Canais de concreto com centenas de quilômetros levam a água do Rio São Francisco para o sertão de quatro estados, numa das maiores obras hídricas já feitas no Brasil - Super Rádio Tupi
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Canais de concreto com centenas de quilômetros levam a água do Rio São Francisco para o sertão de quatro estados, numa das maiores obras hídricas já feitas no Brasil

Obra federal tem 9 estações de bombeamento, 4 túneis e meta de abastecer 12 milhões de pessoas em 390 municípios de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte

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A transposição leva água do Rio São Francisco por 477 km de canais até o sertão de quatro estados
A transposição leva água do Rio São Francisco por 477 km de canais até o sertão de quatro estados - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

O Projeto de Integração do Rio São Francisco é a maior obra de infraestrutura hídrica do país, segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. São 477 quilômetros de canais, nos eixos Norte e Leste, levando água do Rio São Francisco a Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. A meta é garantir segurança hídrica a cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios do sertão nordestino.

Como a água do São Francisco atravessa 477 km até o sertão?

A água deixa o leito do rio impulsionada por estações de bombeamento, que vencem os desníveis do terreno. Depois, corre por canais abertos até reservatórios espalhados pelo trajeto. Pelo levantamento oficial, a obra soma 9 estações de bombeamento, 27 reservatórios, 13 aquedutos e 4 túneis.

Toda essa estrutura depende de energia: são 9 subestações e 270 quilômetros de linhas de transmissão de alta tensão. Um dos destaques é o túnel Cuncas I, com 15 quilômetros, apontado pelo governo federal como o maior túnel para transporte de água da América Latina.

Por que os canais de concreto perdem tanta água no caminho?

Os canais perdem água sobretudo por evaporação, já que correm a céu aberto numa região quente e seca. Um estudo publicado em 2024 no periódico Scientific Reports estima que cerca de 30% da água captada pela transposição de águas se perde assim.

Nove estações de bombeamento vencem os desníveis do terreno para a água seguir pelos canais até os reservatórios
Nove estações de bombeamento vencem os desníveis do terreno para a água seguir pelos canais até os reservatórios – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Cada canal de concreto tem formato trapezoidal, mais largo em cima do que no fundo. No Eixo Norte, os trechos analisados chegam a 20 metros na borda superior; no Eixo Leste, alguns têm 10 metros. O sol aquece a água e as paredes de concreto, o que acelera a perda.

Os pesquisadores propõem cobrir os canais com painéis solares. Pelas contas do estudo, isso pouparia até 25 mil metros cúbicos de água por dia e geraria cerca de 1.200 gigawatts-hora por ano. A ideia é acadêmica, e não um plano oficial do governo.

A força da água num canal aberto também aparece em escala bem menor. Uma brincadeira na praia mostra como a correnteza pode alargar uma passagem em pouco tempo.

Quando a água da transposição chegou a cada estado do Nordeste?

A água chegou primeiro à Paraíba, pelo Eixo Leste, em março de 2017. O Eixo Norte avançou depois, entre 2020 e 2022, segundo o balanço oficial do Projeto São Francisco.

A obra busca garantir segurança hídrica a cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios do sertão
A obra busca garantir segurança hídrica a cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios do sertão – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial

Essa ordem explica por que algumas cidades sentiram a mudança antes de outras. A tabela reúne os marcos divulgados pelo governo federal para cada estado.

Chegada da água por estadoMIDR
Marcos de chegada da água pelos eixos do projeto
Estado Eixo Chegada
Paraíba Leste Março de 2017
Ceará Norte 26 de junho de 2020
Paraíba Norte 21 de outubro de 2021
Rio Grande do Norte Norte 9 de fevereiro de 2022

O caminho até o Rio Grande do Norte é o mais longo. Em agosto de 2025, o balanço do ministério sobre a chegada ao Rio Grande do Norte informou que a água percorre 412 quilômetros entre a captação em Cabrobó (PE) e a Barragem de Oiticica, em Jucurutu (RN).

O que a obra ainda precisa entregar ao sertão nordestino?

A obra ainda precisa terminar ramais e reforçar o bombeamento. No balanço de 2024, o Ramal do Apodi, com 115,5 quilômetros entre Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, tinha 58% de execução física. Em 2025, o governo anunciou cerca de R$ 500 milhões do Novo PAC para recuperar e duplicar a capacidade das bombas.

Até maio de 2024, os desembolsos da transposição passavam de R$ 14 bilhões. Para muitos ouvintes do Rio com família no sertão, essa água tem nome e endereço. Se você tem parente por lá, pergunte como a chegada do Velho Chico mudou a rotina da casa e conte essa história para a gente.

Quais dúvidas mais aparecem sobre a integração do Velho Chico?

Algumas perguntas se repetem quando o assunto é a transposição, e as respostas vêm dos dados oficiais do governo federal.

PERGUNTAS FREQUENTESFAQ

Para que a água é usada primeiro?

O uso prioritário é o abastecimento humano. Os estados planejam o consumo de cada ano por meio de planos operativos anuais.

Por que o Nordeste precisa da obra?

A região reúne 28% da população brasileira, mas só cerca de 3% da água disponível no país, segundo o ministério.

Quem curte grandes obras de engenharia tem outro recorde para conhecer, bem longe do sertão. A torre mais alta do planeta também impressiona pelos números.