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Em sabatina, Lula fala sobre educação e terras raras e diz que Lulinha ‘terá que pagar’ se cometeu ato ilícito

Em sabatina, presidente também descarta privatização dos Correios, comenta dívida pública, terras raras e educação

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Foto: Reprodução/TV Globo

Em entrevista à TV Globo nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou das investigações daEm entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (27), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre as investigações da Polícia Federal envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro.

O petista também comentou a dívida pública, descartou a privatização dos Correios, defendeu investimentos em terras raras e minerais críticos e abordou as ações de seu governo na educação. Lula afirmou que não haverá interferência política nas apurações e que eventuais irregularidades deverão ser punidas conforme a lei.

Lulinha e investigações: “Terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”

Sobre as suspeitas contra o filho, Lula classificou os indícios como deduções baseadas em conversas telefônicas e disse acreditar que a inocência de Fábio será comprovada. A Polícia Federal conduz três inquéritos, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar a atuação de Lulinha: um sobre possível influência em contratos de cannabis medicinal no Ministério da Saúde, outro sobre negócios da empresa 3Structure It LTDA com a Dataprev e um terceiro sobre uma possível articulação para beneficiar empresas interessadas em negócios com a pasta da Saúde.

O presidente também comentou o caso de seu ex-chefe de gabinete, Marcola, após a revelação de que a empresária Roberta Luchsinger pagou R$ 249 mil em despesas dele. Lula classificou a situação como inadequada. “Não é adequado. É totalmente errado. E o Marcola sabe do erro que ele cometeu, porque não é esse o papel do chefe de gabinete”, afirmou.

Ao falar sobre as investigações, Lula garantiu liberdade às autoridades e descartou interferências para beneficiar familiares ou aliados. “Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, declarou.

Dívida pública e corte de gastos

Lula afirmou que a dívida pública, que superou 80% do Produto Interno Bruto (PIB), não o preocupa. Segundo o presidente, a taxa de juros de 14% ao ano e o déficit fiscal de 2,8%, que disse ter herdado do governo anterior, ajudam a explicar o cenário.

Para ele, o crescimento da economia contribuirá para reduzir a relação entre dívida e PIB. “Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair em relação ao PIB. 80% de dívida, em um país, não é muito. Olhe para os Estados Unidos, o Japão, a Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB”, disse.

Questionado sobre cortes de gastos obrigatórios, Lula não especificou quais despesas pretende reduzir, mas afirmou que o país terá superávit. “Eu quero voltar a fazer com que esse país dispute com o mundo rico. […] Nós vamos fazer superávit.”

Terras raras

O presidente também defendeu a regulamentação da exploração de terras raras e minerais críticos. Lula afirmou que o Brasil precisa evitar a simples venda desses recursos e investir na produção de itens com maior valor agregado.

“Depois da China, possivelmente a gente está num país que tem mais minerais críticos e terras raras, e você percebe que está sendo vendido enquanto a gente não faz a regulação.”

Segundo ele, a meta é aprovar regras para ampliar a produção no país. “Se a gente souber extrair, transformar e produzir os materiais que a gente pode fazer bateria, chip, celular aqui dentro do Brasil, a gente vai estar criando um passaporte para dar oportunidade para a juventude brasileira”, completou.

Lula descarta privatização dos Correios

Sobre a crise dos Correios, que acumulam quatro anos seguidos de prejuízo e perdas de R$ 15 bilhões, Lula descartou a venda da estatal e afirmou que pretende recuperá-la. “Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios, sabe? E para ele prestar serviço de qualidade ao povo brasileiro. E ele pode fazer.”

O presidente reconheceu que a empresa não acompanhou as mudanças no mercado de entregas. “Obviamente que os Correios são vítimas de uma crise, que ele não se adaptou a um novo tempo. Não se adaptou, surgiu muita empresa de fazer entrega e o Correio ficou na mesmice.”

Lula afirmou que a nova administração fará os ajustes necessários e não descartou parcerias com empresas brasileiras ou estrangeiras. “A gente quer um Correio prestando serviços junto com qualquer outra empresa.”

Educação

Na educação, Lula citou a ampliação das escolas de tempo integral, o Pé-de-Meia, o pacto pela alfabetização e a expansão de universidades e institutos federais. “Se tem uma coisa que eu tenho orgulho é que o Brasil nunca teve um presidente da República que cuidou da educação como eu cuidei”, afirmou.

Ao comentar o baixo desempenho de estudantes da rede pública em matemática, o presidente destacou que a educação básica é administrada pelos estados e citou Ceará e Piauí como exemplos. “A educação básica é administrada pelo estado. O Ceará e o Piauí são dois estados pobres que têm o melhor nível de educação nesse país”, disse.