Aprenda a fazer a revisão do carro na garagem sem cometer erros caros - Super Rádio Tupi
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Automobilismo

Aprenda a fazer a revisão do carro na garagem sem cometer erros caros

Ferramentas básicas já resolvem muito

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Aprenda a fazer a revisão do carro na garagem sem cometer erros caros
A manutenção preventiva ajuda a evitar problemas mecânicos mais graves - Créditos: depositphotos.com / Adam88xxx

Fazer a própria revisão do carro em casa deixou de ser coisa de mecânico faz tempo. Cada vez mais motoristas têm descoberto que, com algumas ferramentas básicas e atenção aos detalhes, dá para cuidar muito bem do veículo na garagem, economizar dinheiro e ainda entender melhor o que acontece debaixo do capô.

Como fazer uma revisão automotiva completa e eficiente

A ideia de revisão automotiva “faça você mesmo” ganhou força com a quantidade de conteúdos explicativos na internet e com a alta no custo de serviços especializados. Em vez de depender exclusivamente da oficina para cada detalhe, muitos preferem aprender tarefas simples, como checar fluídos, inspecionar freios e cuidar da parte elétrica de forma preventiva.

Esse movimento não substitui o trabalho de uma oficina de confiança, especialmente em serviços complexos como suspensão, câmbio ou diagnóstico eletrônico avançado. A proposta é assumir o controle do básico, entender o estado real do veículo e chegar à oficina mais preparado, sabendo o que precisa ser feito e o que é apenas serviço extra.

Aprenda a fazer a revisão do carro na garagem sem cometer erros caros
Manutenção preventiva melhora a eficiência do motor – Créditos: depositphotos.com / VitalikRadko

Quais ferramentas e itens são realmente essenciais para começar

Para quem quer entrar no universo do “faça você mesmo”, a simplicidade é fundamental. Não é necessário montar uma oficina completa em casa: uma maleta de ferramentas bem montada já resolve a maior parte dos serviços de manutenção leve, como trocar filtro de ar, apertar parafusos, soltar abraçadeiras e remover capas plásticas.

Entre os equipamentos mais úteis, alguns se destacam pela versatilidade e custo-benefício. Eles ajudam tanto em revisões rápidas quanto em intervenções um pouco mais demoradas, sem exigir conhecimento avançado ou equipamentos caros, desde que se respeitem sempre os limites de segurança do veículo.

  • Maleta de soquetes e chaves: conjuntos com catraca, soquetes de 8 a 19 mm e encaixes para velas atendem quase todo o carro.
  • Chaves Torx: cada vez mais usadas em caixas de filtro de ar, acabamentos e componentes do motor.
  • Alicate bico de papagaio ou de pressão: ideal para lidar com abraçadeiras elásticas e pontos mais difíceis.
  • Parafusadeira elétrica: não é obrigatória, mas agiliza bastante desmontagens repetitivas.
  • Jogo de espátulas plásticas: próprio para remover acabamentos sem marcar plásticos e canaletas.
  • Limpa contato elétrico: indicado para sensores, conectores e partes elétricas, sem agredir componentes.

Como organizar a revisão passo a passo começando pelo motor

Na revisão automotiva caseira, muitos profissionais recomendam seguir sempre a mesma ordem para não esquecer nenhum item. Uma sequência comum começa pelo motor, passa pela admissão de ar e sensores, segue pelos fluídos, parte elétrica e só depois desce para rodas, freios e suspensão.

Um dos primeiros pontos costuma ser o sistema de admissão, que inclui o filtro de ar e os sensores que trabalham junto com ele, como o sensor MAP e medidores de fluxo de ar. Um filtro muito sujo pode aumentar o consumo, derrubar o desempenho e até antecipar desgaste interno do motor.

  • Filtro de ar: deve ser removido, inspecionado contra a luz e trocado se estiver muito escurecido ou saturado.
  • Limpeza leve: em alguns casos, uma batida suave para remover excesso de poeira é aceitável, sem usar ar comprimido diretamente no elemento filtrante.
  • Caixa do filtro: a parte interna deve ser verificada para identificar presença de óleo, folhas, insetos ou poeira acumulada demais.
  • Sensores de admissão: podem acumular resíduos de óleo dos gases do motor e perder precisão de leitura.

Na limpeza dos sensores, é importante escolher corretamente os produtos utilizados. Descarbonizantes, WD40 ou desengripantes não são indicados; o mais seguro é usar apenas limpa contato específico para eletrônica, que evapora rápido e não agride os componentes sensíveis.

Como cuidar corretamente dos fluídos do veículo

Os fluídos são o coração da revisão “faça você mesmo” e revelam muito sobre o estado geral do carro. Fluído de freio contaminado, aditivo de radiador vencido ou óleo em nível errado podem causar problemas sérios, mesmo sem nenhum ruído aparente, exigindo atenção regular ao calendário de trocas.

No caso do fluído de freio, por exemplo, ele é higroscópico, ou seja, absorve água do ambiente ao longo do tempo. Essa água reduz o ponto de ebulição, facilita a formação de bolhas e deixa o pedal com aquele famoso “sentido borrachudo”, principalmente em descidas longas e uso mais severo dos freios.

  • Fluído de freio: costuma ser trocado a cada 2 anos; ficar escuro ou opaco é sinal de contaminação, e canetinhas específicas medem o nível de água misturada.
  • Líquido de arrefecimento: em geral trocado a cada 40.000 km ou 2 anos; cor e transparência ajudam a identificar desgaste ou mistura inadequada.
  • Completando o sistema: quando o nível cai, o ideal é usar o mesmo aditivo já presente; se não souber qual é, água desmineralizada é a opção mais segura até a próxima troca completa.
  • Reservatório do para-brisa: a lei exige que funcione; detergente comum pode manchar a pintura, por isso o mais indicado é aditivo próprio, bem diluído.

Na checagem do óleo do motor, a leitura da vareta deve ser feita com ela na vertical, logo após retirá-la, para evitar que o óleo escorra e altere a marcação. Manter o nível entre mínimo e máximo é fundamental: acima do máximo, aumenta o risco de vazamentos, problemas no catalisador e excesso de pressão interna no motor.


Confira a publicação do CAR UP Dicas Automotivas, no YouTube, com a mensagem “Faça você mesmo! Revisão passo a passo”, destacando orientações para revisão básica do veículo, passo a passo prático e didático e o foco em incentivar manutenção preventiva em casa:

O que muita gente esquece na revisão caseira do carro

Em uma revisão passo a passo feita em casa, a parte elétrica, os freios e até as portas do carro costumam ser subestimados. No entanto, esses pontos concentram boa parte dos problemas do dia a dia: luz de injeção acendendo sem motivo aparente, ruído na suspensão, vidro subindo devagar ou lâmpada queimada gerando multa.

No cofre do motor, é comum encontrar conectores soltos depois de viagens em estradas esburacadas, o que pode acender luz de alerta no painel. Em seguida, vale observar a bateria, procurando zinabre nos polos e na caixa de fusíveis, fazendo limpeza com limpa contato e protegendo tudo com graxa siliconada, que sela contra umidade sem bloquear a passagem de corrente.

  • Freios e suspensão: inspeção visual identifica discos gastos, pastilhas no limite, coifas rasgadas e buchas com folga antes de surgirem ruídos.
  • Sistemas traseiros: freios a tambor acumulam pó, exigindo limpezas periódicas com produtos desengraxantes específicos.
  • Portas e canaletas: limpar borrachas e aplicar vaselina ou silicone reduz esforço dos vidros, ruídos de vento e melhora a vedação.
  • Fechaduras e dobradiças: funcionam melhor com um pouco de lubrificante adequado, prevenindo travamentos e rangidos.

No fim, a revisão “faça você mesmo” se transforma em um ritual que mistura cuidado, curiosidade e aprendizado constante. A cada check-up, surge algo novo para observar, testar ou melhorar, e quem acompanha esse processo entende melhor o próprio carro e se sente mais preparado para lidar com imprevistos nas próximas revisões em casa.