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José Antonio Alberto da Silva, agrônomo da APTA: amarrar um tijolo no tronco da pinha não evita frutos pretos, mas o controle da broca e dos fungos, sim
Pesquisador da APTA explica que a mumificação da fruta-do-conde vem da broca e de fungos, aumenta com chuva e calor e se combate com limpeza e pulverização
Amarrar um tijolo no tronco da pinha para os frutos não ficarem pretos é um costume passado de geração em geração nos quintais. O engenheiro agrônomo José Antonio Alberto da Silva, pesquisador da APTA, a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, classifica a prática como mito. Para ele, o que escurece a fruta é o ataque da broca-do-fruto e de fungos, e é contra eles que é preciso agir.
Por que o tijolo no tronco não evita frutos pretos na pinha?
Porque o tijolo não interfere em nenhuma das causas do escurecimento. O pesquisador trata do tema no texto Verdades e mitos na fruticultura, publicado em 2012 na revista Pesquisa e Tecnologia, da APTA. Ali, ele é direto: do ponto de vista técnico e científico, o tijolo não tem qualquer efeito.
Doutor em agronomia e pesquisador da unidade regional da agência na Alta Mogiana, o autor lembra que a fruta-do-conde pertence à família das anonáceas. Essas plantas são bastante suscetíveis a pragas e doenças, e nenhum objeto amarrado no caule muda isso. Quem tem um pé no quintal, na Zona Oeste ou na Baixada, precisa olhar para o fruto, não para o tronco.
O que deixa a fruta-do-conde preta e mumificada no pé?
A causa é o ataque da broca-do-fruto e de fungos, segundo o pesquisador da APTA. Esse escurecimento tem nome técnico: mumificação. O fruto escurece ainda preso ao galho e a colheita se perde.

O tempo também pesa nessa conta. Em anos de muita chuva e temperatura alta, a ocorrência é maior, de acordo com o mesmo texto. É o tipo de clima que o morador do Rio conhece bem no verão, quando calor e temporal andam juntos.
A pinha tem o nome científico Annona squamosa e também é chamada de ata. Na circular O cultivo da pinha, fruta-do-conde ou ata no Brasil, de 2000, a Embrapa Cerrados apontava Alagoas e São Paulo como os maiores produtores da fruta no país.
Quem está começando o pomar caseiro pode caprichar nos cuidados desde o plantio. A matéria a seguir reúne orientações sobre solo, rega e poda da fruta.
Como controlar a broca-do-fruto e os fungos na pinheira?
O controle passa pela limpeza do pomar e pela proteção da planta, conforme a orientação da APTA. O primeiro cuidado é destruir os frutos mumificados, para que eles não fiquem no pomar de um ano para o outro.
O pesquisador resume o manejo em poucas medidas. Elas valem para o produtor e também para quem tem um único pé no quintal.
- Frutos mumificados: retirar e destruir os frutos pretos que ficarem na planta antes da safra seguinte.
- Pulverizações: aplicar inseticidas contra a broca e fungicidas contra os fungos, como indica o texto da APTA.
- Clima: redobrar a atenção nos períodos de chuva e calor, quando os ataques ficam mais frequentes.
Inseticidas e fungicidas exigem cuidado redobrado. A escolha do produto, da dose e do momento da aplicação deve ser feita com um engenheiro agrônomo ou com o serviço de extensão rural do município. Esse profissional indica produtos registrados para a cultura e o equipamento de proteção necessário.

Como a Annona squamosa é sensível a pragas e doenças, a vigilância precisa ser constante. Observar os frutos com frequência ajuda a notar os primeiros sinais de escurecimento e a retirar logo os atacados.
O que fazer com a pinheira do quintal na próxima safra?
O caminho é trocar a simpatia pelo manejo. Fruto preto é sinal de broca-do-fruto ou de fungos, e o tijolo amarrado no tronco não resolve nenhum dos dois. Limpar o pé, eliminar os frutos mumificados e buscar orientação técnica para as pulverizações são as medidas apontadas pela pesquisa.
A boa notícia é que esse cuidado cabe na rotina de qualquer quintal. Então, se a sua pinha anda dando frutos pretos, separe um tempinho no fim de semana para olhar o pé com calma e recolher o que estiver mumificado. Sua fruta-do-conde agradece.
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