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Astrônomos encontram possível novo planeta a quase 7 bilhões de quilômetros da Terra, escondido em uma das regiões mais difíceis de observar do céu
Mundo gelado de até 1.500 km fica escondido entre estrelas da Via Láctea e surpreende astrônomos
O objeto passou despercebido em uma região do céu repleta de estrelas, apesar de poder alcançar cerca de 1.500 quilômetros de diâmetro. Identificado em dados do Observatório Vera C. Rubin, no Chile, esse mundo gelado é candidato a planeta anão. Na ocasião do anúncio, estava a aproximadamente 6,9 bilhões de quilômetros do Sol, além da distância média de Plutão.
Por que um objeto tão grande conseguiu escapar dos telescópios?
A dificuldade estava na direção em que os astrônomos precisavam olhar. Visto da Terra, o objeto aparece próximo ao plano da Via Láctea, uma faixa com enorme concentração de estrelas. Nesse cenário, distinguir um corpo distante do Sistema Solar exige reconhecer seu deslocamento entre inúmeros pontos luminosos registrados nas imagens.
Alguns levantamentos anteriores evitaram essas áreas congestionadas ou não as examinaram com profundidade suficiente. O candidato também aparece bastante ao sul no céu, o que limitou a cobertura de certas buscas. O movimento entre imagens foi a pista decisiva. Em uma fotografia isolada, o objeto pode parecer apenas mais um ponto entre as estrelas de fundo.

Como o Observatório Rubin consegue investigar esse céu congestionado?
O Rubin combina capacidade de captar luz, uma câmera de 3,2 bilhões de pixels e observações repetidas. Seu projeto permite acompanhar extensas regiões do céu e procurar mudanças entre os registros. Essa combinação é especialmente útil para localizar corpos cujo deslocamento aparente é pequeno. Entre os recursos empregados estão:
- Um conjunto de espelhos que inclui uma superfície principal de 8,4 metros;
- Uma câmera capaz de registrar muitos objetos em cada exposição;
- Um campo de visão equivalente à área de aproximadamente 45 luas cheias;
- Programas que relacionam detecções feitas em momentos diferentes;
- Revisitas às mesmas regiões para acompanhar movimentos e alterações de brilho.
O que os pesquisadores encontraram nas imagens antigas?
A identificação de 2026 ED138 ocorreu em 13 de outubro de 2026, quando Matthew Holman analisava dados com um programa desenvolvido com Kevin Napier. Depois, Mario Jurić localizou observações adicionais nos arquivos do Rubin. Ao todo, a equipe reuniu 30 registros do objeto, obtidos em 20 noites entre março e julho daquele ano.
A busca avançou para imagens da Dark Energy Camera, nas quais apareceram registros desde 2016. Um trabalho disponibilizado em versão preliminar no arXiv descreve essa investigação. As imagens de arquivo ampliaram o acompanhamento orbital para mais de dez anos. Conhecendo a trajetória aproximada, os astrônomos puderam procurar o corpo em fotografias anteriores à sua identificação.

O que já se sabe sobre esse possível planeta anão?
O candidato é um objeto transnetuniano, categoria que reúne corpos com órbitas além de Netuno. Sua distância anunciada era de aproximadamente 46 unidades astronômicas, sendo cada unidade a distância média entre a Terra e o Sol. As análises iniciais também permitem delinear algumas características e questões ainda abertas:
- O diâmetro estimado fica entre aproximadamente 600 e 1.500 quilômetros;
- O tamanho depende de quanto a superfície reflete a luz solar, propriedade chamada albedo;
- A órbita apresenta inclinação próxima de 25 graus em relação ao plano de referência do Sistema Solar;
- Novas observações precisam restringir suas dimensões e caracterizar melhor a superfície;
- O reconhecimento como planeta anão depende de evidências sobre suas propriedades físicas.
A próxima etapa será conhecer o mundo encontrado entre as estrelas
Observações em comprimentos de onda infravermelhos poderão ajudar a separar os efeitos do tamanho e da refletividade sobre o brilho observado. Essa distinção é importante porque um corpo menor e claro pode refletir tanta luz quanto outro maior e escuro. Encontrar o objeto e determinar suas dimensões são etapas diferentes, que exigem instrumentos e análises complementares.
Para 2026 ED138, o próximo desafio é transformar uma trajetória bem acompanhada em uma descrição física mais completa. Enquanto isso, o levantamento do Rubin foi planejado para revisitar o céu austral durante dez anos. A continuidade dessas observações permitirá procurar outros corpos nas regiões densas da Via Láctea e recuperar seus registros em arquivos, ampliando o conhecimento sobre os limites observáveis do Sistema Solar.