Receitas
Chefs de cozinha ensinam: para o pão de queijo congelado crescer e dourar por igual na air fryer, não encha o cesto, mas deixe espaço entre as bolinhas para o ar quente circular
Com o cesto lotado, o ar quente não circula em volta de cada bolinha, e o quitute cresce menos, fica pálido nas laterais e pode sair cru no meio
O pão de queijo congelado tem lugar garantido no café da manhã de muita casa do Rio, e a air fryer virou o atalho preferido para levar o quitute à mesa. O resultado, porém, depende de um detalhe simples: as bolinhas precisam de espaço no cesto para o ar quente circular. É isso que faz a massa crescer e dourar por igual.
Por que o espaço entre as bolinhas muda tudo na air fryer?
Porque a air fryer assa com ar em movimento, e esse ar só trabalha onde consegue passar. Segundo a Extensão da Universidade de Nebraska-Lincoln, o aparelho cozinha fazendo circular ar muito quente em volta do alimento, num processo chamado convecção, movido por um ventilador.
A mesma publicação alerta que encher demais o cesto faz a comida cozinhar de forma desigual e atrapalha o dourado. Com as bolinhas encostadas, as laterais ficam pálidas e úmidas, enquanto o topo, mais exposto, ganha cor antes de o miolo chegar ao ponto.
Todo chef de cozinha conhece essa lógica do forno profissional: assadeira lotada assa mal. Na fritadeira elétrica, que é bem menor, o efeito aparece ainda mais rápido.
Como a convecção age sobre o pão de queijo congelado?
A convecção leva calor a toda a superfície da bolinha ao mesmo tempo, e é isso que permite à massa crescer de forma uniforme. No pão de queijo, esse crescimento vem do polvilho, o amido da mandioca, que se expande com o calor.

Um trabalho apresentado na Jornada Científica da Embrapa Mandioca e Fruticultura lembra que o quitute é vendido principalmente na forma congelada. O estudo destaca ainda que o polvilho azedo costuma ser preferido pelo maior poder de expansão da massa depois de assada.
Saindo direto do congelamento, a bolinha precisa primeiro aquecer por dentro e só então crescer. Se o ar quente não alcança todos os lados, uma parte da massa se expande e a outra fica pesada, com o centro ainda cru.
A história do quitute mineiro também ajuda a entender por que o polvilho é tão importante na receita. A origem do pão de queijo é o tema desta matéria da Tupi.
Como arrumar o pão de queijo congelado no cesto?
O jeito certo é colocar as bolinhas em uma única camada, sem encostar umas nas outras e sem empilhar. Como elas crescem durante o preparo, o espaço deixado no começo precisa levar em conta o tamanho final de cada pão.

Alguns cuidados simples ajudam o ar quente a fazer o trabalho dele. Os pontos abaixo seguem o funcionamento descrito pela universidade e valem para quem tira o pacote do congelamento direto para o cesto.
- Uma camada só: bolinhas sobrepostas bloqueiam a passagem do ar e criam áreas sem cor.
- Distância entre elas: deixe folga para a massa crescer sem colar na vizinha.
- Tempo e temperatura: siga o que indicam a embalagem do produto e o manual do aparelho, já que cada modelo aquece de um jeito.
- Olho no meio do preparo: confira a cor e, se preciso, mude as bolinhas de posição.
A sobra de espaço no cesto não é desperdício. É ela que garante casquinha dourada por fora e miolo macio e elástico por dentro, do jeito que o carioca gosta no café da tarde.
Vale assar o pão de queijo em mais de uma leva?
Vale, e quase sempre compensa. Duas levas rápidas com o cesto arejado entregam um resultado melhor do que uma leva lotada, que demora mais e ainda sai irregular, como mostra a orientação da universidade americana sobre o cozimento desigual.
É o mesmo raciocínio que um chef de cozinha usa ao dividir a produção em fornadas: enquanto a primeira esfria um pouco, a segunda já está assando. Da próxima vez que abrir o pacote de pão de queijo, faça o teste com as bolinhas espaçadas e conte para a gente da Tupi a diferença no seu café.
E já que o assunto é a rotina dentro de casa, tem uma mania de calor que anda chamando atenção em muitas cozinhas por aí.