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Educadora revela que ‘criar criança é fácil, mas educar não é tão simples assim’

Para Telma Abrahão educar é muito mais desafiador e nem todos os cuidadores estão preparados para desempenhar esse papel da melhor maneira

Por Redação Tupi

(Foto: Elza Fiúza/ Divulgação: Agência Brasil)

Dar banho, alimentar, comprar roupa, pagar escola, isso qualquer pessoa adulta e responsável pode fazer por uma criança, pode ser os pais, os avós, um cuidador, uma babá, um tio, os pais adotivos ou qualquer outra pessoa que se dedique a essa função. Mas educar, é muito mais desafiador e nem todos os cuidadores estão preparados para desempenhar esse papel da melhor maneira. Para a especialista em educação infantil, Telma Abrahão, muitos pais acabam copiando um modelo aprendido e repetindo padrões que muitas vezes não ajudarão a criar um ser humano emocionalmente saudável.

(Divulgação)

“Educar é bem mais complexo, mais difícil, mais trabalhoso. E conseguir exercer esse papel de forma harmoniosa e menos traumática pode ser ainda mais desafiador. O mundo evoluiu e junto com ele a ciência também. Diversos estudos já provaram os malefícios de uma educação autoritária e desrespeitosa na autoestima e no senso de capacidade das crianças. Seres humanos precisam de amor, conexão e aceitação para se desenvolverem bem. Precisam ter suas necessidades emocionais atendidas, pois somos seres que nascemos sedentos por conexão, pelo sentimento de pertencimento e pelo desejo ardente de sermos aceitos e amados pelos nossos pais ou cuidadores da forma que somos”, diz a educadora.

 

“Muitos acreditam que bater é educar, mas a palavra disciplinar vem do latim, da palavra Discipulus, que quer dizer ser orientado pelo exemplo, aquele que aprende pelo exemplo do outro. As crianças aprendem como o nosso modelo. “É mais fácil ensinar do que educar. Para ensinar você só precisa saber, mas para educar você precisa ser!” Então como desrespeitar e esperar respeito em troca? Como bater e esperar amor e conexão de volta?”, questiona Telma.

 

A especialista diz que precisamos ser coerentes com as mensagens enviadas aos filhos. “A mensagem que passamos inconscientemente é de que o amor de um pai e de uma mãe é condicional. Te amo, se você passar de ano, se você fizer o que eu mando, se você me obedecer, se você for um bom menino, mas se você não fizer nada disso, então terá que pagar por isso, através de castigos, punições, ameaças, surras e humilhações. Será que aprendemos realmente a como educar seres humanos capazes, potentes e bem resolvidos? Ou seguimos replicando comportamentos nocivos sem perceber?”, explica.

 

“O autoritarismo gera desconexão na criança, gera raiva, ressentimentos e a tendência é que ela não aprenda a lição ensinada. Obedece na hora por medo, mas não educa, porque os pais não levaram em consideração o que essa criança pensa e sente sobre si mesma, sobre a situação e logo o mau comportamento se repete como um ciclo vicioso. Porem os estudos mostram que crianças se comportam melhor quando de sentem bem e não o contrário. Como esperar que uma criança se comporte melhor fazendo-as se sentirem pior? Não faz sentido.”, reforça.

 

Telma revela que nenhum dos extremos são positivos, a permissividade, que é o contrário do autoritarismo, também tem suas consequências negativas. “A geração atual sofre justamente pelo excesso de permissividade, crianças sem limites, sem regras, que querem tudo na hora, porque os pais por não saberem lidar com suas próprias emoções e angústias, acabam cedendo por não tolerarem a frustração ou o choro do filho”, diz ela.

 

“A tecnologia que poderia ser utilizada com equilíbrio e ser útil para todos, se tornou também um grande vilão. Muitos pais cansados e sem disposição para dedicarem um tempo de qualidade aos filhos acabam permitindo que suas crianças passem horas e horas na frente do celular, sem um carinho, sem um abraço e além de ficarem super carentes, estão tendo a infância roubada por esse excesso, sem ter a oportunidade de sair, brincar, andar de bicicleta, subir em uma árvore e desfrutar dos prazeres dessa fase tão importante da vida e que não voltará mais”, reforça.

 

A educadora diz que educar da trabalho, exige tempo, paciência e dedicação. “A situação exige autoconhecimento para lidar com as próprias dores sem transmiti-las aos filhos. Exige consciência para aceitar que precisamos nos re-educar primeiro antes de estarmos preparados para educar uma criança da forma que ela merece. Sim, o desafio é grande. Precisamos aprender a ter mais equilíbrio, a andar no caminho do meio, sem extremos e sem deixar marcas negativas e difíceis de serem apagadas lá na frente.”, adianta.

 

Para a educadora, é preciso estudar para ser pai e mãe. “É preciso evoluir, questionar os padrões aprendidos. É preciso compreender sobre as próprias limitações emocionais. A caminhada para essa transformação é longa, mas toda grande jornada começa com um primeiro passo. De o seu”.

 

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