Brasil

Caso Mariana Ferrer e as sequelas psicológicas da humilhação e da violência sexual

Psicóloga Daniela Generoso comenta que há mulheres que chegam a se sentirem “sujas”, com sentimento de culpa e paralisada

Por Victor Yemba

(Reprodução)

Essa semana, veio à tona um caso de humilhação sofrido pela promotora de eventos Mariana Ferrer durante uma audiência contra André Camargo de Aranha, acusado de tê-la estuprado em dezembro de 2018. O caso foi definido como “estupro culposo”, gerando a absolvição do acusado, já que o crime não está previsto no código penal.

Os trechos da audiência divulgados pelo site The Intercepet Brasil mostraram uma conduta inadequada do advogado de Aranha, Cláudio Gastão da Rosa Filho e do juiz Rudson Marcos. Pode-se perceber nas imagens as tentativas de humilhação por parte de Gastão contra Mariana, mostrando, inclusive, fotos da mesma, que não tinham ligação com o caso e não faziam parte do processo, com a intenção de ridicularizá-la. Enquanto chora, Mariana pede ajuda para o juiz para se defender dos ataques do advogado, que somente questiona se ela deseja parar a audiência e tomar um pouco de água.

Além de Mariana, a cada 8 minutos, uma mulher é vítima de estupro no Brasil, segundo o 14º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Segundo o anuário, foram registrados 22 mil casos de mulheres vítimas de violência sexual, somente no primeiro semestre do ano. São Paulo lidera o ranking da pesquisa, com mais de 4 mil casos apontados.

Além de sequelas físicas, como problemas gastrointestinais, ataques de pânico, dores de cabeça, alterações menstruais e dores na hora de ter relações sexuais, as vítimas de violência sexual podem sofrer com problemas psicológicos que permeiam para o resto da vida, é o que explica a Daniela Generoso, Psicóloga, Pós-graduada em Neuropsicologia e presidente da Ong “É Possível Sonhar”, que atende crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência doméstica.

A especialista comenta que há mulheres que chegam a se sentirem “sujas”, com sentimento de culpa e paralisada. Além disso, é comum a pessoa sofrer com estresse pós traumático, depressão, ansiedade, insônia e dificuldade de relacionamento. “São marcas que a vítima carrega o tempo todo”.

“A vítima de violência sexual necessita, além de auxílio psicológico, um acompanhamento psiquiátrico, pois passar por um abuso é uma devastação da alma. Não se trata só dá dor física, mas no vazio de não poder reagir e dos vários sentimentos que ficam e que temos dificuldade de administrar. O tamanho dessa dor é incalculável, só quem passa pode entender”, relata.

Generoso lembra ainda que a cultura machista visa culpar a pessoa por conta do tipo de roupa usada e o comportamento da vítima antes de sofrer um abuso. Por isso, muitas mulheres tendem a se calar para evitar um julgamento.

A psicóloga alerta também para o falso puritanismo de uma sociedade baseada em religiosidade e diz que é um conceito mentiroso, ao levar em conta que o maior índice de violência sexual acontece com mulheres que usam burca.

Sobre a humilhação vivida por Mariana, Daniela se solidariza com a vítima e diz que há muito caminho a ser percorrido e que a sociedade deve evoluir na luta contra a violência contra a mulher. “Não podemos desistir ou desacreditar”, finaliza.

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