Etanol pode prejudicar o carro? Entenda os riscos da mistura com gasolina - Super Rádio Tupi
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Etanol pode prejudicar o carro? Entenda os riscos da mistura com gasolina

Mistura aleatória afeta consumo e eficiência do motor flex

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Etanol pode prejudicar o carro? Entenda os riscos da mistura com gasolina
Misturar gasolina e etanol é permitido em carros flex sem causar danos imediatos - Créditos: depositphotos.com / kegfire

Quando o assunto é abastecer carros flex, muita gente ainda fica em dúvida sobre misturar gasolina e etanol. A prática é comum, mas por trás desse hábito existem detalhes químicos e mecânicos que explicam por que especialistas defendem usar sempre um combustível de cada vez, sem aquele famoso “meio a meio” no tanque, priorizando desempenho, consumo e durabilidade do motor.

Etanol pode prejudicar o veículo ou é mito?

A primeira informação importante é que o etanol, por si só, não é vilão para o motor. O combustível de origem vegetal tem características que ajudam na proteção contra detonação e pré-ignição, que podem danificar a cabeça do pistão e reduzir a vida útil do motor.

Em motores flex, o etanol costuma entregar mais potência, permitindo que o carro responda com mais agilidade sem exigir tanto do acelerador. O problema começa quando há mistura descontrolada com gasolina, especialmente se o etanol tiver baixa qualidade ou excesso de água.

Etanol pode prejudicar o carro? Entenda os riscos da mistura com gasolina
Abastecendo o carro – Créditos: (depositphotos.com / kegfire)

Por que não é recomendada a mistura aleatória de gasolina e etanol no motor flex?

Carros com motor flex são projetados para funcionar tanto com gasolina quanto com etanol, mas isso não significa que qualquer proporção aleatória vá render o melhor resultado. A central eletrônica ajusta ponto de ignição, tempo de injeção e outros parâmetros para cada tipo de combustível, e misturas indefinidas deixam o motor fora da faixa ideal de eficiência.

A diferença de propriedades entre os combustíveis também pesa na decisão. A gasolina tem maior poder calorífico e melhor capacidade de lubrificação, enquanto o etanol oferece alta resistência à detonação e ajuda na descarbonização do sistema. Sem critério, a mistura reduz os benefícios individuais de cada um.

De que forma o etanol influencia a octanagem e a proteção do motor?

Quando se fala em “proteção do motor”, a octanagem, ou índice antidetonante (IAD), é fundamental. O etanol anidro usado na gasolina possui IAD em torno de 121, enquanto o etanol hidratado, vendido na bomba, gira em torno de 117. Em comparação, a gasolina comum tem cerca de 87 IAD e a gasolina premium, 95.

Quanto maior esse índice, maior a resistência do combustível à detonação, o que explica por que o etanol é associado à proteção da câmara de combustão. Porém, quando o etanol hidratado é usado junto com gasolina em proporções imprevisíveis, a combinação pode reduzir o IAD efetivo e, em condições severas, aumentar o risco de batida de pino.

Como a água e a qualidade do etanol afetam o sistema de combustível?

Um dos pontos mais sensíveis é o excesso de água no etanol. O etanol anidro presente na gasolina, por norma da ANP, tem até cerca de 0,5% de água, enquanto o etanol hidratado pode chegar a algo em torno de 4,7%. Em casos de adulteração de combustível, essa porcentagem pode ser ainda maior e gerar sérios problemas no sistema.

Como gasolina e água não se misturam bem, pode ocorrer separação de fases dentro do tanque, formando uma camada mais rica em água e etanol exatamente na região onde a bomba suga o combustível. Nessa situação, alguns efeitos passam a ser mais prováveis:

  • Separação de fases: formação de duas camadas distintas no tanque, com partes do sistema recebendo combustível fora da especificação.
  • Corrosão interna: componentes metálicos ficam mais expostos à oxidação, encurtando a vida útil.
  • Falhas de funcionamento: engasgos, dificuldade de partida e perda de desempenho em acelerações.
  • Esforço extra da bomba: a bomba trabalha em condições mais severas, aumentando o risco de queima precoce.
  • Formação de depósitos: resíduos podem se acumular em bicos injetores e na câmara de combustão.

Confira o vídeo do canal CAR UP Dicas Automotivas, no YouTube, alertando para o erro de misturar etanol e gasolina em motor flex, explicando por que isso pode causar problemas no desempenho e na durabilidade do carro:

Como escolher entre gasolina e etanol pensando em consumo e uso diário?

No tema economia, a relação estequiométrica e o poder calorífico ganham destaque. O etanol exige menos partes de ar para cada parte de combustível do que a gasolina, o que resulta em maior consumo em litros para rodar a mesma distância, embora ofereça boa potência.

A gasolina possui maior poder calorífico e gera mais energia por quilograma queimado, favorecendo aquecimento rápido e maior autonomia. Já o aumento do teor de etanol misturado à gasolina reduz esse poder calorífico. No dia a dia, alguns pontos costumam orientar a escolha do motorista:

  • Uso urbano intenso: gasolina tende a ser mais vantajosa pelo aquecimento rápido e melhor autonomia.
  • Busca por desempenho: etanol favorece potência e resposta do motor, com boa resistência à detonação.
  • Descarbonização do sistema: etanol ajuda a “limpar” resíduos deixados pelo uso prolongado de gasolina.
  • Lubrificação interna: gasolina oferece mais lubricidade, protegendo componentes da injeção e sedes de válvula.
  • Custo por quilômetro rodado: depende da relação de preço entre os combustíveis e do estilo de condução.

Qual é a estratégia mais segura para abastecer com etanol em carros flex?

Entre as recomendações mais frequentes de especialistas está a alternância inteligente: usar por um período apenas gasolina e, em outro, apenas etanol, sem misturas improvisadas no tanque. Assim, o motor aproveita ao máximo os mapas de injeção programados para cada combustível, elevando eficiência, desempenho e proteção.

Essa abordagem também facilita perceber comportamentos estranhos do veículo, como aumento de consumo, dificuldade de partida ou perda de força, pois há menos variáveis ao mesmo tempo. Para quem deseja se aprofundar, cursos, livros técnicos sobre motores a combustão e materiais de manutenção automotiva detalham, com gráficos e testes, como cada combustível se comporta no interior do motor.