C. S. Lewis, escritor britânico, sobre crescer: "Quando me tornei homem, deixei de lado as coisas de criança, incluindo o medo de parecer infantil e o desejo de ser muito adulto." Uma reflexão sobre a liberdade que vem com a maturidade - Super Rádio Tupi
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C. S. Lewis, escritor britânico, sobre crescer: “Quando me tornei homem, deixei de lado as coisas de criança, incluindo o medo de parecer infantil e o desejo de ser muito adulto.” Uma reflexão sobre a liberdade que vem com a maturidade

Em ensaio sobre literatura infantil, o criador de Nárnia defende que crescer é somar gostos, sem abandonar os contos de fadas nem viver preocupado em parecer adulto

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Para C. S. Lewis, amadurecer inclui perder o medo de parecer infantil
Para C. S. Lewis, amadurecer inclui perder o medo de parecer infantil - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O escritor britânico C. S. Lewis, criador de Nárnia, tinha resposta afiada para quem via vergonha em adulto ler conto de fadas. Num ensaio sobre literatura infantil, ele escreveu que deixou de lado as coisas de criança quando se tornou homem. Na lista do que abandonou, estavam o medo de parecer infantil e o desejo de ser muito adulto. A frase segue atual porque fala de uma maturidade que dispensa pose e abre espaço para a liberdade.

Em que texto C. S. Lewis falou sobre deixar a infância?

A frase está no ensaio “On Three Ways of Writing for Children”, algo como “Sobre três maneiras de escrever para crianças”. O texto faz parte da coletânea Of Other Worlds: Essays and Stories, lançada em 1966, três anos depois da morte do autor.

No trecho, Lewis rebate críticos que usavam a palavra adulto como elogio. Ele conta que, aos dez anos, lia contos de fadas escondido e teria vergonha se fosse descoberto. Aos cinquenta, lia sem esconder de ninguém. A frase do título vem logo em seguida e faz eco a um versículo da carta do apóstolo Paulo aos Coríntios.

Quem escreveu isso conhecia bem os livros sérios e os de fantasia. Segundo o Magdalen College, da Universidade de Oxford, Lewis ensinou inglês ali de 1925 a 1954 e escreveu na instituição os livros de Nárnia. Depois, virou professor de literatura medieval e renascentista em Cambridge. Ele morreu em 22 de novembro de 1963.

Lewis contou que escondia os contos de fadas aos dez anos e os lia sem vergonha aos cinquenta
Lewis contou que escondia os contos de fadas aos dez anos e os lia sem vergonha aos cinquenta – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O que o escritor quis dizer com medo de parecer infantil?

Para o escritor britânico, a vergonha de parecer criança é, ela mesma, um traço da infância. No ensaio, ele cita três sinais típicos dessa fase: se preocupar em ser crescido, admirar o adulto só por ser adulto e corar diante da suspeita de infantilidade.

Lewis não condena esse sentimento nos mais novos. Segundo ele, com moderação, é um sintoma saudável na infância e na adolescência, porque quem é jovem deve querer crescer. O problema é levar essa preocupação para a meia-idade ou mesmo para o início da vida adulta, o que ele chamou de desenvolvimento interrompido.

A conversa sobre as fases da vida rende boas reflexões de outros grandes autores. Uma delas, do francês Victor Hugo, olha com carinho para os 40 e os 50 anos.

Por que a maturidade traz liberdade na visão de Lewis?

Porque, para Lewis, crescer é somar experiências, não abrir mão de tudo o que se gostava antes. Livre da necessidade de provar que é adulto, a pessoa pode escolher o que lê e o que aprecia sem pedir licença à opinião alheia.

Gostar de vinho sem abandonar o refresco de limão exemplifica o crescimento para Lewis
Gostar de vinho sem abandonar o refresco de limão exemplifica o crescimento para Lewis – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O autor dá um exemplo bem cotidiano. Ele passou a gostar de vinho, coisa que não apreciaria quando menino, mas continuou gostando de refresco de limão. Para ele, isso é crescimento, porque onde havia um prazer agora há dois. Se precisasse largar o refresco para provar o vinho, teria apenas mudado.

A mesma lógica vale para os livros. Lewis lia Tolstói, Jane Austen e Trollope ao lado dos contos de fadas, e dizia aproveitar estes ainda mais do que na infância. Na comparação dele, uma árvore cresce porque ganha anéis, enquanto um trem não cresce só por deixar uma estação para trás.

Como levar a lição de C. S. Lewis para o dia a dia?

Na prática, a lição de C. S. Lewis cabe na rotina de qualquer pessoa: maturidade não exige abandonar o que dá alegria. Rever o desenho favorito, jogar bola com os amigos no fim de semana ou reler um gibi antigo não diminui ninguém.

O próprio autor reconhece que crescer traz algumas perdas pelo caminho, mas avisa que elas não são a essência do crescimento. Vale olhar para os próprios gostos com menos cobrança e mais curiosidade, com a liberdade de quem não precisa provar nada. Que tal separar um tempo nesta semana para reencontrar aquela história que marcou a sua infância?

Se você curte frases que fazem pensar, tem mais uma reflexão esperando no site. Desta vez, é o americano Henry James quem fala sobre gentileza.