Bichos
Petiscos podem fazer mal? Saiba como oferecer sem prejudicar a saúde dos pets
É importante priorizar produtos de qualidade e oferecê-los com equilíbrio dentro da rotina alimentar do animal
Utilizados no adestramento como forma de reforço positivo ou em brinquedos interativos, os petiscos são aliados estratégicos na rotina dos pets. No entanto, é fundamental ter atenção tanto na escolha quanto na forma de oferecê-los, pois o consumo excessivo pode prejudicar a saúde dos animais.
Esse cuidado se torna ainda mais importante quando esses alimentos refletem hábitos dos tutores, como aponta uma pesquisa da Royal Canin. Ao analisar os fatores que contribuem para a obesidade em animais domésticos, o estudo revelou que 41% dos tutores oferecem petiscos a cães e gatos quando eles aparentam estar tristes, entediados ou solitários, evidenciando como esses alimentos muitas vezes são utilizados de maneira inadequada.
A médica-veterinária Yeda Markowitsch, da Pet Delícia, explica que os petiscos podem fazer parte de uma rotina equilibrada, desde que oferecidos de forma consciente. “Os petiscos são importantes para reforço positivo, interação e até enriquecimento ambiental. No entanto, eles não devem substituir a alimentação principal do animal. O ideal é que representem apenas uma pequena parte da ingestão calórica diária”, explica.
Ingredientes: o primeiro ponto de atenção
Segundo a especialista, o excesso de petiscos pode contribuir para o ganho de peso e para desequilíbrios nutricionais, especialmente quando os produtos possuem alto teor de gordura, sódio ou aditivos artificiais.
Antes de escolher o alimento, o tutor deve observar atentamente a composição do produto. Ingredientes naturais e reconhecíveis costumam ser um bom indicativo de qualidade. “Hoje existem opções feitas com carnes, legumes e ingredientes funcionais que contribuem para a saúde do animal. O ideal é evitar produtos com excesso de corantes, conservantes artificiais e subprodutos”, orienta Yeda Markowitsch.
Alimentos preparados com ingredientes naturais e minimamente processados podem oferecer maior digestibilidade e melhor aproveitamento de nutrientes pelos pets.

Adequação ao porte e às necessidades do animal
Outro fator importante é considerar as características individuais do pet. Idade, porte, nível de atividade física e condições de saúde devem ser considerados na hora de escolher o petisco. “Filhotes, animais idosos ou pets com restrições alimentares podem precisar de produtos específicos. O acompanhamento veterinário ajuda a identificar qual opção é mais adequada para cada caso”, destaca a especialista.
Além disso, o tamanho e a textura do petisco também são relevantes para evitar riscos de engasgo, especialmente em cães de pequeno porte.
Petiscos funcionais ganham espaço
Uma tendência crescente no mercado pet é o desenvolvimento de petiscos funcionais, que, além de agradar ao paladar do animal, oferecem benefícios adicionais, como suporte à saúde intestinal, imunidade ou cuidados com pele e pelagem. Esses produtos costumam incluir ingredientes como fibras, antioxidantes e ácidos graxos essenciais, que auxiliam no equilíbrio nutricional quando consumidos de forma moderada.
Questão de qualidade e de equilíbrio
Mais do que buscar o “petisco perfeito”, a recomendação dos especialistas é priorizar produtos de qualidade e oferecê-los com equilíbrio dentro da rotina alimentar do animal. Quando escolhidos de forma consciente, os petiscos podem ser aliados no bem-estar dos bichinhos, ajudando no treinamento, no enriquecimento ambiental e na interação com os tutores.
“A melhor escolha é sempre aquela que combina ingredientes de qualidade, segurança nutricional e moderação no consumo. Assim, o petisco deixa de ser apenas um agrado e passa a contribuir para a saúde do animal”, conclui Yeda Markowitsch.
Por Thays Ferreira