Brasil
Brasil registra mais de 1 milhão de gestações entre adolescentes em dois anos
Pesquisa revela alta incidência entre jovens de 15 a 19 anos; dados mostram maior vulnerabilidade em territórios com menor acesso a serviços e educação sexual.
O Brasil registrou mais de um milhão de casos de gravidez entre adolescentes de 15 a 19 anos entre 2020 e 2022, segundo estudo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). De acordo com a pesquisa, a cada ano, uma em cada 23 adolescentes nessa faixa etária se torna mãe no país.
Entre meninas de 10 a 14 anos, o número também chama atenção: foram quase 50 mil casos no mesmo período.
No estado do Rio de Janeiro, dados da Secretaria Estadual de Saúde indicam que, em 2025, cerca de 5.200 adolescentes deram à luz. Desse total, 181 eram menores de 15 anos.
Vulnerabilidade social amplia riscos
Uma pesquisa realizada pela Organização Social Viva Rio, que administra 76 unidades básicas de saúde no município do Rio, analisou a realidade de meninas de 13 a 17 anos atendidas na Grande Tijuca, na região da Leopoldina e em partes das zonas Norte e Oeste da cidade.
O levantamento aponta que mais de 90% das adolescentes gestantes acompanhadas vivem em territórios vulneráveis.
Segundo a gestora de contratos em Atenção Primária à Saúde da Viva Rio, Mariana Rocha, há uma sobreposição de fatores de risco nessas regiões, como menor acesso à informação de qualidade, dificuldade de acesso regular aos serviços de saúde e baixa oferta de ações educativas e culturais.
Ela destaca que a gravidez precoce não deve ser tratada como uma escolha individual, mas como reflexo do contexto social. A baixa escolaridade, a evasão escolar e a falta de oportunidades de formação e trabalho contribuem diretamente para o aumento dos casos.
Educação sexual e acesso a contraceptivos
Mariana Rocha também reforça a importância da educação sexual como ferramenta de prevenção. Segundo ela, quando aplicada de forma consistente, baseada em evidências e adaptada à realidade dos jovens, a educação sexual tem impacto positivo na redução da gravidez precoce e na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
No entanto, questões ideológicas e religiosas ainda dificultam a adoção ampla desse tipo de iniciativa.
Os dados mostram que apenas 2,3% das adolescentes acompanhadas pelas equipes da Viva Rio utilizam algum método contraceptivo. O uso de preservativos, masculino e feminino, também é considerado baixo, com média de 6%, o que acende o alerta para o risco de transmissão de ISTs.
Como medida para reduzir os índices de gestação precoce, o Sistema Único de Saúde (SUS) no município do Rio ampliou, no segundo semestre do ano passado, a oferta do anticoncepcional injetável Implanon.
O método consiste em um pequeno dispositivo inserido sob a pele do braço que libera hormônio de forma contínua por até três anos, impedindo a ovulação e evitando a gravidez.