hora. Este texto é informativo e não substitui acompanhamento profissional.

💡 Curiosidade Apesar de ser conhecida como especialista em morte, Kübler-Ross dizia que, na verdade, seu trabalho era sobre a vida: ela acreditava que quem aprende a encarar a morte passa a viver com mais intensidade.