Brasil
Após áudios de Flávio Bolsonaro, políticos reagem: “Tapa na cara dos brasileiros de bem”
Críticas de aliados e adversários aumentam após divulgação de áudios envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro
Áudios de Flávio Bolsonaro pedindo investimentos ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de comandar fraudes bilionárias no Banco Master, provocaram uma enxurrada de reações no campo político nesta semana. O senador teria solicitado ao banqueiro recursos para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com repasse total acordado de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões à época —, dos quais R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025.
Segundo reportagem do The Intercept Brasil, o primeiro contato entre Flávio e Vorcaro ocorreu em 8 de dezembro de 2024. Em mensagens obtidas pelo veículo, o senador chamava o banqueiro de “irmão” e chegou a afirmar: “Estou e estarei contigo sempre”. O texto foi enviado um dia antes da primeira prisão de Vorcaro, que hoje negocia acordo de delação premiada.
Críticas de dentro da direita
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) foi direto na crítica. “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem”, disse. “Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa.”
A reação não tardou entre os irmãos de Flávio. Eduardo Bolsonaro acusou Zema de lançar “acusação sem fundamentos” e afirmou que “não houve desvio de dinheiro, Lei Rouanet ou recursos públicos”. Carlos Bolsonaro chamou o ex-governador de “engolidor de casca de banana” e cobrou que parlamentares “defendam a verdade”.
O pré-candidato Renan Santos, do partido Missão, foi ainda mais incisivo: “Flávio Bolsonaro acabou. Se o Brasil for um país sério, Flávio Bolsonaro, assim como todos os outros envolvidos no escândalo do Banco Master, têm de ir para a cadeia.”
Já o governador Ronaldo Caiado (PSD), também pré-candidato, pediu transparência sem adotar tom de ruptura. “Tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência”, disse, acrescentando que Flávio “deve responder aos questionamentos sobre o financiamento do filme e as relações com o dono do Master”. Em seguida, defendeu que a prioridade da centro-direita deve ser “derrotar o PT e o Lula nas urnas no segundo turno”.
Aliados pedem calma
Entre os aliados do clã Bolsonaro, prevaleceu o argumento de que se tratou de uma busca por financiamento privado sem envolvimento de dinheiro público. O ex-chefe da Secom do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, resumiu o tom do grupo: “Todo frenesi durará poucos minutos. Se acalmem.”
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse não acreditar “em condenações precipitadas” e defendeu a instalação de uma CPMI do Banco Master como único caminho para “elucidar todos os fatos”. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, classificou as explicações de Flávio como “claras, coerentes e objetivas” e rejeitou “tentativas de transformar uma iniciativa privada em narrativa política artificial”.
O deputado Mário Frias (PL-SP), apontado pelo publicitário Thiago Miranda como quem apresentou o projeto a Vorcaro, divulgou nota negando qualquer participação financeira do banqueiro na produção. “Não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”, afirmou, chamando as críticas de motivadas por razões “claramente políticas e ideológicas”.
