Automobilismo
Um detalhe simples na troca de óleo pode contaminar o lubrificante novo e prejudicar o motor
Trocar o óleo do motor do jeito errado pode custar caroTrocar o óleo do motor parece simples, mas um detalhe costuma gerar dúvida em muita gente: é melhor fazer a troca com o motor quente ou frio? Para responder a essa pergunta com precisão, um criador de conteúdo automotivo realizou um teste prático, medindo exatamente quanto óleo sai em cada situação para comparar os resultados.
Trocar o óleo do motor com ele quente ou frio faz diferença?
A dúvida principal é se, para reduzir ao máximo a contaminação do óleo novo, o ideal é escoar o óleo lubrificante com o motor frio ou já aquecido em temperatura de trabalho. Quanto mais óleo velho sair do cárter e do sistema, menor será o resquício misturado ao óleo novo, ajudando a preservar suas propriedades.
Essa preocupação é válida porque o óleo envelhecido acumula resíduos, fuligem e possíveis partículas metálicas, que podem circular novamente se permanecerem no motor. Assim, a condição de temperatura na hora da drenagem pode influenciar a quantidade de óleo removido e o grau de contaminação do lubrificante novo.

Como foi feito o teste de troca de óleo do motor na prática
O teste foi feito em um Gol que ficou um dia inteiro parado, com o motor totalmente frio, garantindo que todo o óleo estivesse no cárter. Em seguida, o bujão foi removido e o óleo foi deixado escorrendo por cinco minutos cronometrados, até que o filete diminuísse bastante.
Para medir com precisão, o óleo retirado foi transferido para um galão de 5 litros e depois para um reservatório graduado de 1 litro, somando os volumes para obter um número confiável. Esse mesmo óleo foi devolvido ao motor sem perdas na embalagem, evitando interferências na comparação entre drenagem com motor frio e quente.
O que muda na drenagem de óleo quando o motor está quente
Após devolver o óleo usado ao motor, o carro foi ligado e funcionou por cerca de 15 minutos, até atingir a temperatura de trabalho ideal, com a ventoinha acionada. Nesse ponto, o óleo circulou por galerias, cabeçote e canais internos, retornando várias vezes ao cárter.
Com o motor quente, repetiu-se a remoção do bujão e o tempo de cinco minutos de drenagem, seguido de nova medição cuidadosa. Visualmente, notou-se que o lubrificante ficou mais fluido com a temperatura elevada, escorrendo com mais facilidade, pois a viscosidade diminui com o aquecimento, deixando o óleo mais “fino”.
Quais foram os resultados do teste de troca de óleo do motor
No teste com o motor frio, a quantidade drenada foi de aproximadamente 3 litros e 270 ml de óleo, somando o que ficou no galão e no reservatório graduado. Esse volume representa o óleo que retornou ao cárter após o carro ficar parado e o lubrificante descer por gravidade durante o período em repouso.
Já com o motor quente, seguindo o mesmo tempo de drenagem, o resultado foi de cerca de 3 litros e 150 ml, com diferença de aproximadamente 120 ml. Essa quantidade provavelmente permaneceu em regiões superiores do motor, como cabeçote, galerias internas e pequenos canais, onde o óleo demora mais para descer completamente.
Confira o vídeo do canal CAR UP Dicas Automotivas, no YouTube, questionando se você faz corretamente a troca de óleo do motor, com orientações práticas para evitar erros e cuidar melhor do carro.
O que a diferença de volume muda na troca de óleo do motor
Os 120 ml que ficam no motor podem parecer pouco, mas impactam a qualidade do óleo novo, pois se misturam ao lubrificante recém-inserido. Esse resíduo contribui para a contaminação do óleo novo, encurtando a vida útil, reduzindo a capacidade de lubrificação e afetando a proteção das peças internas, especialmente em motores mais exigidos.
Outra peça fundamental nessa análise é o filtro de óleo, que retém uma quantidade significativa de óleo usado e partículas contaminantes. Quando o filtro não é trocado junto com o óleo, esse lubrificante velho volta a circular, misturando-se ao óleo novo e potencializando o problema de contaminação e desgaste prematuro.
- Óleo velho misturado ao óleo novo resulta em menor desempenho de lubrificação.
- Filtro de óleo antigo mantém resíduos contaminados no sistema.
- Menor escoamento de óleo usado significa mais sujeira retornando ao circuito.
- Uma troca completa deve incluir óleo e filtro, não apenas o lubrificante.
Como medir o nível de óleo do motor do jeito certo
O teste também ajuda a entender a forma correta de medir o nível de óleo, já que em muitas oficinas e postos a medição é feita logo após o carro parar, com o motor ainda quente. Nessas condições, parte do óleo permanece nas galerias e no cabeçote, gerando leituras que parecem indicar nível baixo, mesmo com a quantidade adequada no sistema.
Em procedimentos de fábrica, recomenda-se que, ao chegar com o motor quente, se espere pelo menos 10 minutos antes da primeira leitura da vareta. Para verificação mais precisa, aguardar entre 30 e 45 minutos com o veículo desligado permite que o óleo quente desça quase por completo, evitando completar óleo sem necessidade e reduzindo o risco de diagnóstico incorreto.