Brasil

Familiares de vítimas do voo da Chapecoense se reúnem com Bolsonaro em busca de acordo de indenização

A audiência está marcada para a tarde da próxima terça-feira e foi intermediada pelo senador Jorge Kajuru

Por Redação Tupi

A audiência, está marcada para a tarde da próxima terça-feira e foi intermediada pelo senador Jorge Kajuru
(Foto: Divulgação/ Cleberson Silva/ Chapecoense)

Quase três anos após a queda, representantes da Associação das Famílias das Vítimas do Voo da Chapecoense (Afav-C), Fabienne Belle e Mara Paiva estão na expectativa para o encontro com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), no Palácio do Planalto. A audiência, está marcada para a tarde da próxima terça-feira e foi intermediada pelo senador Jorge Kajuru (Patriota).

Kajuru já tinha uma reunião prevista com o presidente e conseguiu incluir na pauta a situação das famílias que ainda aguardam um acordo de indenização que considerem justo. Também devem participar do encontro os senadores Romário (Podemos), Leila Barros (PSB) e o presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Nelsinho Trad (PSD).

Na reunião, a Afav-C pretende saber de Bolsonaro qual a maneira do governo brasileiro, por vias diplomáticas, ajudar na batalha judicial que envolve a empresa Lamia, dona da aeronave, a seguradora Aon, as autoridades bolivianas e colombianas de aviação e as famílias das vítimas. Segundo a  associação, na apólice da segurada para o voo há pontos “inaceitáveis”. Um deles, explicou Mara Paiva, é que mesmo sabendo que a boliviana Lamia operava frequentemente voos para a Colômbia, uma cláusula de exclusão territorial, exime a empresa de responsabilidade em caso de acidente em território colombiano.

Outra queixa das famílias é a aprovação de um plano de voo, sem pausa para abastecimento, de uma aeronave que não tinha autonomia para voar de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, para o Aeroporto  José Maria Córdova, em Rionegro, na Colômbia. “Precisamos envolver o governo na causa e tratarmos deste tema diretamente com o presidente Bolsonaro. A última esperança das famílias que perderam seus entes queridos é o governo brasileiro. Elas precisam de ajuda e tenho certeza que o presidente vai entender”,  afirmou Romário.

Até agora, o escritório que representa a seguradora já fechou acordos com 23 famílias das vítimas, pagando US$ 225 para cada uma em condição de auxílio. Em troca, elas abriram mão de ações contra seguradoras e autoridades regulatórias. Representantes das famílias das vítimas questionam o valor. Elas afirmam que até meses antes da queda do avião da Lamia, o valor da apólice que era  US$ 300 milhões, passou a ser de US$ 25 milhões.

“ As famílias depositam sua última esperança no Senado e no governo brasileiro. Temos que ir ao presidente da República, pois a maior parte das ações movidas pela Afav-C prescrevem em novembro (mês que a tragédia completa três anos). É preciso que o Itamaraty seja acionado e estabeleça um plano de ação junto às autoridades colombianas e bolivianas”, cobrou o senador  Kajuru.

O assunto tem sido debatido desde o ano passado pela Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, que já realizou três audiências públicas, duas delas somente este ano. Na última semana, o advogado inglês Alex Stovold, representando o escritório de advocacia Clyde & Co. lembrou que além da cláusula de exclusão, a Lamia havia parado de pagar as apólices, o que também eximiria as seguradoras, conforme a lei daquele país.

Já o zagueiro Neto, um dos seis sobreviventes da tragédia, também participou da audiência.  Chorou ao lembrar do pânico que tomou conta da delegação quando perceberam que o avião havia entrado em colapso: “ Perdi muitos amigos extremamente queridos, que me fizeram melhorar enquanto jogador e, mais do que isso, enquanto ser humano. Éramos de fato um grupo muito unido, éramos amigos fora do campo, nossas famílias se encontravam nos momentos de folga, nossos filhos eram amigos uns dos outros. Só Deus sabe o que eu e minha família já sofremos desde essa tragédia. O que dói tanto quanto a tragédia é a impunidade. Que o Brasil não seja de novo o país da impunidade, não aguento mais ver nosso país assim”.

A aeronave da Lamia trazia 77 pessoas a bordo. Entre os passageiros estavam os jogadores, a equipe técnica da Chapecoense, jornalistas e convidados que iriam a Medelin, onde o clube disputaria a primeira partida da final da Copa Sul- Americana contra o Atlético Nacional, da Colômbia . Entre passageiros e tripulantes, 71 pessoas morreram.

recomendadas
Comentários
enquete

GOSTO É GOSTO: o homem que é homem não fica em casa e sim trabalha fora?

Carregando ... Carregando ...

AO VIVO
OUÇA AO VIVO
VOLTAR AO SITE
20 de Novembro de 2019 - 96.5 FM
OUÇA AQUI
Giro Esportivo
« Programa Anterior
Nenhum programa encontrado
Próximo Programa »
  • Transmissão em Vídeo
Acompanhe também »