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Mignon McLaughlin, jornalista americana, sobre o amor duradouro: “Um casamento bem-sucedido exige se apaixonar muitas vezes, sempre pela mesma pessoa.” Uma reflexão sobre por que o amor de longo prazo é feito de recomeços
Aforismo da autora de The Neurotic's Notebook dialoga com estudo que achou sinais de paixão no cérebro de casais juntos há cerca de 21 anos
A jornalista americana Mignon McLaughlin deixou uma das frases mais repetidas sobre a vida a dois: “Um casamento bem-sucedido exige se apaixonar muitas vezes, sempre pela mesma pessoa”. A ideia cabe em uma linha, mas carrega uma tese inteira. Para ela, o amor duradouro não é um estado fixo. É uma sequência de recomeços dentro do mesmo casamento, e isso diz muito a quem divide a vida com alguém há anos.
Quem foi Mignon McLaughlin e de onde vem essa frase?
Mignon McLaughlin foi uma jornalista e escritora americana que construiu carreira no jornalismo de revistas em Nova York, com passagens pela Vogue e pela Glamour. Nascida em 1913, trabalhou durante décadas editando textos sobre comportamento, moda e cotidiano, até se aposentar nos anos 1970.
O nome dela ficou conhecido, porém, pelos aforismos: frases curtas, irônicas e certeiras sobre a vida comum. O primeiro livro do gênero, The Neurotic’s Notebook, saiu em 1963 pela editora Bobbs-Merrill, em Indianápolis, como mostra o registro da obra no catálogo do Open Library. A frase sobre o casamento costuma ser associada a essa produção de McLaughlin, que ganhou continuação em outros volumes.
O olhar treinado no jornalismo aparece em cada linha: observação precisa, poucas palavras e nenhum enfeite. Em vez de conselhos longos, a autora preferia frases que o leitor guardava de cabeça.

O que significa se apaixonar várias vezes pela mesma pessoa?
Significa entender que a paixão do início não dura para sempre do mesmo jeito, e que o casal precisa reencontrá-la de tempos em tempos. Na leitura de McLaughlin, o sucesso não está em nunca deixar de sentir, mas em voltar a sentir pela mesma pessoa.
A ironia é típica da autora. Em vez de prometer um amor sem altos e baixos, a frase admite que o encantamento vai e volta. Cada fase da vida, como filhos, mudança de emprego ou aposentadoria, apresenta ao casal uma versão nova do parceiro.
Para quem divide a rotina há décadas, a ideia soa familiar. Um exemplo brasileiro veio do sertão do Ceará e chegou ao livro dos recordes.
Manoel e Maria, no sertão do Ceará, viveram o casamento mais longo do mundo: juntos desde 1940…➔
O que a ciência diz sobre o amor duradouro no casamento?
A ciência indica que, para parte dos casais, a paixão pode resistir ao tempo. Um estudo publicado no periódico Social Cognitive and Affective Neuroscience examinou o cérebro de 17 pessoas casadas havia, em média, 21,4 anos e que se diziam intensamente apaixonadas.

Quando viam fotos do cônjuge, os voluntários ativavam áreas ligadas à recompensa e à dopamina, as mesmas que se acendem no amor recente. Também apareciam regiões associadas ao apego e ao vínculo. Já a obsessão, comum no começo do namoro, teve pontuação baixa.
Os autores, liderados por Bianca Acevedo e Arthur Aron, lembram que a amostra foi pequena e muito selecionada. O resultado não vale para todo casamento, mas mostra que o amor duradouro pode combinar encantamento e segurança.
Por que o amor de longo prazo é feito de recomeços?
Porque o tempo muda as pessoas, e o vínculo só se mantém quando o casal aprende a se reconhecer de novo. A frase de Mignon McLaughlin resume isso sem romantismo exagerado: a paixão não é um troféu conquistado no altar, e sim algo que se renova.
O estudo sobre casais de longa data aponta na mesma direção, ao mostrar que encantamento e apego podem conviver. Na prática, recomeçar pode ser um passeio sem pressa, uma conversa atenta ou a curiosidade sobre quem o outro se tornou. E você, quantas vezes já se apaixonou pela mesma pessoa? Que tal reparar hoje em quem está do seu lado?
Cuidar de uma relação também passa por gestos pequenos do dia a dia. Uma pergunta simples pode revelar muito sobre quem a faz.