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Brasil aciona OMC contra tarifas dos EUA e denuncia discriminação

Governo brasileiro pede consultas formais à Organização Mundial do Comércio, afirma que sobretaxas impostas por Washington violam regras do comércio internacional e critica medidas unilaterais

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Palácio do Itamaraty na Esplanada dos Ministérios. Foto: Fabio Rodrigues/ Agência Brasil

O governo brasileiro formalizou um pedido de consultas à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a legalidade das tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O documento, protocolado em 27 de julho e divulgado pela entidade nesta quinta-feira (30/7), sustenta que as medidas adotadas por Washington são discriminatórias, unilaterais e incompatíveis com as normas do sistema multilateral de comércio.

Na manifestação encaminhada à OMC, o Brasil argumenta que os Estados Unidos descumpriram o princípio da não discriminação previsto no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt, na sigla em inglês) de 1994.

Segundo o governo, produtos brasileiros passaram a sofrer sobretaxas que não foram aplicadas a mercadorias equivalentes de outros países integrantes da organização, configurando tratamento desigual nas relações comerciais.

A contestação envolve duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana de 1974. Esse instrumento permite que o governo dos EUA investigue práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país e imponha sanções de forma unilateral.

Como resultado, foram estabelecidas tarifas adicionais de 25% sobre parte das exportações brasileiras e outra sobretaxa de 12,5% relacionada a alegações envolvendo produtos associados ao trabalho forçado.

Na avaliação do governo brasileiro, além de aplicar medidas que elevam significativamente o custo dos produtos nacionais no mercado norte-americano, os Estados Unidos deixaram de seguir os mecanismos de solução de controvérsias previstos pela própria OMC.

O Brasil afirma que Washington optou por impor sanções com base em decisões internas, sem recorrer previamente aos procedimentos multilaterais estabelecidos para esse tipo de disputa.

Escalada das tensões

Foto: wikimedia commons/Gage Skidmore

As tensões comerciais entre os dois países se intensificaram desde fevereiro de 2025, quando os Estados Unidos passaram a adotar uma política de tarifas sob o argumento de promover maior reciprocidade comercial.

Em etapas posteriores, algumas mercadorias brasileiras chegaram a enfrentar sobretaxas que alcançaram até 50%, embora mudanças judiciais no próprio sistema americano tenham alterado parte dos fundamentos dessas cobranças.

Com a abertura das consultas, primeira etapa do mecanismo de solução de controvérsias da OMC, o governo brasileiro busca abrir espaço para uma negociação diplomática antes que o caso avance para um painel arbitral em Genebra, sede da organização. O objetivo é tentar uma solução negociada para o impasse comercial e reforçar a defesa das regras do comércio internacional.

Nos bastidores do Itamaraty, entretanto, a iniciativa é vista, sobretudo como uma forma de reafirmar o compromisso brasileiro com o multilateralismo e registrar formalmente a contestação às medidas americanas.

Diplomatas reconhecem que a capacidade de atuação da OMC permanece limitada desde a paralisação de seu Órgão de Apelação, em 2019, após os Estados Unidos bloquearem a nomeação de novos juízes durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump, o que reduz as perspectivas de uma decisão com efeitos práticos no curto prazo.