Conflito no Oriente Médio pressiona petróleo e pode encarecer combustíveis e alimentos no Brasil - Super Rádio Tupi
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Conflito no Oriente Médio pressiona petróleo e pode encarecer combustíveis e alimentos no Brasil

Fechamento do Estreito de Hormuz após ataques contra o Irã eleva preço do barril e acende alerta para impactos na economia global e no agronegócio brasileiro

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Pequenos hábitos e manutenções ignoradas podem fazer o carro gastar mais combustível
Velocidade regular ajuda a gastar menos combustível - Créditos: (depositphotos.com / kegfire)

Os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que tiveram início no último fim de semana, já deixaram mais de 780 iranianos mortos, além de vítimas em outros sete países, segundo a Sociedade do Crescente Vermelho, que atua em países islâmicos. 

Além disso, o conflito resultou no fechamento do Estreito de Hormuz, que é a principal rota marítima para o escoamento do petróleo no Golfo Pérsico. 

A interrupção da navegação acendeu um alerta nos mercados internacionais, já que pode elevar o preço dos combustíveis e encarecer produtos e serviços ao redor do mundo. 

Segundo especialistas, os efeitos do conflito já podem ser sentidos nas próximas semanas no preço final para o consumidor. 

É o que defende o especialista em Direito Tributário e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, que explicou o aumento que fez com que o preço do barril ir de US$65 para US$85 nos últimos dias. 

“Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, isso acaba impactando diretamente o Brasil. Primeiro, os combustíveis vão sofrer um reajuste, vão ficar mais caros e mesmo produzindo petróleo.” – declarou Tonegutti, explicando que o Brasil importa os derivados do petróleo, além de usar a referência internacional para fazer os preços do combustível comercializado no país, o que faz com que a gasolina e diesel tendam a subir se o barril fica mais caro no exterior.

O Oriente Médio é a fonte de 30% do petróleo e 17% do gás natural do mundo, e muitos dos países da região são grandes consumidores da agropecuária e de commodities brasileiras, tendo exportado mais de 16 bilhões de dólares em produtos para a região, só em 2025.

O economista e professor do centro universitário IBMEC, Gilberto Braga, explicou como os produtos, além daqueles derivados do petróleo, são afetados pelo conflito.

“Aquela região do mundo que agora está em guerra, ela é uma grande exportadora, por exemplo, de defensivos agrícolas. Então, isso de certa maneira encarece, por exemplo, o custo do agro, e aumentando o custo de produção, isso pode fazer com que os produtos alimentares produzidos no Brasil se tornem mais caros.” – explicou o professor, que disse que tudo aquilo que de alguma maneira é influenciado pelo preço do petróleo acaba mexendo no bolso.

O governo brasileiro já manifestou profunda preocupação com a escalada das hostilidades na região, e tem reforçado que o diálogo e a negociação diplomática são o único caminho viável para a superação das divergências.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o Irã é hoje o 31º maior parceiro comercial do Brasil, sendo o 5º maior no Oriente Médio, com o comércio entre os dois países tendo movimentado uma quantia de quase 3 bilhões de dólares. 

O comércio é fortemente concentrado no agronegócio, com milho e soja respondendo por 87% das exportações brasileiras ao Irã em 2025. Em relação às importações, se destacam adubos e fertilizantes.