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Em 1891, um engenheiro usou espingardas para disparar sementes em montanhas devastadas e, 135 anos depois, a região abriga um parque de 17.804 hectares

Uma técnica com espingardas ajuda a contar como montanhas sem árvores ganham nova paisagem na Espanha

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Em 1891, um engenheiro usou espingardas para disparar sementes em montanhas devastadas e, 135 anos depois, a região abriga um parque de 17.804 hectares
Equipes de reflorestamento chegaram a usar espingardas para lançar sementes em encostas de difícil acesso (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Nas encostas mais difíceis de alcançar de Sierra Espuña, no sudeste da Espanha, equipes de reflorestamento recorreram a espingardas para lançar sementes de pinheiro. O engenheiro florestal Ricardo Codorníu participou do projeto, iniciado em 1891, para recuperar a vegetação e conter a erosão. Em 2026, 135 anos após o começo das obras, a serra abriga um parque regional de 17.804 hectares.

Por que Sierra Espuña precisava recuperar a vegetação?

No fim do século XIX, a exploração de madeira e o uso intensivo das terras haviam reduzido a cobertura vegetal da serra, na região de Múrcia. Em 1889, Codorníu percorreu a área do Morrón de Espuña para avaliar as encostas. No caminho de descida, registrou a ausência de pinheiros e azinheiras no trecho que examinou.

Com o solo exposto, as chuvas fortes podiam abrir sulcos nas encostas e carregar terra para os cursos d’água. A enchente de Santa Teresa, em 1879, havia mostrado a dimensão dos danos que as cheias podiam causar na região. Em 1888, foi criada a Comissão de Repovoamento da Bacia do Segura, encarregada de recuperar a vegetação em áreas onde a erosão agravava o problema.

Para que serviam os disparos de sementes?

As equipes usavam os disparos para tentar espalhar sementes de pinheiro em barrancos e trechos íngremes, onde os trabalhadores tinham dificuldade para chegar a pé ou com animais de carga. Era um recurso pontual dentro de uma obra que combinava formas diferentes de semear e plantar:

  • Nos pontos de difícil acesso, os disparos levavam sementes a trechos que os trabalhadores não conseguiam alcançar.
  • Nos terrenos acessíveis, os operários plantavam mudas produzidas em viveiros.
  • Nas rotas de trabalho abertas na serra, mulas ajudavam a transportar as mudas até os locais de plantio.
Em 1891, um engenheiro usou espingardas para disparar sementes em montanhas devastadas e, 135 anos depois, a região abriga um parque de 17.804 hectares
Equipes de reflorestamento chegaram a usar espingardas para lançar sementes em encostas de difícil acesso (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Quem conduziu o reflorestamento das montanhas?

Ricardo Codorníu integrou a comissão ao lado de José Musso e Juan Ángel de Madariaga. Musso dirigiu a etapa inicial, e Codorníu assumiu a direção em dezembro de 1895, com a colaboração de Madariaga. A comissão dividiu a serra em setores e preparou projetos específicos para as áreas que seriam recuperadas.

O levantamento histórico atribui à comissão o plantio de mais de 4,3 milhões de árvores em mais de 3.256 hectares. As obras prosseguiram no século XX sob outra estrutura administrativa e, a partir de 1903, com a direção do engenheiro Ramón Melgares. A área reflorestada chegou a 4.894 hectares até 1924.

Por que foi preciso preparar o solo antes de plantar?

Uma muda recém-plantada ainda tem raízes pequenas. Se a enxurrada levar a terra ao redor, a planta perde o apoio antes de se estabelecer. Por isso, a recuperação iniciada em 1891 incluiu obras para conter a erosão e instalações para produzir e transportar as mudas:

Estruturas usadas na recuperação da serra

Recursos para controlar a erosão, produzir mudas e dar acesso às frentes de plantio

  • 1Diques para reduzir a força da água nas encostas e reter sedimentos;
  • 2Pequenos terraços para manter o solo no lugar e favorecer a infiltração;
  • 3Sete viveiros para produzir mudas destinadas a diferentes trechos da serra;
  • 4Caminhos e trilhas para levar trabalhadores e materiais às frentes de plantio.

As encostas reflorestadas passaram a integrar uma área protegida

A serra recebeu a classificação de Sítio Natural de Interesse Nacional em 1931 e se tornou parque regional em 1992. Os 17.804 hectares correspondem aos limites da área protegida. Eles abrangem um território maior que o das encostas plantadas pelas primeiras equipes.

O pinheiro-de-alepo, conhecido na Espanha como pino carrasco, predomina na paisagem florestal do parque. A área também reúne bosques de azinheiras em encostas sombreadas, vegetação de barrancos e comunidades de plantas adaptadas a diferentes tipos de rocha. O nome de Ricardo Codorníu permanece no centro de visitantes da serra onde ele trabalhou.