Economia
Aos 77 anos, idoso restaurou a cabana de 200 anos da família e hoje vive a 1.800 metros de altitude sem conforto e não quer descer
No inverno do vale Maira, no Piemonte, o termômetro chega a -13 graus, mas ele recusa deixar o lugar onde cresceu e há décadas limpa o bosque e mantém trilhas por conta própria
Franco tem 77 anos e vive a 1.800 metros de altitude nos Alpes italianos, sem a intenção de descer. O idoso habita o vale Maira do Piemonte, nas proximidades de Elva, em uma cabana que pertenceu ao seu tataravô Costanzo e que ficou sem uso durante gerações.
A obra no imóvel foi registrada pelo canal “The Pillow” em parceria com a plataforma “Arcoiris TV”. Sobre a recuperação da estrutura, Franco explicou seu sentimento: “sempre tive medo de não chegar ao fim”.
O italiano nasceu e cresceu na região alpina. A permanência no local não representou uma mudança tardia em direção à natureza, mas sim a continuidade de uma trajetória vinculada àquele território.
A restauração da estrutura centenária
A recuperação da cabana seguiu um método artesanal com matérias-primas obtidas na própria montanha. O propósito foi conservar a arquitetura tradicional e os elementos originais. “As pedras são da antiga cabana”, afirmou Franco ao jornal “El Periódico”.
Com o fim dos reparos, Franco declarou imaginar que seu avô ficaria satisfeito. O imóvel retornou ao uso diário como habitação e preservou a memória de quatro gerações da família.
O cotidiano a 1.800 metros de altitude
O inverno no vale Maira atinge -13 graus, mas Franco descarta abandonar a montanha. Para ele, é essencial aprender a conviver com o clima severo em vez de fugir dele.
“Muitas comodidades me incomodam”, ressaltou ao defender a vida simples no espaço onde passou a infância. Além de cuidar da residência, ele limpa o bosque e realiza a manutenção de trilhas voluntariamente.
Essa atividade voluntária ocorre há décadas e gera despesas custeadas pelo próprio morador. Ele mantém a rotina com o objetivo de facilitar a passagem de futuros caminhantes pelos caminhos alpinos.
Outros casos de vida isolada
A escolha de Franco é acompanhada por outros exemplos históricos. Mauro Morandi permaneceu três décadas na ilha de Budelli, na Sardenha, após o barco sofrer uma pane mecânica.
Morandi assumiu a proteção voluntária do ecossistema costeiro, recolheu lixo nas margens, orientou os visitantes e virou um símbolo internacional da vida selvagem.
Na Espanha, Justo Gallego dedicou 60 anos para construir uma basílica em Mejorada del Campo utilizando sucata e materiais reciclados. Ele trabalhou sozinho até os 96 anos em sua obra, hoje reconhecida mundialmente.
Em altitudes elevadas dos Alpes suíços, austríacos e italianos, outros eremitas idosos recuperam cabanas de pedra do século XIX. Eles vigiam o gado em cenários de frio extremo e conservam as tradições da transumância alpina.