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Brasil-EUA: Lula diz que não aceitará tratamento de “republiqueta insignificante”

Durante reunião ministerial, o petista defendeu o fortalecimento da democracia e do multilateralismo e contestou a justificativa dos Estados Unidos para impor tarifas ao Brasil

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Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3/6), que o Brasil vive um momento de conquistas econômicas e sociais, mas enfrenta dificuldades para fazer com que a população perceba os avanços alcançados pelo país. Durante a abertura da reunião ministerial, o chefe do Executivo também criticou a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas ao Brasil e disse que o país não aceitará ser tratado como uma “republiqueta insignificante”.

Ao comentar o cenário nacional, o líder petista classificou o momento atual como um “paradoxo” da política brasileira. Segundo ele, o país reúne indicadores positivos e avanços em diferentes áreas, mas nem sempre essas conquistas são reconhecidas pela sociedade.

“Poucas vezes na história o país conseguiu ter coisas tão positivas a seu favor como nós temos agora”, afirmou. Lula destacou ainda a melhora da qualidade de vida da população e atribuiu parte desse resultado aos avanços na educação.

Críticas a Trump

O presidente também ressaltou a importância do fortalecimento da democracia brasileira e da defesa do multilateralismo nas relações internacionais. De acordo com ele, o Brasil tem buscado ampliar seu protagonismo global e não pode aceitar ser tratado de forma secundária por outras nações.

“Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deu ao Brasil esta semana”, declarou.

O presidente afirmou ainda que o governo brasileiro esteve aberto ao diálogo desde os primeiros anúncios do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a adoção de tarifas. Lula criticou a forma como a medida foi comunicada e disse que tomou conhecimento da taxação por meio das redes sociais.

“Eu fiquei sabendo da taxação primeiro pelo Twitter”, disse. Para o presidente, a comunicação entre chefes de Estado deveria ocorrer por canais diplomáticos formais, como telefonemas ou correspondências oficiais.

Lula também contestou o argumento apresentado pelos Estados Unidos para justificar as tarifas. Segundo ele, o deficit comercial mencionado por Washington não corresponde à realidade das relações econômicas entre os dois países.

“O deficitário que os Estados Unidos diz que tem com o Brasil, o Brasil é que tem contra eles. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação seria o Brasil contra os Estados Unidos e não os Estados Unidos contra o Brasil”, enfatizou.

O presidente também reforçou que o momento é decisivo para consolidar a imagem internacional do país, fortalecer a democracia e ampliar o reconhecimento dos avanços obtidos pelo Brasil nos últimos anos.