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Morador faz o telhado da edícula com pouca inclinação para economizar madeira e descobre que cada tipo de telha exige um caimento mínimo para não ter goteira na primeira chuva forte
Telha cerâmica de encaixe pede cerca de 30% de caimento, ou 30 centímetros de altura por metro, e baixar a estrutura para poupar madeira abre caminho para infiltração
Baixar o telhado da edícula para gastar menos madeira parece uma boa conta na hora da obra, mas pode sair caro no primeiro temporal. Cada telha tem um caimento mínimo para que a água escorra sem voltar pelas emendas. Quem ignora esse número abre caminho para a goteira justamente nas chuvas fortes de verão no Rio.
Por que cada tipo de telha pede um caimento mínimo diferente?
Cada telha pede um caimento próprio porque o formato e a sobreposição das peças mudam de um modelo para outro. Uma peça não é colada na vizinha: ela se encaixa ou se apoia sobre a de baixo, e quem leva a água para fora é a gravidade.
Quando a cobertura fica deitada demais, a chuva perde velocidade, acumula nas emendas e, com vento, sobe por baixo da peça. Esse refluxo molha a madeira, mancha o forro e vira goteira dentro de casa.
As telhas cerâmicas, com muitas juntas, costumam exigir mais inclinação do telhado. Já algumas telhas onduladas de fibrocimento e metálicas, maiores e com menos emendas, trabalham com caimentos bem menores, conforme espessura e modelo informados pelo fabricante.
Quanto de inclinação a telha cerâmica precisa no telhado?
Para a telha cerâmica de encaixe, a referência fica em torno de 30%. Esse é o mínimo que aparece na Ficha de Avaliação de Desempenho FAD 018, do PBQP-H, programa ligado ao Ministério das Cidades. O documento avaliou uma telha cerâmica do tipo americana e exige ainda recobrimento lateral mínimo de 45 mm e longitudinal de 65 mm.

Na prática, 30% significa que a cobertura sobe 30 centímetros a cada metro na horizontal. Não confunda porcentagem com graus: 30% equivalem a cerca de 16,7 graus, e muita obra erra justamente nessa troca.
Cada modelo tem o seu número, que vem na ficha técnica do produto. Telhas planas e alguns formatos especiais pedem caimentos ainda maiores, então leia a especificação antes de cortar a primeira peça de madeira.
A montagem também pesa: encaixe malfeito e cumeeira mal vedada deixam a água entrar mesmo com o caimento certo. O assunto é tema de outra matéria do site.
O erro na colocação do telhado que pode favorecer goteiras e danos no forro➔
Como calcular a altura certa do telhado da edícula?
Para achar a altura, multiplique a distância horizontal que a água percorre pela inclinação indicada para a telha. Numa edícula de uma água só, com 3 metros de vão, a 30% o ponto mais alto fica 90 centímetros acima do mais baixo.

A conta serve para qualquer tamanho de cobertura e ajuda a planejar a compra da madeira. A tabela abaixo traz exemplos calculados com os 30% da ficha do PBQP-H para a telha cerâmica de encaixe.
| Vão horizontal | Altura mínima |
|---|---|
| 2 metros | 60 centímetros |
| 3 metros | 90 centímetros |
| 4 metros | 1,20 metro |
| 5 metros | 1,50 metro |
A economia de madeira com um telhado baixo é menor do que parece. A 30%, a área da cobertura fica só cerca de 4% maior que a área coberta no chão. É pouca diferença diante do custo de trocar forro e madeiramento depois.
O que fazer quando a edícula já sofre com goteira?
O primeiro passo é medir a inclinação do telhado e comparar com a ficha técnica da telha usada. Se o caimento estiver abaixo do mínimo, trocar peça quebrada ou passar massa nas emendas não resolve a causa do problema.
As saídas costumam ser refazer a estrutura com mais altura ou trocar por uma telha que aceite o caimento existente. Essa decisão pede a avaliação de um profissional habilitado, e ninguém deve subir em cobertura molhada. Se a sua obra ainda está no começo, faça a conta com calma e confira a ficha da telha antes de comprar a madeira: acertar no papel sai bem mais barato do que consertar depois do temporal.
A água da chuva não é a única que dá dor de cabeça em casa. Para a umidade que sobe pelas paredes, existe uma técnica que dispensa o quebra-quebra.