Brasil

Anvisa defende que decisão de suspender testes da CoronaVac é ‘técnica’ e baseada em falta de dados

Diretor-presidente da agência fez questão de frisar que não há nenhuma parceria entre o órgão regulador com qualquer instituto ou laboratório

Por Diogo Sampaio

Diretor-presidente da agência fez questão de frisar que não há nenhuma parceria entre o órgão regulador com qualquer instituto ou laboratório
(Foto: Divulgação/Governo de São Paulo)

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira (10), o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, defendeu a decisão do órgão em suspender os testes da vacina CoranaVac no Brasil, após a morte de um dos voluntários. De acordo com Torres, a medida foi “técnica” e baseada no fato das informações repassadas pelo Instituto Butantan, parceiro da empresa chinesa Sinovac no país, serem “insuficientes” e “incompletas”.

O diretor-presidente da Anvisa afirmou que ainda espera por dados mais contundentes acerca do caso. Segundo Torres, a suspensão irá permanecer em vigor até que todas as informações sejam apresentadas. Além disso, os testes com a vacina no Brasil só poderão ser retomados depois de uma análise do caso feita por um comitê internacional independente.

“Documentos claros, precisos e completos precisam ser enviados a nós, o que não aconteceu”, declarou Torres. “O que recebemos ontem (segunda-feira, dia 09 de novembro) não nos dava nenhuma outra alternativa”, completou.

Torres fez questão de frisar que a Anvisa não é parceira de nenhum laboratório ou instituto desenvolvedor de uma possível vacina para Covid-19.  “A imagem que coloco é a do árbitro entre aquilo que foi feito certo e ao arrepio da norma e emite seu juízo de valor”, comparou.

Questionado acerca dos rumores de que a causa da morte do voluntário seria suicídio, o direto-presidente da Anvisa disse não poder confirmar. “Objetivamente, não havia essa informação (sobre o suicídio) dentre as que recebemos ontem. Quanto a questão de ouvir ou não o Instituto Butantan, não é atribuição da agência tomar essa decisão”, respondeu.

No início da tarde, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, também se pronunciou acerca das suspensões dos testes. Ele assegurou ser impossível relacionar o “evento adverso grave”, envolvendo o voluntário da vacina, com a CoranaVac.

“Os dados são transparentes. Por que nós sabemos e temos certeza de que não é um evento relacionado à vacina? Como eu disse, do ponto de vista clínico do caso e nós não podemos dar detalhes, infelizmente, é impossível, é impossível que haja relacionamento desse evento com a vacina, impossível, eu acho que essa definição encerra um pouco essa discussão”, declarou o diretor.

Também nesta terça-feira, quem se manifestou sobre a interrupção dos testes clínicos da Coronavac foi o presidente da República, Jair Bolsonaro (Sem Partido). Por meio de uma rede social, Bolsonaro classificou o episódio como mais um em que “Jair Bolsonaro ganha”. Na postagem, o chefe do Executivo ainda fez referência direta ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

“Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha”, escreveu o presidente na publicação.

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