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Aos 90 anos, ela recusou o tratamento contra o câncer e decidiu viajar de trailer pelos Estados Unidos com o filho e a nora, numa jornada de mais de um ano que virou livro
Diagnosticada com câncer no útero em 2015, a americana trocou cirurgia e quimioterapia por uma viagem de motorhome que conquistou centenas de milhares de seguidores
Em 2015, aos 90 anos, a americana Norma Bauerschmidt recebeu o diagnóstico de um câncer no útero. A decisão que ela tomou depois emocionou gente no mundo inteiro. Em vez de cirurgia, radioterapia e quimioterapia, ela preferiu pegar a estrada com o filho Tim, a nora Ramie e o poodle Ringo. A viagem durou mais de um ano, ficou conhecida nas redes como Driving Miss Norma e virou livro em 2017.
Por que Norma Bauerschmidt recusou o tratamento contra o câncer?
Norma recusou o tratamento porque não queria passar o fim da vida dentro de um hospital. A escolha veio num momento de luto. Leo, o marido com quem ela foi casada por 67 anos, morreu dois dias antes da consulta em que ela receberia o diagnóstico, segundo o relato da família no site oficial de Driving Miss Norma.
Os exames tinham mostrado uma massa grande no útero, provavelmente maligna, e a cirurgia não tinha sucesso garantido. A resposta dela ficou famosa: “Tenho 90 anos, vou pegar a estrada”. O médico apoiou a escolha e disse que faria exatamente a mesma coisa naquela situação.
Foi uma decisão pessoal, tomada por uma paciente lúcida e acompanhada por médicos. Cada caso de câncer é diferente. Qualquer escolha sobre tratamento precisa ser conversada com a equipe de saúde e com a família.
Como foi a viagem de trailer de Norma pelos Estados Unidos?
A viagem começou em agosto de 2015 e durou mais de um ano, a bordo do motorhome em que Tim e Ramie já moravam. O trailer de cerca de 10 metros virou a casa de Norma, que trocou a sala de espera dos hospitais pelas paisagens das estradas americanas.

Para manter os amigos informados, Ramie criou uma página no Facebook com fotos e relatos da aventura. A página Driving Miss Norma ganhou centenas de milhares de seguidores e transformou a viajante de cabelos brancos num fenômeno das redes.
Norma morreu em setembro de 2016, aos 91 anos. Depois disso, a família reuniu amigos em Friday Harbor, no estado de Washington, para uma celebração da vida dela.
Histórias de quem decide viver com intensidade depois dos 90 anos têm conquistado leitores no mundo todo. No Brasil, um escritor centenário também chamou atenção com a própria trajetória.
Aos 104 anos, ele lançou o vigésimo segundo livro da vida no dia do próprio aniversário…➔
O que são cuidados paliativos e quem pode recebê-los no Brasil?
Cuidados paliativos são a atenção de saúde ativa e integral oferecida a pessoas com doença grave e progressiva, que ameaça a continuidade da vida. A definição é do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que tem sede no Rio.
O objetivo é melhorar a qualidade de vida do paciente e da família, aliviando a dor e outros sintomas físicos, emocionais, sociais e espirituais. Esse cuidado não significa desistir. Ele pode começar junto com o tratamento que busca a cura e ganha mais espaço conforme a doença avança.

No Rio, o INCA oferece esse atendimento no Hospital do Câncer IV, com ambulatório, atendimento em casa para quem tem dificuldade de locomoção e internação para controlar sintomas. A equipe reúne médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas e outros profissionais. Quem tem um familiar com câncer pode perguntar à equipe que acompanha o caso sobre essa possibilidade.
O que a história de Driving Miss Norma ensina às famílias?
A principal lição é que falar sobre o fim da vida abre espaço para escolhas mais próximas do que a pessoa deseja. O livro Driving Miss Norma, escrito por Tim Bauerschmidt e Ramie Liddle e lançado em 2017 pela editora HarperOne, mostra uma família que ouviu Norma Bauerschmidt e reorganizou a rotina em torno da vontade dela.
Isso não quer dizer que recusar tratamento seja o caminho certo para todo mundo. A decisão depende do diagnóstico, das condições de saúde e do que o paciente valoriza, sempre com orientação médica e, quando fizer sentido, com apoio de cuidados paliativos. Se você tem alguém querido enfrentando uma doença grave, que tal puxar essa conversa com carinho e perguntar o que realmente importa para ele?
Quem cuida de um idoso também precisa conhecer os direitos garantidos por lei. A matéria abaixo explica um documento que pode facilitar a vida de quem tem mais de 60 anos.