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BR-251 acumula 36 mortes em cinco meses e motoristas pedem duplicação urgente da serra de Francisco Sá
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Para caminhoneiros que cruzam o país há décadas, poucos trechos impõem tanto respeito quanto a BR-251, no Norte de Minas Gerais. A Serra de Francisco Sá concentra curvas, descidas e grande circulação de veículos pesados.
Em 2026, uma sequência de acidentes voltou a chamar atenção para a segurança da rodovia. O cenário reacendeu o debate sobre as condições da estrada e as medidas necessárias para reduzir os riscos.
Conhecida informalmente como “rodovia da morte”, a BR-251 é um importante corredor para o transporte de cargas entre o Nordeste e o Sudeste.
O que torna esse trecho perigoso?
A BR-251 reúne diferentes fatores que podem aumentar o risco de acidentes. Entre eles estão trechos de pista simples, curvas e descidas acentuadas e o intenso fluxo de caminhões e carretas.
Na Serra de Francisco Sá, por exemplo, a combinação entre o relevo e o movimento de veículos pesados exige atenção dos motoristas.
Além disso, há pontos que precisam de melhorias na infraestrutura. O histórico de acidentes motivou cobranças por intervenções na rodovia. Em 2024, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou um requerimento que pediu medidas para ampliar a segurança na Serra de Francisco Sá.
Os números confirmam o risco?
Sim. Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a BR-251 registrou 90 sinistros entre janeiro e maio de 2026.
Nesse período, os acidentes deixaram 36 mortos e 176 feridos. Os números mostram a dimensão do problema ao longo da rodovia.
Um dos casos mais graves ocorreu em 24 de maio. Na ocasião, um ônibus e uma carreta colidiram na altura de Santa Cruz de Salinas, no Norte de Minas.
A batida provocou um incêndio e deixou oito pessoas mortas. Outras dez ficaram feridas, segundo informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros.
A culpa é apenas da imprudência?
Não é possível atribuir todos os acidentes a uma única causa. A dinâmica de cada ocorrência precisa ser investigada pelas autoridades.
Ainda assim, as condições da rodovia aparecem no debate sobre segurança. A BR-251 tem trechos de pista simples e recebe grande fluxo de veículos pesados.
Além disso, pedidos de melhorias estruturais são antigos. Entre as medidas defendidas estão a implantação de terceiras faixas, melhorias na pavimentação e intervenções em pontos considerados críticos.
O que está sendo feito na BR-251?
A situação da rodovia começou a mudar em 2026 com a concessão do trecho à Ecovias das Gerais. A empresa assinou o contrato em junho e passou a executar um plano de intervenções emergenciais.
O chamado Plano de 100 Dias inclui recuperação do pavimento, reforço da sinalização e manutenção da drenagem. Também estão previstas intervenções em pontos com histórico de acidentes.
Na Serra de Francisco Sá, a concessionária iniciou obras de pavimentação e sinalização em setembro. O trabalho também inclui a regularização de uma terceira faixa em determinados pontos do trecho.
A duplicação, por sua vez, está prevista em etapas posteriores da concessão. O planejamento prevê 42,3 quilômetros de duplicação na BR-251. As obras devem ocorrer entre o terceiro e o oitavo ano do contrato.
Por que a rodovia é importante para o transporte de cargas?
A BR-251 integra um dos principais corredores rodoviários entre o Sudeste e o Nordeste. Por isso, recebe tráfego intenso de caminhões e carretas.
Esse fluxo torna as condições da pista ainda mais relevantes para a segurança. Enquanto as obras estruturais não são concluídas, os motoristas precisam redobrar a atenção em curvas, descidas e áreas com sinalização provisória.
Assim, o histórico de acidentes e as características do trecho ajudam a explicar por que a BR-251 permanece no centro das discussões sobre segurança viária em Minas Gerais.