Brasil
“Bem gordinha”: o que veterinários descobriram sobre a tartaruga de 200 kg que voltou ao mar após 5 meses
Animal foi resgatado na praia de Capuba, na Serra, e passou por tratamento em Vila Velha antes da soltura
A tartaruga chegou à areia da praia de Capuba, na Serra, desorientada e sem forças. Pesava quase 200 quilos e mal conseguia se mover. Cinco meses depois, a tartaruga-verde da espécie chelonia mydas saiu do centro de reabilitação de Vila Velha carregada por mais de 20 pessoas e foi devolvida ao oceano em alto-mar, em uma operação que fechou um dos casos mais emblemáticos do litoral capixaba nos últimos tempos.
O que chamou a atenção dos veterinários desde o início?
Ao contrário do que costuma acontecer em encalhes, a tartaruga não estava emagrecida. O médico veterinário Luiz Felipe Mayorga, diretor do Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM), conta que o estado corporal do animal foi o primeiro sinal de que algo diferente tinha acontecido.
“Ela estava bem gordinha, sem sinais de emagrecimento prolongado. Isso indica que foi um problema agudo, algo que comprometeu a saúde dela rapidamente”, explicou Mayorga.
Isso descartou doenças crônicas ou falta de alimentação prolongada como causa do encalhe.
O resgate da tartaruga-verde
Entenda os detalhes da operação de salvamento de um gigante do mar.
🐢 Animal resgatado
Uma tartaruga-verde (Chelonia mydas) adulta de quase 200 quilos foi encontrada debilitada.
🏖️ Local do resgate
O animal estava encalhado e desorientado na Praia de Capuba, na Serra (ES), na Grande Vitória.
🎣 Causa suspeita
Acredita-se que tenha ficado presa em artefato de pesca, causando exaustão física e lesões musculares.
🏥 Tratamento e reabilitação
Passou cinco meses em recuperação em Vila Velha, com exames e cuidados intensivos do IPRAM.
🌊 A soltura
Após recuperação, foi devolvida ao alto-mar em uma operação que mobilizou mais de 20 pessoas.
O que os exames revelaram?
Ao longo do tratamento, a equipe do IPRAM realizou exames de sangue, radiografias e ultrassonografia. Os resultados apontaram um quadro específico:
- Lesões musculares por esforço repetitivo: compatíveis com um animal que lutou contra algo por tempo prolongado
- Escoriações na cabeça e nas nadadeiras: marcas físicas de atrito com algum objeto externo
- Suspeita de doença descompressiva: provocada por mudança brusca de profundidade, comum em tartarugas presas em redes de arrasto
A hipótese mais provável, segundo os veterinários, é que o animal tenha ficado preso em um artefato de pesca e conseguido escapar depois de sofrer exaustão profunda.

“Juntando todas as evidências, acreditamos que ela foi capturada acidentalmente por algum equipamento de pesca. Isso pode ter provocado lesões musculares, exaustão profunda e até doença descompressiva, causada por mudança brusca de profundidade”, afirmou Mayorga.
Como foi a soltura?
A operação de devolução ao mar aconteceu nesta quarta-feira (20) e envolveu mais de 20 pessoas. O animal foi levado em embarcação até o ponto de soltura em alto-mar, fora da zona de praia, para garantir que retornasse direto ao ambiente natural sem risco de novo encalhe imediato.
A operação foi conduzida pelo IPRAM em parceria com instituições que integram o Projeto de Monitoramento de Praias (PMP).