Automobilismo
Nova proposta quer fixar idade máxima para dirigir e coloca a carteira de motorista no centro da discussão
Motoristas com 75 anos entram no centro de proposta que limita a condução
Uma proposta em Portugal para fixar idade máxima para dirigir colocou a carteira de motorista no centro de uma discussão sensível. A ideia aparece em uma petição pública que defende a cessação automática da carta de condução a partir dos 75 anos. No Brasil, porém, a lógica atual é diferente: não existe uma idade máxima geral para dirigir, e a permanência ao volante depende da renovação da CNH e da aptidão do condutor.
Onde foi feita a proposta sobre idade máxima para dirigir?
A proposta foi feita em Portugal, dentro de um debate sobre segurança viária, envelhecimento da população e capacidade de condução em idade avançada. O ponto central é estabelecer um limite etário para a validade da carta de condução, em vez de depender apenas das renovações e avaliações periódicas.
O tema chama atenção porque envolve dois lados importantes. De um lado, há a preocupação com reflexos, visão, medicamentos e risco de acidentes. De outro lado, existe o impacto na autonomia de pessoas idosas que usam o carro para consultas, compras, trabalho, visitas familiares e tarefas básicas.
Como essa ideia funcionaria no Brasil?
No Brasil, uma medida parecida não poderia ser aplicada apenas como orientação informal. Para criar idade máxima obrigatória para dirigir, seria necessário mudar a legislação de trânsito, especialmente o Código de Trânsito Brasileiro. Enquanto isso não acontece, a regra brasileira continua baseada na validade da CNH e no exame de aptidão física e mental.
Hoje, o sistema brasileiro funciona por prazos de renovação conforme a idade do motorista. A lógica principal é esta:
- Condutores com menos de 50 anos renovam a CNH a cada 10 anos.
- Condutores de 50 a 69 anos renovam a CNH a cada 5 anos.
- Condutores com 70 anos ou mais renovam a CNH a cada 3 anos.
- O médico pode reduzir o prazo se identificar necessidade.
- A CNH depende da aprovação no exame de aptidão física e mental.

Idade sozinha define quem pode continuar dirigindo?
Idade sozinha não define a capacidade de dirigir. Há motoristas idosos atentos, prudentes e com boa condição de saúde. Também existem condutores mais jovens que dirigem mal, abusam da velocidade, usam celular ao volante ou ignoram regras básicas.
Por isso, o debate no Brasil tende a passar pela avaliação individual. O que importa é saber se a pessoa enxerga bem, reage com segurança, entende a sinalização, consegue controlar o veículo e não apresenta condição de saúde que comprometa a direção.
Quais sinais indicam que dirigir pode estar ficando arriscado?
Mesmo sem idade máxima, alguns sinais merecem atenção de motoristas e familiares. Eles não significam perda automática da CNH, mas mostram que uma avaliação mais cuidadosa pode ser necessária:
- Dificuldade para enxergar placas, faixas ou pedestres.
- Confusão frequente em cruzamentos, retornos e rotatórias.
- Batidas leves, raspões e sustos cada vez mais comuns.
- Medo intenso de dirigir em trajetos antes habituais.
- Reações lentas diante de freios, curvas ou mudanças de faixa.

Por que o tema gera tanta polêmica?
O tema gera polêmica porque a carteira de motorista representa liberdade. Para muita gente, deixar de dirigir significa depender de filhos, vizinhos, aplicativos ou transporte público. Em cidades pequenas e regiões com pouca estrutura, isso pode virar isolamento.
Ao mesmo tempo, o trânsito exige responsabilidade. Quando a saúde compromete a direção, o risco não fica restrito ao motorista. Passageiros, pedestres, ciclistas e outros condutores também podem ser afetados por uma reação atrasada ou uma decisão errada.
Qual é o ponto mais importante para os motoristas brasileiros?
O ponto mais importante é separar proposta estrangeira, boato e regra válida no Brasil. A discussão feita em Portugal não muda automaticamente a CNH brasileira. No país, motoristas com 70 anos ou mais continuam podendo dirigir, desde que renovem o documento no prazo e sejam considerados aptos no exame exigido.
A melhor resposta para esse debate não está em presumir incapacidade apenas pela idade nem em ignorar riscos reais. O caminho mais equilibrado é reforçar exames sérios, acompanhamento médico, renovação responsável e regras que protejam a segurança no trânsito sem apagar a autonomia de quem ainda dirige com condições adequadas.