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O que é fibromialgia? Entenda a doença que provoca dores crônicas e afeta a rotina de Carol Castro

Fibromialgia tem cura? Entenda a doença que fez Carol Castro passar por longa investigação médica

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Carol Castro

A fibromialgia é uma condição crônica que provoca dor generalizada e persistente, mas seus efeitos vão muito além do desconforto físico. Ela também pode comprometer o sono, a memória, a concentração, a disposição e a capacidade de realizar atividades cotidianas. O diagnóstico relatado por Carol Castro ajuda a chamar atenção para uma doença que ainda é cercada por dúvidas e preconceitos, especialmente porque nem sempre pode ser identificada em exames convencionais.

O que é fibromialgia?

A fibromialgia é uma síndrome reumatológica crônica caracterizada principalmente por dor musculoesquelética generalizada, que pode persistir por mais de três meses. Diferentemente de doenças que provocam inflamações ou lesões visíveis nos tecidos, ela está associada a alterações na maneira como o sistema nervoso central processa os sinais de dor. Na prática, isso significa que o organismo passa a perceber determinados estímulos com intensidade maior, fazendo com que situações que normalmente causariam pouco ou nenhum desconforto sejam sentidas como dolorosas.

A causa exata ainda não é totalmente conhecida. Estudos e entidades médicas apontam que fatores genéticos, alterações na regulação da dor e acontecimentos como traumas físicos ou doenças podem estar relacionados ao desenvolvimento da síndrome. Isso não significa, porém, que exista uma causa única ou que a condição seja simplesmente consequência de estresse ou de fatores emocionais. A fibromialgia também não é considerada uma doença autoimune, pois não ocorre quando o sistema imunológico ataca os próprios tecidos do corpo.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Reumatologia estima que a condição atinja entre 2,5% e 3% da população, sendo a segunda doença reumatológica mais comum no país, atrás apenas da osteoartrite. Embora seja mais frequentemente diagnosticada em mulheres, homens também podem desenvolver fibromialgia.

Quais são os principais sintomas?

A dor generalizada é a manifestação mais conhecida, mas está longe de ser a única. Os sintomas variam de pessoa para pessoa e podem oscilar de intensidade, com períodos de melhora e de piora. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Dor persistente pelo corpo: pode atingir músculos, costas, pescoço, braços e pernas, com sensação de queimação, pontadas ou dolorimento.
  • Sensibilidade aumentada: toques, pressão e estímulos que normalmente não provocariam dor podem causar desconforto intenso.
  • Fadiga: cansaço frequente, sensação de falta de energia e dificuldade para manter a rotina, mesmo depois de períodos de descanso.
  • Sono não reparador: a pessoa pode dormir por várias horas e ainda acordar com a sensação de que não descansou.
  • Alterações cognitivas: dificuldade de concentração, lapsos de memória e sensação de raciocínio lento, frequentemente chamada de névoa mental.
  • Dores de cabeça e sintomas digestivos: algumas pessoas também apresentam cefaleia e alterações intestinais, como as associadas à síndrome do intestino irritável.
  • Ansiedade e depressão: podem aparecer associadas à condição, embora não sejam obrigatórias nem expliquem, por si só, a origem da dor.

Essas manifestações podem comprometer o trabalho, as relações pessoais, o sono e atividades simples do cotidiano.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe um exame de sangue, radiografia ou ressonância magnética capaz de confirmar isoladamente a fibromialgia. O diagnóstico é essencialmente clínico, ou seja, depende da avaliação médica, do histórico do paciente, da duração e da distribuição das dores, dos demais sintomas e do exame físico.

O profissional também pode solicitar exames laboratoriais e de imagem para investigar outras doenças que apresentam manifestações semelhantes, como alterações da tireoide, artrite reumatoide e lúpus. Por isso, resultados normais não significam que a dor não exista ou que a pessoa não tenha fibromialgia.

A avaliação costuma ser feita por um reumatologista, especialista em doenças que afetam articulações, músculos e estruturas relacionadas. Durante a consulta, o médico procura compreender há quanto tempo os sintomas estão presentes, quais regiões do corpo são afetadas e de que maneira a condição interfere na rotina.

No relato de Carol Castro, a investigação envolveu exames prévios, perguntas sobre histórico familiar, hábitos e rotina, além de uma avaliação física. A atriz contou à revista Quem que passou por uma longa sequência de exames antes de receber o diagnóstico. A experiência ilustra uma das dificuldades enfrentadas por pessoas com fibromialgia: a ausência de um marcador específico que permita identificar a síndrome por meio de um teste convencional.

Existe tratamento? Fibromialgia tem cura?

A fibromialgia ainda não tem cura conhecida, mas pode ser controlada. O tratamento busca reduzir a intensidade das dores, melhorar o sono, diminuir a fadiga e recuperar a capacidade de realizar atividades cotidianas. A resposta varia de acordo com cada paciente, por isso não existe uma fórmula única.

As diretrizes atualizadas da Sociedade Brasileira de Reumatologia, publicadas em maio de 2026, destacam que o acompanhamento deve combinar diferentes estratégias. Entre as principais recomendações estão:

  • Exercícios físicos: atividades aeróbicas e treinamento de força, adaptados à capacidade de cada pessoa, podem ajudar a reduzir a dor e melhorar a funcionalidade. A progressão deve ser gradual, respeitando os limites individuais.
  • Acompanhamento psicológico: terapias como a cognitivo-comportamental e a terapia de aceitação e compromisso podem ajudar a lidar com a dor crônica, melhorar o sono e enfrentar os impactos emocionais da condição.
  • Educação sobre a doença: compreender os sintomas e identificar fatores que agravam o desconforto contribui para o autocuidado e a adesão ao tratamento.
  • Medicamentos: podem ser prescritos para aliviar a dor, melhorar o sono e controlar outros sintomas. Entre os medicamentos com evidências de benefício estão amitriptilina, duloxetina e pregabalina, mas a escolha depende da avaliação médica.
  • Acompanhamento multidisciplinar: a participação de reumatologistas, fisioterapeutas, psicólogos, educadores físicos e outros profissionais pode contribuir para uma abordagem mais completa.

A entidade também alerta que nenhum medicamento isolado costuma controlar todos os sintomas. O uso de opioides, anti-inflamatórios e benzodiazepínicos, por exemplo, não é recomendado de forma rotineira para tratar a fibromialgia, devido à falta de eficácia comprovada ou aos riscos associados.

Fibromialgia pode ser considerada deficiência no Brasil?

Uma mudança importante na legislação brasileira passou a valer em janeiro de 2026. A Lei nº 15.176/2025, publicada em julho de 2025, instituiu diretrizes para a proteção dos direitos de pessoas com fibromialgia, síndrome da fadiga crônica, síndrome complexa de dor regional e outras condições correlatas.

A legislação prevê a possibilidade de reconhecimento da pessoa com fibromialgia como pessoa com deficiência (PcD), desde que uma avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar identifique impedimentos de longo prazo que, em interação com barreiras, comprometam sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

Isso significa que o diagnóstico de fibromialgia, por si só, não garante automaticamente o enquadramento como PcD. É necessário analisar individualmente as limitações e os impactos da condição na vida da pessoa. Uma orientação técnica do Ministério do Trabalho e Emprego, publicada em 2026, reforçou esse entendimento no contexto da reserva de vagas de emprego para pessoas com deficiência.

O diagnóstico de Carol Castro e a importância de falar sobre a doença

A descoberta da fibromialgia aconteceu depois de um período de intensas demandas pessoais e profissionais para Carol Castro. A atriz contou à revista Quem que enfrentou a morte do pai, Luca de Castro, em dezembro de 2023, além de uma lesão grave no joelho que exigiu cirurgia e reabilitação. Nesse período, também manteve compromissos profissionais e assumiu responsabilidades familiares.

Durante as gravações de Garota do Momento, em que interpretou Clarice, a artista passou a perceber dores de cabeça, desconfortos nos joelhos e outros sintomas. Inicialmente, atribuía as manifestações à rotina intensa de trabalho, ao uso de salto alto e às dificuldades pessoais que enfrentava.

A investigação médica também passou por consultas com outros especialistas, incluindo um angiologista, antes de chegar ao reumatologista. Após receber o diagnóstico, Carol relatou que sentiu alívio por finalmente compreender o que estava acontecendo.

“Foi um certo alívio porque me deu um nome. Eu não tô doida”, afirmou à Quem.

A atriz também falou sobre o receio de que a condição pudesse prejudicar sua carreira, mas disse que pretende usar sua visibilidade para ampliar o conhecimento sobre a síndrome. Para ela, receber o diagnóstico ajudou a reconhecer os próprios limites e compreender que existe tratamento, mesmo sem uma cura definitiva.

O relato chama atenção para uma característica importante da fibromialgia: a dor é real, mesmo quando não aparece em exames convencionais. Por isso, informação, acolhimento e acompanhamento médico são fundamentais para evitar que pacientes tenham seus sintomas desconsiderados ou confundidos com exagero.

O texto O que é fibromialgia? Entenda a doença que provoca dores crônicas e afeta a rotina de Carol Castro foi publicado primeiro no Observatório dos Famosos.