Brasil

”Cadeiroboy”: Cadeirante usa kit para ser entregador nas ruas de Manaus

Com a dificuldade da cadeira de rodas, Cleber Vaz não desanimou, buscou uma forma de ajuda nas finanças de casa

Por Correio Braziliense

Cleber utiliza o kit de mobilidade ubana para cadeirantes, há quase dois meses (foto: Sandro Pereira/freelancer á crítica)
(Correio Braziliense) Para ganhar algum dinheiro, o desempregado Cleber Vaz trabalha informalmente como entregador de comidas delivery. O homem de 39 anos tem uma dificuldade a mais na hora do trabalho: ele é cadeirante.
Mas isso não o desanimou. Pelo contrário: o estimulou a descobrir na internet um kit de mobilidade urbana para cadeirantes que, há quase dois meses, o deu liberdade de locomoção.
motoboy trabalha sorridente pelas ruas de Manaus (AM), tanto que um vídeo seu fazendo entregas viralizou na internet.
Em entrevista ao jornal A crítica, Cleber Vaz explicou que a situação da família não esteve muito fácil. “Eu vivia em casa chorando porque tinha acabado de perder um sobrinho de 14 anos por conta de um tiro na porta de casa. Sem Deus na minha vida, eu não teria conseguido. Por isso eu digo que fazer entregas salvou a minha vida. Isso me tirou da depressão.” completou.
A falta de oportunidade levou Cleber para o trabalho alternativo.“Eu já vendia bolo na rua com a minha esposa. Vendemos até hoje bolo de macaxeira e de milho, eu mesmo que faço. Tudo começou aí para eu querer ir atrás do kit. Me faltam oportunidades de emprego, já  fui em muitos órgãos procurar ajuda, m:as nunca recebi nenhum suporte.  Já trabalhei como fiscal e auxiliar administrativo, tudo graças à Associação dos Deficientes Físicos, a Adefa. Eles conseguiram para mim, sou muito grato”, diz o motoboy.
Cleber buscou na igreja evangélica uma forma de superar os problemas da vida. Com 21 anos levou um tiro que o deixou com sequelas, o deixando há 17 anos em uma cadeira de rodas.
Cleber afirma que tem sido maravilhoso trabalhar com o delivery, pois por onde passa querem tirar fotos com ele. “As coisas se tornaram mais difíceis, mas, devido ao tempo que tenho na cadeira, vivo uma vida normal como qualquer outra pessoa, pego até meus filhos na escola, sou completamente reabilitado”, explica o entregador, que brinca se autodenominando “cadeiroboy”.

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