Pai e filho empilham pedras durante uma trilha para fazer pequenas torres e descobrem que a brincadeira pode prejudicar animais, plantas e até colocar outros visitantes em risco - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Pai e filho empilham pedras durante uma trilha para fazer pequenas torres e descobrem que a brincadeira pode prejudicar animais, plantas e até colocar outros visitantes em risco

Empilhar pedras na trilha pode parecer inofensivo, mas existe um motivo para deixar tudo no lugar

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Pai e filho empilham pedras durante uma trilha para fazer pequenas torres e descobrem que a brincadeira pode prejudicar animais, plantas e até colocar outros visitantes em risco
Empilhar pedras pode retirar pequenos animais dos abrigos naturais que usam no solo (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Numa trilha em família, equilibrar algumas pedras pode parecer uma brincadeira de pai e filho durante a pausa para descansar. Mas uma pedra retirada do chão pode deixar um inseto sem abrigo, e a torre montada perto de uma bifurcação pode ser confundida com uma indicação de caminho. No Parque Nacional do Itatiaia, pilhas desse tipo já precisaram ser desmontadas para que os visitantes distinguissem a rota oficial dos desvios.

O que muda para os animais quando uma pedra sai do lugar?

A parte de baixo de uma pedra pode abrigar insetos, aranhas e pequenos répteis. A rocha faz sombra, protege do vento e ajuda a conservar a umidade do solo. Quando alguém a retira para montar uma torre, muda as condições daquele abrigo natural e pode deixar os animais expostos ao sol e a predadores.

Em um riacho, as pedras submersas também oferecem abrigo a pequenos organismos aquáticos. Algumas larvas de insetos vivem entre as rochas ou se prendem à sua superfície. Tirar uma pedra da água para usá-la na margem desloca esse abrigo e, dependendo de onde ela estava, pode mudar a forma como a corrente passa por aquele ponto.

Pai e filho empilham pedras durante uma trilha para fazer pequenas torres e descobrem que a brincadeira pode prejudicar animais, plantas e até colocar outros visitantes em risco
Empilhar pedras pode retirar pequenos animais dos abrigos naturais que usam no solo (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Como a busca por pedras afeta a vegetação e o solo?

Em trechos de montanha, musgos e plantas pequenas crescem junto às rochas. Para procurar pedras de tamanhos diferentes, é comum dar alguns passos para fora da trilha. Quando outras pessoas fazem o mesmo, a vegetação pode ser pisoteada e o solo exposto fica mais sujeito à erosão pela chuva. O efeito aparece em pontos diferentes do percurso.

  • Nas bordas da trilha, o pisoteio pode esmagar brotos e alargar a faixa de terra exposta.
  • Nas encostas, a retirada de pedras que cobrem o solo facilita o arraste de terra pela água da chuva.
  • Nas margens dos riachos, a movimentação de pedras pode perturbar os abrigos entre a água e a vegetação.

Por que uma torre pode levar um visitante para o caminho errado?

Algumas rotas de montanha usam totens de pedra para indicar por onde seguir, especialmente em terrenos rochosos onde a trilha é difícil de enxergar. Uma pilha feita por visitantes pode parecer parte dessa sinalização. Com neblina, quem encontra uma torre perto de uma bifurcação pode tomar um desvio e acabar em um trecho íngreme ou longe do caminho marcado.

Na trilha da Pedra do Sino, no Parque Nacional do Itatiaia, um mutirão reorganizou os totens oficiais e desmontou dezenas de pilhas falsas ou excessivas. Segundo o ICMBio, essas marcações confundiam caminhantes e favoreciam a abertura de caminhos paralelos. Cada desvio repetido por vários grupos ampliava o pisoteio sobre a vegetação dos campos de altitude.

O que fazer ao encontrar uma pilha de pedras na trilha?

A mesma pilha que parece decorativa pode fazer parte da sinalização mantida pelo parque. Deixe as pedras como estão e confira o trajeto nas placas ou no mapa oficial antes de mudar de direção. Se a marcação estiver ambígua, a equipe da unidade pode verificar se há um totem fora do lugar.

Cuidados para interpretar a sinalização da trilha

Passos para conferir a rota, evitar desvios incorretos e comunicar pontos de sinalização confusa

  • 1Consulte o mapa antes da caminhada e confira quais marcações a trilha usa;
  • 2Se encontrar uma pilha junto a um desvio, confira a rota oficial antes de seguir;
  • 3Informe à equipe do parque o ponto da trilha onde a sinalização gerou dúvida.

Uma pausa na caminhada com as pedras no lugar

Durante o passeio, pai e filho podem aproveitar a pausa para observar os musgos que crescem nas fendas ou acompanhar a água contornando as rochas do riacho. Uma foto tirada da própria trilha registra esses detalhes sem deslocar o abrigo dos animais nem pisar na vegetação da margem.

Deixar as pedras onde estão também ajuda quem vem depois. Em um trecho de montanha com pouca visibilidade, a posição de um totem oficial pode orientar o próximo grupo. Já as rochas que permanecem no chão continuam protegendo o solo e os pequenos animais que vivem sob elas.