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Presidente do Paraguai enfrenta impeachment após crise bancária

Congresso do Paraguai inicia processo de impeachment contra Santiago Peña após quebra de banco digital que reunia cerca de R$ 4,7 bilhões

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Santiago Peña enfrenta impeachment no Paraguai após colapso de banco digital
Santiago Peña enfrenta impeachment no Paraguai após colapso de banco digital. Foto: José Cruz/ Agência Brasil

O Congresso do Paraguai começou a analisar nesta quinta-feira (5) o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. O processo ganhou força depois que parlamentares do próprio governo deixaram de apoiar o presidente e se uniram à oposição em meio a uma crise financeira no país.

Na Câmara dos Deputados, todos os partidos anunciaram apoio à abertura do processo, que precisa do voto de dois terços dos parlamentares presentes para avançar. Peña perdeu o apoio de nomes importantes do Partido Colorado, como o ex-presidente Horacio Cartes e o presidente do Legislativo, Basilio Núñez, que romperam com o governo e pediram sua renúncia.

Por que o presidente virou alvo de impeachment?

A crise começou após o banco central determinar o fechamento do Ueno, banco digital que teve seus serviços suspensos e bloqueou o dinheiro de milhares de clientes. A oposição acusa a autoridade monetária de esconder irregularidades e afirma que Peña teria alterado regras, desviado recursos da Previdência e agido em conflito de interesses.

O pedido foi apresentado por 35 deputados da oposição. Durante a sessão, a deputada Rocío Vallejo afirmou que o fechamento do banco afetou milhões de paraguaios e acusou Peña de ser o responsável pela crise. “Você é a origem desse monstro que criou”, declarou, dirigindo-se ao presidente.

Qual é o impacto do fechamento do banco?

Crise em banco com cerca de R$ 4,7 bilhões leva a impeachment de Peña. Créditos: depositphotos.com / flogeljiri

O Ueno, controlado pelo Grupo Vázquez, fechou após o banco central identificar que a instituição não tinha dinheiro suficiente para pagar suas dívidas. O problema foi relacionado a empréstimos concedidos a empresas ligadas ao próprio grupo. Santiago Peña foi sócio do conglomerado responsável pelo banco até março do ano passado.

O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava US$ 850 milhões, aproximadamente R$ 4,7 bilhões, em recursos públicos, incluindo repasses do Instituto de Previdência Social. O fechamento provocou filas nas agências e problemas nos sistemas de outros bancos. Apesar disso, a Associação de Bancos do Paraguai afirmou que o setor continuava funcionando normalmente.

O que acontece com os investigados e como o governo reagiu?

Após a emissão de mandados de prisão pelo Ministério Público, diretores do Ueno se entregaram à polícia. A Justiça também determinou o bloqueio dos bens dos investigados, e a Procuradoria denunciou 27 pessoas envolvidas nas operações do banco.

Antes de perder o apoio de aliados no Congresso, Peña afirmou nas redes sociais que os responsáveis seriam punidos e aprovou uma medida para acelerar a devolução do dinheiro aos clientes prejudicados.

“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, declarou o presidente. Desde que perdeu o apoio de aliados, porém, Peña não voltou a se pronunciar sobre a crise.